Analista da Al Jazeera pede ao Hamas que trate manifestantes e membros do Fatah como “traidores”
“Qualquer um que se oponha ou proteste [contra o Hamas] deve ser tratado não como um rival político, mas como um traidor”, escreveu Saeed Ziyad, um analista político que aparece regularmente na Al Jazeera, em sua conta no X/Twitter na quarta-feira.
Tais indivíduos devem “ser tratados sob a lei revolucionária palestina”, acrescentou.
Para evitar qualquer confusão quanto às implicações da lei, Ziyad se referiu ao golpe de 2007 do Hamas em Gaza, que viu dezenas de membros da Autoridade Palestina serem massacrados por terroristas do Hamas em seu caminho para permanecer como único governante na Faixa de Gaza.
A postagem atual de Ziyad, que repercutiu de forma preocupante entre muitas vozes palestinas, rejeitou o “caos e a incitação à guerra civil que estão ocorrendo na Faixa de Gaza”, ecoando algumas das expressões feitas pelos líderes do Hamas durante as últimas semanas, que tentaram pintar qualquer rejeição ao Hamas como uma traição à causa e à identidade palestinas.
Ziyad continuou, afirmando que “aqueles que, juntamente com a divisão social sem precedentes em torno da eficácia da resistência armada, estão lançando as bases para um período que tem semelhanças impressionantes com 2007, um ano de caos que terminou em uma rápida resolução militar em poucos dias”.
No entanto, Ziyad considerou que existem algumas diferenças importantes entre os dois períodos, como o fato de que nenhuma outra força militar palestina existe na Faixa de Gaza hoje, no que ele apelidou de “uma enorme lacuna de poder em favor da resistência (ou seja, Hamas)”.
Aos olhos de Ziyad, o atual “incitamento” não se baseia em uma disputa política, mas sim no próprio tópico da “arma de resistência”, ou seja, o governo armado do Hamas em Gaza. Por essa razão, ele argumentou, “Isso concede à resistência maior legitimidade social para ação decisiva, que impõe à resistência o dever de lidar com cada instigador e participante com base na traição, não em desacordo político, de acordo com a lei revolucionária palestina”.
O analista também acusou o Fatah de realizar o “núcleo central da incitação”, alegando que o Fatah não foi alvo em 2007, mas apenas “posições da Autoridade e suas milícias”.
Ziyad afirmou que, por muitos anos, o Hamas concedeu ao Fatah “liberdade de atividade organizacional, pública e estudantil em Gaza”, e agora ele alertou que esses protestos levarão à “expulsão completa da organização da Faixa de Gaza”. Ziyad encerrou sua análise alertando que o Hamas está perdendo a paciência, alegando que o grupo terrorista recorrerá a tomar “decisões rápidas e decisivas”.
OHAD MERLIN | JPOST
Edição: Léo Vilhena | Rede GNI
*Reportagem escrita originalmente em Hebraico
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