Vinte e quatro pessoas morrem depois de consumir cocaína envenenada na Argentina

ATUALIZAÇÃO DO CASOJovens desacordados, sendo carregados, com dores no peito e dificuldades para respirar. Desde a madrugada de quarta-feira, a cena se repetiu por diversos hospitais de Buenos Aires.

Ao menos 114 pessoas foram internadas. Todas haviam consumido cocaína vendida em uma comunidade chamada Puerta 8, na região Metropolitana da capital argentina.

Um rapaz conta que consumiu a droga, e que durante a manhã estava destruído, com vômitos e dores em todo o corpo. A cocaína consumida estava adulterada, em alguns casos, o usuário morreu em menos de uma hora após a ingestão.

O Ministro de Segurança da Província de Buenos Aires disse que essa droga adulterada provocou paradas respiratórias e cardíacas extremamente violentas, provavelmente atacando o sistema nervoso central.

Nos últimos dois dias, a polícia cumpriu diversos mandados de busca e apreensão em Puerta 8 e encontrou outros 15 mil envelopes de cocaína, prontos para serem vendidos. Ainda não foi possível identificar qual substância causou o envenenamento, mas ao menos os médicos encontraram o antídoto: Naloxona, um medicamento usado em caso de overdose por substâncias obtidas do ópio.

Nove pessoas foram presas, entre elas o chefe do tráfico na comunidade. O Ministério da Saúde da Província emitiu um alerta epidemiológico e pediu aos usuários que não consumam cocaína adquirida nas últimas 24 horas.


A Procuradoria Geral de Buenos Aires disse que a cocaína adulterada que matou 24 pessoas na semana passada continha carfentanil, um opioide “extremamente forte” cujos efeitos são 10 mil vezes mais potentes do que a heroína ou o fentanil.

Dois estudos foram realizados por peritos independentes com várias amostras da cocaína apreendida pela polícia de Buenos Aires no bairro Puerta 8, oeste da Grande Buenos Aires, onde a droga era distribuída.

Na noite de 3 de fevereiro, os serviços de emergência receberam ligações de dezenas de pessoas que passaram mal após terem consumido cocaína adulterada.

Foram relatados desmaios, paradas cardíacas, asfixias e mortes quase imediatas. Outras pessoas receberam tratamento em hospitais.

A hipótese de que a causa das overdoses poderia ter sido o carfentanil (ou um de seus derivados misturado com cocaína) surgiu depois que alguns pacientes reagiram à naloxona, um antídoto para intoxicação por opioides, segundo a imprensa argentina.

Após ouvir depoimentos de sobreviventes sobre onde eles haviam adquirido a droga, a Justiça argentina ordenou uma operação policial que resultou na prisão de vários suspeitos.

O que é carfentanil?

De acordo com a página da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), o carfentanil é um opioide sintético aproximadamente 10 mil vezes mais potente que a morfina e 100 vezes mais potente que o fentanil.

Pode ser fatal com apenas 2 miligramas, dependendo de como é administrado e de outros fatores. Ele é usado em várias formas, incluindo pó, comprimido e spray. Fabricado na China, ele é distribuído no mercado clandestino.

A substância está ligada a uma série de mortes em vários países ao redor do mundo. Segundo as autoridades americanas, a sua presença nos mercados de drogas ilícitas dos EUA é preocupante, pois a potência da droga pode levar a um aumento nas mortes por overdose.

O carfentanil pode ser letal mesmo quando apenas tocado, o que significa que ele é uma ameaça para médicos que atendem emergências de pacientes com suspeita de overdose.

Legalmente a substância é usada como anestésico para animais de grande porte, como elefantes, rinocerontes e ursos.

‘Não está disponível para veterinários’

Depois que a presença do carfentanil foi relatada, grande parte da discussão pública na Argentina se concentrou em como a droga entrou no país.

Segundo informações do jornal La Nación, o carfentanil foi incluído em uma lista de substâncias proibidas na Argentina em 14 de agosto de 2019.

“Não está disponível para veterinários, não está em uso corrente. Não é como a cetamina, que pode ter uso humano ou veterinário. Portanto, há duas alternativas: ou a droga já foi introduzida em sua forma acabada, ilegalmente, ou […] ela está sendo processada em algum laboratório”, disse Sergio Saracco, presidente da Associação Argentina de Toxicologia (ATA), ao La Nación.

Carlos Damin, chefe de Toxicologia do Hospital Fernández, disse ao La Nación que o carfentanil “é usado em países como Canadá, EUA e México como substância para ser adicionada à heroína e ao fentanil, então provavelmente alguém poderia tê-lo usado em pequenas quantidades para testar.”

A investigação ainda está em andamento, disseram as autoridades.

As conclusões publicadas na quinta-feira (10/2) ainda precisam ser complementadas com outros resultados extraídos das autópsias das vítimas.


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