STF segura avanços no caso Master às vésperas da eleição
Últimas atualizações em 28/09/2026 – 05:10 Por Gazeta do Povo | Feed
A pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições de 2026, uma série de decisões e movimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e o caso do Banco Master tem produzido um efeito comum: o adiamento de etapas capazes de ampliar o alcance das investigações sobre suspeitas de corrupção, fraudes financeiras e relações entre Daniel Vorcaro e autoridades públicas.
O principal exemplo é a própria Operação Compliance Zero, o braço investigativo do caso Master. A última fase ostensiva, a décima da operação, ocorreu em 9 de julho, quando a PF cumpriu mandados contra o publicitário Thiago Miranda em uma investigação que apura, entre outros fatos, suspeitas de intimidação de jornalistas, monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e interferência em investigações.
Desde então, embora o material apreendido seja considerado volumoso e ainda existam frentes investigativas abertas, não houve nova fase da operação.
Em julho, a Gazeta do Povo revelou que fontes a par das apurações estimavam que somente o material já apreendido poderia sustentar 60 novas fases da operação.
Uma das explicações da paralisação é a crise no STF. O presidente da Corte, Edson Fachin determinou que o ministro André Mendonça remetesse a ele os casos Master e INSS. Isso fez com que a Polícia Federal suspendesse temporariamente o envio de novos pedidos para realizar operações.
O resultado é um cenário em que as investigações continuam formalmente abertas, mas etapas potencialmente capazes de produzir novos fatos públicos se acumulam para depois do primeiro turno das eleições.
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Zanin barra CPI do Master
Outro movimento que trava investigações ocorreu na terça-feira (22), quando o ministro Cristiano Zanin negou uma liminar solicitada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a dar andamento à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master.
O requerimento de CPI foi apresentado em 9 de março e, segundo Vieira, recebeu 41 assinaturas. São necessárias 27 para a criação de uma CPI no Senado. A comissão pretende investigar especialmente possíveis relações entre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro.
Apesar da negativa, Zanin não encerrou definitivamente a discussão. O ministro considerou que, naquele momento, não havia elementos suficientes para comprovar uma omissão inconstitucional de Alcolumbre e determinou que o presidente do Senado preste informações antes de uma nova análise.
Na prática, porém, a decisão mantém a CPI sem avanço imediato. O requerimento já estava parado havia quase seis meses quando a questão chegou ao Supremo.
A decisão às vésperas da eleição é ainda mais relevante pelo fato de o Congresso Nacional não ter sessões marcadas para as próximas semanas, o que dificulta a instalação e início dos trabalhos efetivamente. Além disso, uma eventual comissão que começasse a funcionar mesmo após o primeiro turno poderia produzir convocações, requerimentos de informação e novos fatos públicos ainda durante a campanha de um eventual segundo turno.
Com a liminar negada, no entanto, nenhuma nova decisão imediata deve ser tomada.
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Investigações de ministros estão suspensas desde que Dino pediu vista do caso
Outra frente de incerteza está dentro do próprio STF. O presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu a condução de procedimentos do caso Master relacionados a ministros da Corte (e não o caso como um todo). Isso ocorreu após uma série de ataques de ministros à supervisão das investigações por André Mendonça.
Em 15 de setembro, o Plenário do STF começou a discutir o destino das duas principais petições relacionadas à crise. Uma delas trata do relatório da PF baseado no celular de Vorcaro que traz evidências de que Alexandre de Moraes pode ter sido corrompido por Vorcaro. A outra envolve um pedido de Moraes para investigar Mendonça com base em relatórios de inteligência da PF sobre sua atuação nos casos Master e INSS.
A discussão foi interrompida por pedido de vista de Flávio Dino. O ministro havia sugerido, juntamente com Gilmar Mendes, que as duas petições fossem reunidas e que houvesse sorteio de um novo relator.
Se esse sorteio acontecesse, o controle das petições sobre o próprio STF cairia nas mãos de outro ministro. Por ora, Fachin permanece à frente dos procedimentos. Um eventual sorteio, continuidade da apuração sob a relatoria de Fachin ou a devolução do caso como um todo para Mendonça são possíveis desfechos. Mas a decisão é esperada só para depois do primeiro turno.
Esse cenário de indecisão não afetou somente as investigações sobre ministros do STF, mas todas as demais apurações do caso Master. Elas envolvem políticos, lobistas, servidores e empresários e continuam formalmente sob a relatoria de Mendonça.
A reportagem apurou que desde julho Mendonça passou a não dar resposta a pedidos adicionais de investigação feitos pela PF. Quando a crise tomou conta do STF em setembro e sua relatoria do caso passou a ser confrontada por outros ministros, a PF suspendeu os pedidos para fazer novas operações. Isso diminuiu drasticamente o ritmo das investigações.
Quase 4 mil arquivos publicados pelo STF, mas parte do caso continua sob sigilo
A quantidade de informações acumuladas também ajuda a dimensionar o que ainda pode surgir da investigação.
Em setembro, o STF liberou cerca de 25,3 GB de documentos, áudios e vídeos relacionados ao caso Master. O material está distribuído em 15 procedimentos. Entre eles estão os inquéritos 5.026 e 5.035, que concentram frentes relevantes da investigação.
Levantamentos sobre o acervo tornado público indicam milhares de arquivos já disponibilizados. Dois dos procedimentos liberados, por exemplo, concentram mais de 2 mil documentos. Ao mesmo tempo, cerca de 160 documentos relacionados a diligências ainda em andamento permanecem protegidos por sigilo.
É justamente nos trechos que continuam fechados que podem estar informações sobre diligências ainda não concluídas, quebras de sigilo, dados bancários e fiscais e outros elementos cuja divulgação antecipada poderia comprometer as apurações.
O próprio STF informou, ao retirar parte do sigilo do resto dos documentos, que esses casos específicos permaneceriam protegidos pois sua publicidade poderia prejudicar diligências e novos procedimentos.
PF adia depoimentos depois de defesa de Vorcaro pedir prazo para analisar documentos
O calendário das oitivas também contribui para empurrar a produção de novos elementos para depois da eleição.
A Polícia Federal atendeu o pedido da defesa de Daniel Vorcaro para o adiamento de dois depoimentos que já estavam autorizados e previstos para 24 e 30 de setembro. Os advogados alegam que não tiveram acesso integral aos documentos reunidos pela PF e pedem pelo menos dez dias úteis para analisar o material e preparar o ex-banqueiro.
A nova data tende a ultrapassar o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
A defesa sustenta que Vorcaro tem interesse em prestar os depoimentos, mas precisa conhecer previamente os elementos da investigação. O argumento está relacionado à Súmula Vinculante 14 do STF, que assegura à defesa acesso aos elementos de prova já documentados e relevantes ao exercício da defesa.
Uma das oitivas trata das suspeitas envolvendo as operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A outra está relacionada à chamada “A Turma”, estrutura que, segundo a investigação, teria sido utilizada para monitorar pessoas, obter informações sigilosas e pressionar adversários.
Até o momento da publicação desta reportagem, uma nova data para os depoimentos não foi divulgada. Em paralelo, as defesas de Vorcaro e de seus aliados passaram a mandar petições não a Mendonça, mas a Fachin para que prisões sejam revistas.
Fachin pede parecer da PGR sobre investigações
Fachin determinou na sexta-feira (25) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise, no prazo de cinco dias, os pedidos ainda pendentes relacionados às investigações dos casos Master e INSS, avaliando a pertinência, a necessidade, a adequação e os possíveis impactos das medidas sobre os inquéritos em andamento.
Entre as solicitações estão pedidos de revogação ou revisão de prisões de investigados, manifestações do ministro André Mendonça sobre relatório relacionado ao caso e um requerimento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para garantir o sigilo das comunicações de advogados eventualmente abrangidas pelo material apreendido nas investigações. Depois do parecer da PGR, os autos deverão retornar a Fachin para nova análise.
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