Hackers invadem sistemas de Rússia e Ucrânia e disparam alertas falsos após fim da trégua local

Últimas atualizações em 02/11/2026 – 09:02 Por G1 Mundo

Notificações de alerta em Kiev após sistema ser hackeado — Foto: Reprodução/X

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A Ucrânia e a Rússia informaram nesta segunda-feira (2) que aplicativos usados para emitir alertas de emergência à população foram alvo de ataques hackers que provocaram o envio de avisos falsos sobre ameaças aéreas, químicas e nucleares.

As invasões ocorreram com poucas horas de diferença e coincidiram com o fim de um cessar-fogo local de seis dias na região de Kherson, no sul da Ucrânia. A trégua, encerrada no domingo (1º), foi a mais longa registrada desde o início da invasão russa em larga escala, em 2022.

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Na Ucrânia, o aplicativo público de alertas aéreos começou a emitir mensagens falsas pouco antes das 23h de domingo, no horário local, para moradores da capital, Kiev, e de outras regiões do país. Os avisos mencionavam supostos ataques radiológicos e químicos, além do risco de confrontos nas ruas em algumas áreas.

Um dos alertas dizia que a Rússia havia lançado um míssil hipersônico Oreshnik, que pode transportar uma ogiva nuclear, e que um alerta nuclear havia sido declarado em toda a Ucrânia.

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Pouco depois, a Força Aérea ucraniana informou que o aplicativo aparentemente havia sido invadido. Segundo as autoridades, uma das evidências era o fato de os alertas terem sido transmitidos em russo, embora o ucraniano seja o idioma exigido nas comunicações oficiais do país.

“O aplicativo de alerta aéreo parece ter sofrido influência inimiga”, afirmou a Força Aérea. “Não há ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal!”

O Centro Ucraniano de Combate à Desinformação também afirmou que as informações divulgadas pelo aplicativo não correspondiam à realidade. Já o Centro Ucraniano para Comunicações Estratégicas atribuiu o ataque à Rússia.

Em seguida, foram enviadas mensagens cancelando os alertas falsos. O Ministério da Transformação Digital da Ucrânia informou que o aplicativo havia sido temporariamente suspenso, mas afirmou que outros sistemas de alerta à população, incluindo as sirenes contra ataques aéreos, continuavam funcionando.

Rússia também relata invasão

Algumas horas depois, foi a vez da Rússia informar que seu aplicativo de emergência havia sofrido um ataque hacker.

“Atenção! O aplicativo móvel do Ministério de Situações de Emergência da Rússia foi alvo de um ciberataque em larga escala, o que permitiu aos atacantes enviar informações falsas à população”, afirmou a pasta no Telegram.

Uma das mensagens falsas dizia que ogivas nucleares haviam sido lançadas contra todas as regiões russas e orientava os moradores a estocar comida para três semanas e procurar abrigo em porões.

A mensagem, no entanto, não tentava reproduzir o padrão de uma comunicação oficial. O texto continha linguagem coloquial, palavrões e termos depreciativos contra a Rússia.

O grupo de hackers pró-Ucrânia Atesh publicou nesta segunda-feira uma captura de tela de um dos alertas e afirmou que o aplicativo russo havia sido invadido.

O governo russo minimizou o alcance da invasão e disse que o aplicativo não está entre seus principais meios de alerta à população, mas funciona como uma fonte complementar de informações.

Especialistas trabalhavam para restabelecer o funcionamento normal do sistema, segundo o Ministério de Situações de Emergência.

“Pedimos ao público que mantenha a calma e confie apenas em fontes oficiais de informação”, afirmou a pasta.

Ataques coincidem com fim de trégua

Os episódios ocorreram logo após o fim de um cessar-fogo localizado em Oleshki, cidade da região de Kherson ocupada pelas forças russas desde 2022.

A trégua entrou em vigor em 27 de outubro e terminou em 1º de novembro. Intermediada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, a pausa nos combates permitiu o envio de uma missão humanitária à cidade e saídas voluntárias em direção a áreas controladas pela Ucrânia ou pela Rússia.

“O cessar-fogo, que esteve em vigor de 27 de outubro a 1º de novembro, foi concluído”, declarou Dmytro Lubinets, comissário de direitos humanos do Parlamento ucraniano.

Um oficial militar ucraniano, que falou sob condição de anonimato, afirmou que as forças russas posicionadas na outra margem do rio Dnipro aproveitaram a trégua para concentrar novos soldados, deslocar reservas de munição e coletar informações sobre posições ucranianas com drones.

Fora da área abrangida pelo cessar-fogo, os combates continuaram.

No domingo, a Rússia informou que um drone atingiu durante a madrugada uma “empresa industrial” a leste de Moscou. Veículos de comunicação ucranianos afirmaram que o alvo teria sido a refinaria de petróleo de Kstovo, descrita como uma das maiores do país.

A Ucrânia vem atacando instalações de petróleo e gás em território russo e argumenta que as ofensivas são uma resposta aos bombardeios contra sua própria infraestrutura energética.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado Kiev a interromper esses ataques, sob o argumento de que eles contribuem para a alta dos preços do diesel.

No domingo, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que seu país poderia deixar de bombardear refinarias russas caso Moscou interrompesse os ataques contra a rede elétrica ucraniana ou Washington fornecesse mais mísseis interceptadores Patriot a Kiev.

“Dissemos [a Washington] que, se querem que não ataquemos as refinarias russas, eles não devem atacar nosso sistema elétrico. Outra alternativa: que nos deem mísseis Patriot”, declarou Zelensky à Fox News.

Analistas esperam que o diálogo entre Kiev e Moscou seja retomado neste mês, com mediação dos Estados Unidos. As negociações estão paralisadas desde fevereiro.

A guerra começou em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Mais de quatro anos depois, Moscou controla cerca de um quinto do território ucraniano.

*Com informações das agências de notícias France Presse e Reuters.

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Fonte: G1 Mundo

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