Uma analise sincera sobre a primeira corrida da ‘nova’ Fórmula 1

Acompanho a Fórmula 1 de 1979

Últimas atualizações em 08/03/2026 – 15:31 Por Redação GNI

Assisti nesta madrugada, dia 8, à abertura oficial da temporada de F1 de 2026. Confesso que estava apreensivo e muito curioso para ver, na prática, como seria a reação dos carros, dos pilotos e das equipes após mudanças tão profundas no regulamento e na própria concepção dos carros, que agora combinam combustão com energia ‘elétrica’.

Eu estava curioso, apreensivo e, de certa forma, contrariado. Não gostei dessas mudanças.

Logo na largada percebemos nitidamente uma alteração no comportamento dos pilotos. Agora existe uma espécie de pré-largada. Ao lado das famosas luzes vermelhas, foi instalado um painel que autoriza os pilotos a acelerarem com muita força por cerca de cinco segundos, com o objetivo de encher o módulo turbo dos carros, antes da largada.

O que havia sido combinado entre FIA, equipes e pilotos era que, após o procedimento de pré-largada de dois a três segundos, as luzes vermelhas se apagariam e seria dada a largada.

O problema é que o painel desligou um segundo antes do esperado, surpreendendo a maioria dos pilotos. Resultado: caos logo na largada.

O exemplo mais claro desse caos foi o ainda jovem Kimi Antonelli, da Mercedes. Ele largou em segundo lugar, logo atrás de seu companheiro de equipe George Russell, e caiu para a sétima posição ainda na largada.

Russell, por sua vez, perdeu a pole para Charles Leclerc, da Ferrari, que reagiu melhor ao novo procedimento de largada. Um início bastante confuso.

Desde as primeiras voltas ficou claro que o controle e a otimização de energia por parte de cada piloto farão enorme diferença nas ultrapassagens. A chamada força extra gerada pela unidade de potência da bateria, funcionando quase como um botão de ultrapassagem, aparentemente deu resultado. A corrida virou uma verdadeira gangorra de posições. Foram muitas ultrapassagens logo na primeira volta e o ritmo seguiu assim durante as 58 voltas disputadas no histórico circuito de Albert Park, na Austrália.

Por outro lado, tivemos diversas quebras mecânicas. No total, seis carros abandonaram a corrida. O caso mais sintomático foi o da poderosa e milionária Aston Martin, que mesmo contando com o gênio da engenharia Adrian Newey, não conseguiu se acertar com o novo regulamento. Em determinado momento, o carro simplesmente ficou sem bateria, ou seja, sem potência. Abandonaram: Fernando Alonso (Aston Martin), Valtteri Bottas (Cadillac), Isack Hadjar (Red Bull), Oscar Piastri (McLaren), Nico Hulkenberg (Audi) e Lance Stroll (Aston Martin).

É possível, e aqui falo com certa cautela, que à medida que pilotos e equipes se acostumem e aprendam a otimizar melhor o uso da energia, a Fórmula 1 passe por uma nova fase. Talvez mais ‘elétrica’ no sentido de velocidade, agilidade e intensidade, com muito mais emoção, ultrapassagens e resultados imprevisíveis.

Max Verstappen, a grande estrela da Fórmula 1 atual, protagonizou um dos momentos mais impressionantes do fim de semana. Após uma violenta batida no Q1, provocada por uma falha na unidade de potência, largou apenas na vigésima posição e ainda assim conseguiu terminar a corrida em sexto lugar na Austrália.

Se essa primeira corrida servir de indicativo, a temporada de 2026 pode marcar o início de uma das eras mais imprevisíveis da história recente da Fórmula 1. Ainda há muita confusão técnica, muitos carros quebrando e equipes tentando entender o novo regulamento. Mas, justamente por isso, talvez estejamos diante de um campeonato em que talento, estratégia e adaptação voltarão a pesar mais do que nunca.

E a transmissão e cobertura da Globo e do Sportv?

Uma merda.

Léo Vilhena

Fórmula 1Manchete

Redação GNI

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