Um criminoso em silêncio no Senado Americano: Anthony Fauci
Últimas atualizações em 03/08/2026 – 12:41 Por Redação GNI
Em 28–29 de julho de 2026, o ex-diretor do NIAID, Anthony Fauci, prestou depoimento perante o Subcomitê de Investigações do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA, presidido pelo senador Rand Paul (R-KY).
O foco declarado da audiência foram as origens da COVID-19, financiamento de pesquisa de “ganho de função” (gain-of-function) e alegações de que Fauci teria mentido ao Congresso e ao público durante a pandemia.
O que aconteceu na audiência
Fauci apareceu sob intimação (subpoena) e, logo em sua declaração inicial, informou que, por orientação de seus advogados, invocaria a Quinta Emenda da Constituição dos EUA (direito de não produzir prova contra si mesmo) e se recusaria a responder às perguntas.
Ao longo de quase três a quatro horas de questionamentos, ele repetiu a mesma fórmula mais de cem vezes: “Sob orientação de meus advogados, recuso-me respeitosamente a responder com base nos meus direitos sob a Quinta Emenda”.
Relatos indicam que Fauci invocou a Quinta Emenda pelo menos 111 vezes, inclusive em perguntas sobre financiamento de pesquisas, possíveis vínculos com a comunidade de inteligência e detalhes sobre laboratórios na China.
O senador Rand Paul conduziu a maior parte dos questionamentos, centrados em: financiamento do NIH/NIAID a pesquisas em Wuhan; definição de “ganho de função”; possibilidade de origem laboratorial do SARS-CoV-2; e inconsistências entre declarações públicas e comunicações privadas.
Principais acusações levantadas pelos republicanos
Durante a audiência, os republicanos, especialmente Rand Paul, apresentaram uma série de alegações contra Fauci. Abaixo, os pontos centrais conforme noticiado:
Financiamento de pesquisas em Wuhan: Paul sustentou que o NIH, sob liderança de Fauci, financiou pesquisas perigosas no Instituto de Virologia de Wuhan, e que Fauci teria mentido ao negar isso em depoimentos anteriores (ex.: audiência de 11/05/2021).
Definição de “ganho de função”: A crítica central foi que Fauci usou uma definição técnica/regulatória estreita para dizer que “não financiou ganho de função”, enquanto, no entendimento comum, os experimentos financiados aumentariam a capacidade de vírus infectarem humanos.
Origem laboratorial vs. mercado: Paul argumentou que elementos da sequência do vírus (como o sítio de clivagem de furina) e experimentos propostos no passado tornam plausível a origem laboratorial, e que as negações categóricas de Fauci seriam indefensáveis.
Comunicações privadas e transparência: Foram citadas mensagens e diários de Fauci (divulgados por Paul) que, segundo os republicanos, mostrariam dúvidas privadas sobre origens e riscos, contrastando com certezas públicas.
Destruição de registros e instruções para deletar e-mails: Paul levantou questões sobre a possível destruição de registros federais, citando instruções como “delete este e-mail após ler” em troca de mensagens com Francis Collins.
Perdão de Biden: Paul mencionou um perdão (pardon) que alega ter sido concedido por Joe Biden a Fauci, afirmando que o perdão não “reescreve a história” nem impede o Congresso de apurar os fatos.
A posição de Fauci e dos democratas
Fauci: Em sua declaração inicial, Fauci disse que já testificou “múltiplas vezes” sob juramento sobre esses temas e afirmou que a única conclusão razoável é que a audiência tinha como objetivo obter algo que pudesse ser usado para processá-lo criminalmente. Por isso, invocou a Quinta Emenda.
Democratas: O senador Gary Peters (MI), entre outros, criticou o formato da investigação, chamando-a de parcial, focada em um único indivíduo e distante de questões de segurança sanitária do presente (ex.: preparação para futuras pandemias, cortes em agências de saúde).
O que foi (e o que não foi) provado ali
Não houve admissões ou confissões: Como Fauci não respondeu às perguntas, a audiência não produziu novas admissões diretas dele sobre financiamento, mentiras ou origens do vírus.
Alegações continuam em disputa: As acusações de que Fauci mentiu ao Congresso ou ocultou informações permanecem como alegações políticas e objeto de investigação; não há, nos relatos disponíveis, uma conclusão judicial ou finding do Senado confirmando crime nesse depoimento específico.
Contexto de investigações em curso: O depoimento ocorre num ambiente de investigações prévias e concomitantes sobre origens da COVID-19 e sobre financiamento de pesquisas de risco, com diferentes agências e comités chegando a conclusões variadas ao longo dos anos.
Resumo
Fauci foi ao Senado em julho de 2026, mas não prestou depoimento substantivo: ele se manteve em silêncio, invocando a Quinta Emenda repetidamente.
Os republicanos, liderados por Rand Paul, acusaram Fauci de mentir sobre financiamento de pesquisas em Wuhan e sobre riscos de “ganho de função”, apresentando diários, mensagens e trechos de audiências anteriores como base.
Fauci e aliados democratas rejeitaram a narrativa de “mentiras”, argumentando que ele já testified sob juramento várias vezes e que a audiência seria uma perseguição política.
Até o momento, não há evidência pública, derivada desse depoimento específico, de que Fauci tenha confessado ou sido formalmente condenado por mentir sobre a pandemia; o que houve foi um confronto político com alegações de um lado e recusa de responder do outro.
Léo Vilhena

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