Em carta ao STF, pai de Vorcaro diz ser vítima de “injustiça” e cobra Mendonça
Últimas atualizações em 23/09/2026 – 06:11 Por Gazeta do Povo | Feed
O empresário Henrique Moura Vorcaro enviou nesta segunda-feira (21) uma carta aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede para não ser “arrastado” para o caso Master só por ser o pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele foi preso preventivamente pela Polícia Federal durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, em 14 de maio.
“Até entendo os holofotes sobre o Caso Master, mas não queiram me arrastar para dentro disso só porque eu sou pai do Daniel. Tenho muitos negócios, todos honestos. Preciso da minha reputação e dignidade restauradas, por favor sejam corretos e justos. O ofício da Polícia Federal é fazer justiça, não injustiça. É descobrir a verdade, não criar histórias por hipóteses absurdas e sem comprovação”, disse.
Ele também citou diretamente o ministro André Mendonça, que relatava o caso Master e autorizou sua prisão preventiva. Henrique disse ter ficado “tranquilo” mesmo após a prisão, pois sabia que Mendonça “iria enxergar a verdade” e não permitiria uma “injustiça” contra ele.
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“Exmo. Sr. Ministro André Mendonça, quando fui preso estando o Sr. como relator, fiquei tranquilo pois imaginei que iria enxergar a verdade e eu ficaria no máximo duas semanas. Enviei 3 cartas ao Sr., só a primeira estou protocolando aqui. Imaginei que um homem de Deus não iria permitir essa injustiça. Erraram demais comigo”, afirmou.
Em meio à crise entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou o envio das investigações do Master e dos descontos ilegais do INSS à presidência da Corte.
A PF teria encontrado indícios de que Henrique fez pagamentos para “A Turma”, grupo que atuava para intimidar desafetos de Daniel. O pai do ex-banqueiro negou qualquer conduta ilícita e classificou as conclusões do relatório da Polícia Federal como um “engano completo” e uma “história fantasiosa”.
Henrique afirmou que tinha um relacionamento distante de Daniel. “Verifiquem isso com qualquer pessoa, parceiros deles em Belo Horizonte, São Paulo ou Brasília: todos sabem que eu era uma pessoa totalmente não bem-vinda no Banco ou em qualquer coisa do Daniel. Isso é a verdade e a realidade. Para mim era uma tristeza, sofria muito com esta rejeição”, declarou.
O empresário disse que menções a “pagar turma” ou pressões por adiantamento de dinheiro referiam-se a cobranças financeiras normais por recursos dos próprios projetos imobiliários, e não a repasses ilícitos ou conexões com grupos criminosos.
“Faço um compromisso com os Srs. de que se tiver uma mentira no que estou falando, das questões que foram alvo da minha prisão, os Srs. podem me prender novamente para o resto da vida. Como é a verdade, os Srs. têm que ter o compromisso de restituir a minha imagem e retratar na mídia. Urgente”, destacou.
Henrique ressaltou que sofre de diverticulite crônica, picos de pressão arterial e fortes dores de cabeça, afirmando estar em seu terceiro ciclo de antibióticos e sem alimentação adequada para suas enfermidades.
“Clamo aos demais Exmos. Srs. Ministros do Supremo Tribunal Federal que possam corrigir essa injustiça, essa desumanidade que parece mais um ódio, uma perseguição cega, uma obsessão. Parece que tanto faz me deixar há mais de 4 meses preso, sem culpa nenhuma, passando mal todos os dias, arriscando ter um sintoma irreversível, longe da minha esposa que também está doente, sendo que em 43 anos nunca ficamos separados por mais de 5 dias. Me perdoem por este desabafo, mas minha vida corre perigo”, afirmou.
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