Vaticano pede que católicos apoiem papa Leão XIV contra a guerra
Últimas atualizações em 10/04/2026 – 18:08 Por AFP
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, alertou que a “lógica do mais forte” corre o risco de prevalecer no cenário internacional e convocou os cristãos a se tornarem “vozes de paz” que não deixem o papa Leão XIV sozinho em sua oposição à guerra.
Em entrevista à revista Dialoghi, publicação cultural ligada à Ação Católica Italiana, Parolin afirmou que a voz do papa é “profética”, mas corre o risco de se tornar “uma voz clamando no deserto se não for apoiada e ajudada concretamente”. Suas declarações também oferecem uma chave para compreender a vigília de oração pela paz que Leão XIV convocou para 11 de abril na Basílica de São Pedro.
Parolin recordou a guerra do Iraque em 2003, quando São João Paulo II implorou para que o conflito fosse evitado, mas “ficou sozinho”. Ele destacou, portanto, a necessidade de apoiar o apelo do atual pontífice por uma paz que seja “desarmada e desarmante” e de rejeitar “a falsa propaganda do rearmamento”.
“É preciso mais vozes de paz, mais vozes contra a loucura da corrida ao rearmamento, mais vozes levantadas em favor de nossos irmãos mais pobres, mais vozes e mais propostas — penso, por exemplo, no mundo das universidades católicas — para novos modelos econômicos inspirados na justiça e no cuidado com os mais fracos, em vez da idolatria do dinheiro”, disse Parolin.
O cardeal descreveu um clima internacional alarmante no qual a ação militar parece se impor com demasiada facilidade. “Fico impressionado com a determinação — estava quase dizendo facilidade — com que a opção militar é apresentada como decisiva, quase inevitável”, afirmou. Segundo o secretário de Estado do Vaticano, essa tendência deixou a diplomacia praticamente “muda”, incapaz de ativar ferramentas alternativas, enquanto a consciência sobre a tragédia da guerra e o valor das regras compartilhadas está se perdendo.
Parolin disse que a raiz do problema é um “multipolarismo inspirado na primazia do poder”, no qual os Estados depositam maior confiança na força do que no direito internacional. Isso, segundo ele, produziu “dois pesos e duas medidas”, visíveis nas reações diferentes aos ataques contra civis na Ucrânia e à destruição em Gaza.
“Muitos governos”, disse Parolin, “expressaram indignação pelos ataques contra civis ucranianos por mísseis e drones russos, impondo sanções aos agressores. Não acredito que o mesmo tenha acontecido com a tragédia da destruição de Gaza”, acrescentou. Para o cardeal, este é um caso de “dois pesos e duas medidas” ligado à “primazia do poder” — o domínio do próprio país sobre os outros — com o direito internacional invocado “apenas quando conveniente” e ignorado em muitos outros casos.
Parolin também lamentou o enfraquecimento da arquitetura diplomática global e disse ser “utópico” pensar que a paz pode ser garantida “pelas armas e por equilíbrios impostos pelos mais fortes, em vez de por acordos internacionais”. “Não podemos nos render à lógica do mais forte”, insistiu o cardeal, porque essa lógica “dobra o direito internacional aos seus próprios interesses” e enfraquece as instituições multilaterais.
Nesse contexto, ele também expressou pesar pelo fato de a Europa não ter conseguido falar com uma só voz. Disse ser necessário “reacender nos povos o sentido de pertencimento europeu e, nas lideranças, a consciência da necessidade de ações comuns sem jamais trair os princípios que estão na fundação da própria União Europeia”. Quanto à Organização das Nações Unidas (ONU), Parolin afirmou que a Santa Sé “continua a acreditar em sua importância”, considerando as organizações internacionais essenciais para conter a lógica do mais forte. Ao mesmo tempo, reconheceu que o uso do veto tem limitado a capacidade de ação da ONU.
Parolin também destacou o papel que os crentes podem desempenhar, incluindo a defesa da vida e da dignidade humana, a proteção da liberdade religiosa, a promoção de reformas no sistema econômico e financeiro alinhadas com a doutrina social da Igreja e o cuidado com a criação. Por fim, o cardeal abordou o impacto cultural das novas tecnologias, afirmando que a hiperconectividade e a disseminação de notícias falsas ajudam a alimentar o medo e a construir novos muros. “Como cristãos, devemos nos opor a essa deriva com nossas vidas diárias”, concluiu.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Vatican urges Catholics not to leave Pope Leo XIV alone in opposing war
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