Trump defende presidente da Fifa em meio à pressão por saída
Últimas atualizações em 11/08/2026 – 09:17 Por AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio ao mandatário da Fifa, Gianni Infantino, em meio a cobranças para que este deixe a gestão da entidade que rege o futebol mundial.
“A Fifa cometeria um erro terrível se, por qualquer motivo, cogitasse sequer substituir o presidente Gianni Infantino. Ele é fantástico e acaba de presidir a Copa do Mundo mais bem-sucedida — e de longe — de todos os tempos. Se ele sair, [o Mundial] nunca mais terá o mesmo sucesso ou lucratividade!”, escreveu Trump na rede Truth Social na noite de segunda-feira (10), citando o Mundial recentemente realizado nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
A publicação do presidente americano foi feita no mesmo dia em que os presidentes da Uefa (confederação europeia de futebol), Aleksander Ceferin, da AFC (Ásia), o xeique Salman bin Ibrahim Al Khalifa, e da Concacaf (Américas do Norte e Central e Caribe), Victor Montagliani, divulgaram uma carta manifestando repúdio a Infantino.
“A liderança no futebol não é uma posse”, diz a mensagem. “Não se trata de deter — ou exigir — o poder. É um dever de servir à família do futebol, que confia essa responsabilidade. Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou a autoridade, esse dever é abandonado.”
Em julho, a Fifa revelou uma proposta de criar uma empresa de US$ 20 bilhões para administrar a Copa do Mundo e outros torneios internacionais com investidores privados, entre eles, a holding Thrive Eternal, de Joshua Kushner, cujo irmão, Jared Kushner, é genro de Trump.
O projeto levou a Uefa a anunciar que suas federações nacionais não participariam das competições da Fifa, foi criticada pela Concacaf e pela AFC e fez Carlos Cordeiro, assessor da federação mundial e braço direito de Infantino, anunciar a renúncia ao cargo por discordar da proposta.
Diante da repercussão negativa, Infantino desistiu da ideia, mas o episódio continua a desgastar sua imagem, com federações nacionais de futebol retirando seu apoio à reeleição do dirigente. A votação será realizada em março.
Infantino se aproximou de Trump desde que este voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025. No final do ano passado, ele criou o Prêmio da Paz da Fifa para homenagear o presidente americano após este ter sido esnobado pelo comitê do Nobel da Paz.
Em julho, após telefonema de Trump a Infantino, o Comitê Disciplinar da Fifa concedeu um indulto ao atacante americano Folarin Balogun, que havia sido expulso em partida da segunda fase da Copa do Mundo contra a Bósnia-Herzegovina, e permitiu que ele atuasse no jogo contra a Bélgica pelas oitavas de final.
O presidente dos Estados Unidos admitiu que ligou para o mandatário da Fifa após a expulsão de Balogun, mas disse que apenas pediu para que o lance fosse revisado, não que o cartão vermelho fosse cancelado.
Diante dessa proximidade, a ONG FairSquare apresentou uma denúncia contra Infantino junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI), do qual o presidente da Fifa faz parte, alegando que o dirigente esportivo “violou repetidamente as regras do COI sobre neutralidade política ao oferecer apoio político ao presidente dos EUA, Donald Trump”. A Comissão de Ética do órgão olímpico rejeitou a denúncia.
No mês passado, o jornal The New York Post noticiou que Trump quer que Infantino seja o próximo secretário-geral da ONU.
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