Chanceler de Milei: ações do governo Lula não são “apropriadas”
Últimas atualizações em 29/07/2026 – 11:51 Por Gazeta do Povo | Feed
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, disse nesta quarta-feira (29) que o governo Javier Milei considera que as ações da gestão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não são “apropriadas”, mas afirmou que não há chance de Buenos Aires romper relações com Brasília devido aos desentendimentos entre os dois mandatários.
Em entrevista à Radio Mitre, o chanceler alegou que “a Argentina não eleva nem elevou este tema ao nível institucional”.
“Separamos o que é o caminho político e ideológico do caminho institucional. Tivemos episódios desta natureza aos quais não respondemos. Não estamos respondendo, nem vamos responder, às declarações feitas não só pelo presidente Lula, mas também por seus funcionários. Em um aspecto de liberdade e entendendo que se está em uma disputa eleitoral, eles querem que o resultado saia de uma maneira e nós de outra. É simples assim”, disse Quirno.
Durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, realizada no sábado (25) e na qual o aliado Flávio Bolsonaro foi confirmado como candidato à presidência, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca” e o criticou por não ter permitido que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O mandatário argentino também chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e o acusou de “espalhar o socialismo” pela América Latina.
Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e chamou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para pedir explicações sobre a fala de Milei. O libertário deu sua “tréplica”, ao afirmar em entrevista que Lula teria financiado uma campanha “anti-Argentina”.
Perguntado na entrevista desta quarta-feira sobre uma declaração do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, de que Milei prestou “um desserviço ao seu próprio país” com os comentários dos últimos dias, Quirno respondeu que “são juízos de valor”.
“Nós pensamos que o que Lula está fazendo no Brasil não é apropriado. Para eles parece que é apropriado; são um país soberano, eles tomam suas decisões e nós tomamos as nossas”, disse o chanceler.
Perguntado sobre a possibilidade de rompimento das relações entre Brasil e Argentina, Quirno afirmou que “não há nenhuma chance de que isso ocorra do nosso lado” e falou sobre a convocação dos embaixadores pelo Itamaraty.
“Isso é o que nós não fazemos: não levamos a questão ao plano institucional. Deixamos a disputa eleitoral, a diferença política e a diferença ideológica nesse campo”, afirmou o chanceler argentino.
“Temos a mais alta estima pelo embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, e esperamos que, após estas consultas, ele retorne ao país o quanto antes para seguir desenvolvendo nossa extensa agenda bilateral”, acrescentou Quirno, que mencionou como exemplo que as divergências entre Lula e Milei não impediram a assinatura do acordo comercial União Europeia-Mercosul.
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