Lula cobra fim da “balbúrdia” no STF e elogia Fachin por “colocar ordem na casa”
Últimas atualizações em 10/09/2026 – 21:41 Por Gazeta do Povo | Feed
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (10) estar satisfeito com a atuação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para conter a crise na Corte, defendeu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e voltou a pedir o fim de sigilo nas investigações envolvendo o Banco Master e as fraudes no INSS.
Em entrevista ao SBT News, Lula disse que Fachin “colocou ordem na casa”, mas afirmou que ainda é necessário apurar as responsabilidades pelos episódios que levaram ao confronto entre os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
“Se a Suprema Corte virar uma balbúrdia, ninguém conversa com ninguém, ninguém confia em ninguém. Todo mundo acusa todo mundo. O presidente tem que assumir o presidencialismo e colocar ordem na casa. Então eu estou satisfeito que o Fachin colocou ordem na casa. Ainda falta apurar quem é culpado de verdade”, afirmou.
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Questionado se Moraes deveria ser alvo de investigação, o petista respondeu que “todo mundo deve ser investigado”. O STF analisará a troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na próxima terça (15).
“Se Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da nossa Constituição. A lei acima de tudo e a verdade seja soberana”, disse o presidente.
Lula reclama de vazamentos e cobra fim de sigilos: “Todo mundo nu diante da sociedade”
O presidente criticou o uso e o vazamento de informações sigilosas em meio à crise. Para Lula, os vazamentos seletivos podem ter finalidade política e prejudicar a credibilidade das instituições.
“Quando chega a época da política, as pessoas começam a fazer vazamentos seletivos que têm um viés político. Isso causa prejuízo à política e à credibilidade da instituição, porque quando um juiz tem uma informação que é sigilosa, cabe a ele não permitir o vazamento em interesse de uma ou outra pessoa”, afirmou.
Ele pediu o fim do sigilo nas investigações. “Tem que fazer a abertura do sigilo de todo mundo para colocar todo mundo nu diante da sociedade brasileira para ver se a Suprema Corte recupera a sua credibilidade e pune quem tiver que punir”, pontuou.
Lula disse ainda que, diante de uma decisão do Supremo, não há uma instância superior à qual recorrer, o que exigiria responsabilidade dos ministros no tratamento de informações e na condução dos processos.
“Depois de uma decisão do STF, você não tem para quem recorrer. Então, não se pode brincar com as pessoas, não se pode mentir sobre as pessoas, não se pode utilizar indevidamente informações sigilosas”, declarou.
A crise entre os ministros se agravou depois que Mendonça retirou, no último dia 1º, o sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. O ministro também pediu que o plenário do STF analisasse, em sessão pública, um pedido para investigar o colega.
Na sequência, Moraes pediu autorização a Fachin para investigar Mendonça no inquérito das fake news. O pedido teve como base relatórios de inteligência da PF que apontavam supostas irregularidades na atuação de Mendonça em processos relacionados ao Master e aos descontos ilegais do INSS.
Na terça-feira (8), Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, citando os relatórios utilizados por Moraes. O ministro também determinou uma investigação pela Corregedoria da PF e proibiu a produção de relatórios de inteligência relacionados ao caso.
No dia seguinte, Dino reconduziu os dois diretores aos cargos. Para conter a disputa, Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino, manteve a cúpula da PF no comando da corporação e marcou para o próximo dia 15 a sessão do plenário que deverá analisar o pedido de investigação contra Moraes.
Lula afirmou que Fachin tomou uma decisão correta, mas disse esperar novas medidas para restabelecer a credibilidade da Corte. O presidente também disse ser necessário apurar todos os fatos e divulgar as conclusões “doa a quem doer”. “É preciso recuperar o prestígio da Suprema Corte diante dos olhos da sociedade brasileira”, declarou.
Andrei Rodrigues é da “minha total confiança”, diz Lula
Na entrevista, Lula saiu em defesa do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O presidente afirmou que o chefe da corporação é de sua “total confiança” e destacou sua atuação em investigações contra o crime organizado e no caso Master.
“Eu quero dizer em alto e bom som: o Andrei é da minha total confiança. E se ele, por acaso, cometeu um erro, que ele [seja] julgado”, afirmou.
“O Andrei é um policial federal muito competente, tem mais de 30 anos de carreira, é o companheiro que possivelmente fez a maior busca e apreensão da história do crime organizado deste país. É o companheiro que fiscalizou o Banco Master, que prendeu Vorcaro”, ressaltou.
O presidente também elogiou a atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias, durante a crise. Segundo o petista, a relação entre Messias e Mendonça representa uma “proximidade institucional” e não configura irregularidade.
“[Messias] agiu de maneira correta sob a minha orientação, é papel da Advocacia-Geral da União defender os membros do governo”, afirmou. Em julho, a PF havia solicitado a intervenção da AGU em decisões de Mendonça, mas Messias rejeitou o pedido.
Encontro com Vorcaro
Lula também relatou que teve apenas um encontro com Daniel Vorcaro. Segundo o presidente, o empresário reclamou que o Banco Master estaria sendo alvo de perseguição. A conversa, de acordo com Lula, durou menos de meia hora.
“O Daniel Vorcaro veio conversar comigo, ele e outro rapaz, dizendo que estavam perseguindo o banco dele. Eu disse para ele: ‘O Banco Master vai ser analisado como qualquer banco’. Ou seja, ninguém tem interesse em fechar banco. Agora, você tem que estar correto, se não estiver correto, nós fechamos, e foi o que aconteceu”, afirmou.
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