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Regime chavista prioriza repressão após tragédia, diz ONG

Últimas atualizações em 01/07/2026 – 22:25 Por AFP


A ONG de direitos humanos Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) denunciou nesta quarta-feira (1º) que o regime chavista está priorizando o controle militar e policial das áreas atingidas pelos terremotos na Venezuela, em vez de concentrar esforços no socorro direto às vítimas da tragédia. Segundo a entidade, a constatação foi feita após uma segunda visita feita por membros da ONG ao estado de La Guaira, uma das regiões mais devastadas pelos tremores de 24 de junho.

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De acordo com o Provea, a presença de atores internacionais, agências das Nações Unidas, organizações humanitárias e voluntários da sociedade civil tem sido essencial para levar apoio aos atingidos. A ONG afirmou que esses grupos têm atuado como uma ponte entre as doações feitas pela população em centros de arrecadação e as famílias afetadas pela tragédia.

A entidade, porém, disse não ter identificado uma ação do regime chavista equivalente para garantir serviços básicos à população.

“Não observamos nenhum esforço ou iniciativa estatal para prover aos cidadãos serviços essenciais como alimentação ou água potável”, afirmou o Provea, em publicação no X. Segundo a organização, a atuação das autoridades chavistas “parece estar priorizando o controle militar do território” em vez da população atingida pela tragédia.

A denúncia foi feita uma semana depois dos dois terremotos que atingiram o norte da Venezuela e provocaram destruição em várias localidades, especialmente em La Guaira. Segundo balanço oficial divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional chavista, Jorge Rodríguez, nesta quarta, a tragédia já deixou ao menos 2.295 mortos, 11.267 feridos e 12.841 desabrigados.

Segundo Rodríguez, as equipes de emergência continuam trabalhando entre os escombros nas áreas mais afetadas. O regime chavista também informou que mais de 17 mil pacientes foram atendidos desde o início da emergência, em hospitais, centros de triagem e postos sanitários instalados nas zonas atingidas.

A Provea, no entanto, afirmou que o amplo envio pelo regime chavista de forças de segurança civis e militares para a região pode atrapalhar as operações de socorro, caso não haja coordenação adequada com os organismos humanitários. Segundo a ONG, há sobreposição de funções entre diferentes corpos de segurança no terreno, o que tem prejudicado até a circulação de ambulâncias, profissionais de saúde e equipes de resgate.

A organização também mencionou a presença de agentes do serviço de inteligência chavista na zona de desastre. De acordo com a Provea, esses agentes não têm competência legal direta em gestão de riscos e controle de ordem pública nesse tipo de emergência, e sua atuação pode dificultar ainda mais o manejo da crise. A ONG alertou ainda para o risco de abusos contra os direitos humanos.

A crítica da entidade se soma a relatos anteriores de moradores e jornalistas sobre abandono, dificuldade nos resgates e tensão com militares em La Guaira. Após essas denúncias, o regime venezuelano suspendeu por 48 horas o traslado de jornalistas em ônibus para a região mais destruída pelos terremotos. A medida foi informada à agência EFE por uma fonte próxima ao Ministério da Comunicação, que alegou “recomendação sanitária” e disse que as horas seguintes seriam decisivas para localizar sobreviventes.

A suspensão foi criticada pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela. Em publicação no X, a entidade afirmou que impedir a cobertura em campo “não resolve a emergência” e defendeu que o país precisa de informação verificada e oportuna, especialmente para as famílias das vítimas.

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