Quem são os 3 democratas que despontam na disputa pelo Senado dos EUA
Últimas atualizações em 02/11/2026 – 09:02 Por G1 Mundo
Quase 50 milhões de votos antecipados nas eleições dos EUA
Para assumir o controle do Senado, o Partido Democrata precisa manter as cadeiras que já ocupa e conquistar mais quatro nas eleições desta terça-feira nos EUA. Independentemente do resultado que sairá das urnas, três candidatos se destacaram na corrida que, até a guerra contra o Irã, parecia certa para os republicanos.
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Com estilos e plataformas distintas, eles prometem fazer história e, se eleitos, poderão definir a trajetória política do partido na disputa presidencial de 2028, numa árdua batalha entre os moderados e a ala à esquerda. Em comum, os três candidatos despertaram a fúria do presidente Donald Trump em comentários jocosos nos comícios que ele fez pelo país em busca do voto republicano.
- Em quatro mandatos como deputado estadual no Texas, James Talarico construiu uma sólida base de apoio entre os eleitores e ameaça transformar o estado tradicionalmente republicano em democrata, combinando fé cristã, discrição e apelos ao bipartidarismo.
- O médico Abdul El-Sayed, que concorre a uma vaga ao Senado pelo Michigan, representa a ala mais progressista do partido e tem sido alvo de ataques virulentos tanto pela ascendência muçulmana quanto pelas posições contra Israel.
- Senador mais jovem em exercício, Jon Ossoff tenta a reeleição pela Geórgia, mas seu nome aparece forte como possível candidato às eleições para a Casa Branca em 2028.
Veja a seguir como a corrida eleitoral acirrada os transformou em estrelas em ascensão no Partido.
JAMES TALARICO — TEXAS
Democratic Senate candidate James Talarico speaks at a rally on July 13, 2026, in Eagle Pass, Texas. — Foto: (AP Photo/Brenda Bazán, File)
Os democratas depositam no seminarista presbiteriano e deputado estadual a maior esperança de conquistar uma vaga para o Senado, após mais de três décadas de predomínio republicano consolidado no Texas. Talarico, de 37 anos, desafia o procurador-geral Ken Paxton numa disputa excepcionalmente competitiva no estado conservador, que o põe na dianteira, com 47,6% das intenções de voto contra 44,7% do republicano, segundo a média de pesquisas do Real Clear Politics.
O candidato democrata foi alvo de teorias da conspiração, quando, no fim de setembro, ficou nove dias afastado da campanha por uma gripe. Foi o suficiente para que seus opositores espalhassem o boato de que ele estaria internado em uma clínica psiquiátrica e que o presidente Donald Trump afirmasse, sem provas, que Talarico é vegano e teria comido carne para obter ganhos políticos.
O presidente americano deu força ao aliado Ken Paxton, ao ajudá-lo a derrotar o republicano John Cornyn nas primárias republicanas, apesar do extenso histórico de escândalos de corrupção envolvendo o procurador-geral.
“Eu tenho experiência legislativa, Ken Paxton tem antecedentes criminais. Esta eleição é sobre se vocês querem um senador que ponha dinheiro no bolso de vocês ou no próprio. É sobre se vocês querem um senador que defenda o Texas ou a si mesmo. É sobre se vocês querem um senador que sirva a vocês mesmo ou aos seus megadoadores bilionários”, clamou Talarico num comício em Houston.
Talarico se referia a Elon Musk, que gastou mais de 150 milhões de dólares do próprio bolso para apoiar Paxton. Para fazer frente ao rival, o candidato democrata focou a campanha na união e na fé. Ex-professor do ensino fundamental, ele capitaneia uma candidatura crucial para o país: o Decision Desk HQ dá a Talarico 60% de chances de vitória no Texas, onde Trump venceu nas três últimas eleições e derrotou, em 2024, a ex-vice-presidente Kamala Harris por mais de dez pontos percentuais.
ABDUL EL-SAYED — MICHIGAN
O presidente dos EUA, Donald Trump, diante de telão exibindo comício de Abdul El-Sayed, candidato a senador pelo estado do Michigan, em 25 de outubro de 2026. — Foto: Julia Demaree Nikhinson/ AP
Se derrotar o ex-congressista republicano Mike Rogers, o democrata Abdul El-Sayed se tornará o primeiro muçulmano a ocupar uma vaga no Senado americano. Representante do setor mais progressista, ele expôs as divisões no partido em Michigan, numa dolorosa batalha nas primárias em agosto, na qual derrotou a candidata moderada Haley Stevens.
Michigan é um estado decisivo nas eleições, e as pesquisas dão vantagem de 3 a 7 pontos percentuais para El-Sayed. Enquanto os democratas tentavam centrar a campanha em Trump, seus opositores preferiram enfocar mais a origem do candidato, em vez de discutir os problemas que afligem a população do estado, como inflação, alta de preços dos combustíveis e a guerra contra o Irã.
Filho de egípcios, o médico El-Sayed, de 42 anos, enfrentou a retórica antimuçulmana oriunda de Trump e do adversário Rogers, de 63 anos. Em declarações consideradas islamofóbicas, o presidente o chamou de jihadista e questionou sua lealdade aos EUA, acusando-o de estar ao lado de terroristas e ser uma ameaça à segurança nacional.
Mike Rogers e Abdul El-Sayed disputam vaga no Michigan — Foto: Paul Sancya/AP; Julia Demaree Nikhinson/AP
O candidato negou ter laços com a Irmandade Muçulmana, afirmação repetida com insistência pelo republicano Rogers, ex-agente do FBI e ex-congressista. El-Sayed se indispôs também com parte da comunidade judaica, ao criticar duramente Israel e defender a retirada da ajuda militar dos EUA ao país. Precisou pedir desculpas por declarações como “pessoas feridas ferem pessoas”, sobre o massacre de 7 de outubro de 2023 em Israel, e condenou o antissemitismo.
Na reta final da campanha, o ex-presidente Barack Obama, outrora chamado por ele de “bastante centrista e moderado”, juntou-se a El-Sayed num comício em Detroit.
“Temos clareza sobre a escolha nesta eleição. Abdul está lutando por mudanças reais, que acabarão com esta guerra, tirarão o dinheiro da política e o devolverão para o seu bolso”, afirmou o ex-presidente.
Neste domingo, a dois dias das eleições, recebeu uma bola nas costas da ex-adversária democrata Stevens, que declarou apoio ao republicano Mike Rogers. O gesto reafirmou as diferenças com a ala mais à esquerda do partido, num claro sinal de que a pacificação está distante.
JON OSSOFF — GEÓRGIA
Jon Ossoff, candidato democrata ao Senado dos EUA pela Geórgia, durante ato de campanha nesta segunda-feira (4) — Foto: Mike Segar/Reuters
O senador democrata busca a reeleição, mas no horizonte é cotado como um dos possíveis candidatos do partido para as presidenciais de 2028. Nas eleições de terça-feira, Ossoff está em vantagem, e suas chances contra o deputado republicano Mike Collins são de 69%, segundo o Real Clear Politics.
O que parece estar em jogo é a reafirmação da carreira política em ascensão de Ossoff, o único senador democrata em exercício que busca a reeleição em um estado onde Trump venceu em 2024. Aos 39 anos, ele é frequentemente comparado com Obama em estilo e carisma. Num comício na quarta-feira passada, o ex-presidente derramou-se em elogios ao candidato:
“Não é só porque ele é tão bem-apessoado. Não é porque ele se parece com um Kennedy, todo charmoso nos vídeos. É porque ele aprendeu com seu mentor e meu mentor – um dos grandes: John Lewis", afirmou, referindo-se ao líder dos direitos civis.
Ossoff vive um momento de grande popularidade. Foi dele o comentário que expôs o suposto vínculo entre o presidente Trump e sua assistente Natalie Harp e viralizou nas redes sociais. Por enquanto, ele diz não ter interesse nas eleições para a Casa Branca, mas uma pesquisa recente apontou que ele venceria o vice-presidente JD Vance e o secretário Marco Rubio, num eventual confronto em dois anos.
Sua campanha para o Senado centrou-se em ataques a Trump pela maneira como o presidente conduziu a guerra contra o Irã e lidou com os arquivos de Jeffrey Epstein.
“Enquanto o presidente corrupto e sua família corrupta arrecadam bilhões do mundo todo, você paga mais por tudo. Eles dobraram seus prêmios de seguro e cortaram o Medicaid para reduzir os impostos para os ricos, nos levaram à guerra com mentiras e passaram a maior parte do ano passado acobertando o pedófilo mais famoso do mundo”, resumiu o candidato, num de seus comícios.
Primeiro senador judeu da Geórgia e o mais jovem da Casa, ele criticou Israel e votou contra a venda de armas ao país durante a guerra em Gaza, levantando a desconfiança de parte da comunidade judaica. Ele ataca o rival Mike Collins por vínculos com a extrema direita: o deputado foi alvo de uma investigação do Comitê de Ética da Câmara e de denúncias de postagens antissemitas e supremacistas feitas por seu genro.
Fonte: G1 Mundo
