“Mártir” vivo do comunismo entrega relíquia ao Papa
Últimas atualizações em 01/05/2026 – 17:39 Por Gazeta do Povo | Feed
O cardeal Ernest Simoni, de 97 anos, considerado um “mártir vivo” da sangrenta perseguição comunista na Albânia, reuniu-se no Vaticano com o Papa Leão XIV nesta semana em uma audiência privada marcada pela lembrança do testemunho de fé da Igreja perseguida.
Segundo relatos da mídia vaticana, o cardeal presenteou o pontífice com uma cruz e uma relíquia dos mártires albaneses “que deram suas vidas por fidelidade e amor a Jesus, e pela salvação do povo da Albânia, para que todos os homens possam contemplar o sorriso do céu”, disse o cardeal ao papa.
O encontro no dia 26 de abril, que também contou com a presença de cerca de 40 familiares do cardeal, ocorreu “em uma atmosfera de alegria e esperança, contemplando o rosto do Santo Padre, que representa o rosto de Jesus, para proclamar a toda a humanidade as boas novas do céu, de paz, de fraternidade e de amor por todos os povos do mundo”, disse Simoni à mídia vaticana após o encontro.
Ordenado sacerdote em 1956, 12 anos após o regime do ditador comunista Enver Hoxha chegar ao poder, Simoni suportou a brutal repressão da Igreja Católica no primeiro Estado oficialmente ateu do mundo, onde toda prática religiosa era proibida.
O padre foi preso no dia de Natal de 1963 e condenado à morte, mas a sentença foi comutada para trabalhos forçados. Ele passou 18 anos na prisão e foi libertado em 1981. No entanto, ainda considerado “um inimigo do povo”, foi posteriormente forçado a trabalhar limpando os esgotos na cidade de Shkodër. Ele exerceu o ministério sacerdotal clandestinamente até a queda do regime em 1990. Apesar da proibição absoluta de culto, durante seu aprisionamento ele celebrava missa diariamente, recorrendo a subterfúgios engenhosos para não ser detectado. Como celebrava a missa em latim, seus carcereiros pensavam que ele havia enlouquecido e estava apenas balbuciando palavras incompreensíveis.
Em 2014, quando o Papa Francisco visitou a Albânia, o testemunho deste sacerdote já idoso o comoveu às lágrimas. Em 2016, o papa o tornou cardeal, agradecendo-lhe publicamente por uma vida de dedicação que “faz bem à Igreja”.
No dia 7 de abril deste ano, o cardeal celebrou o 70º aniversário de sua ordenação sacerdotal. Dois dias antes, no domingo de Páscoa, ele acompanhou Leão XIV durante a mensagem e bênção “urbi et orbi” (“à cidade e ao mundo”) da loggia central da Basílica de São Pedro.
Simoni descreveu a audiência com o pontífice como “uma graça especial do Espírito Santo e também do Santo Padre: proclamar juntos, a todos os povos do mundo, a paz que vem do céu, aquela paz mais doce, a alegria espiritual e a alegria da Ressurreição”.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Living ‘martyr’ of communism, Cardinal Simoni, presents relic of Albanian martyrs to Leo XIV
Gazeta do Povo
Sob a licença da Creative Commons (CC) Feed
Redes Sociais:
https://www.facebook.com/www.redegni.com.br/
https://www.instagram.com/redegnioficial/
https://gettr.com/user/redegni
https://x.com/redegni
