Presidente do Paraguai anuncia ressarcimento de clientes de banco e indica novo chefe para o BC

Últimas atualizações em 04/11/2026 – 15:32 Por G1 Mundo

Paraguai vive onda de protestos em meio a crise bancária

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quarta-feira (4) medidas para ressarcir os clientes afetados pela dissolução do banco digital Ueno. O governo também indicou um novo presidente para o Banco Central, após a renúncia de Carlos Carvallo, na terça-feira (3).

Em uma publicação no X, Peña afirmou que pretende iniciar os pagamentos ainda nesta semana, mediante a aprovação de uma lei pelo Congresso.

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Segundo o jornal paraguaio La Nación, oito diretores do Ueno Bank foram presos durante a intervenção e dissolução da instituição financeira.

Eles foram levados para prestar depoimento ao Ministério Público, que investiga suspeitas de fraude, quebra de confiança e práticas que podem ter contribuído para a falência do banco. A crise envolvendo a instituição provocou uma onda de protestos e aumentou a pressão sobre o governo paraguaio.

  • Entenda a crise que colocou banco sob suspeita e levou à renúncia do presidente do BC

Clientes do Ueno Bank protestam em Assunção, no Paraguai, após a intervenção do Banco Central paraguaio na instituição financeira. — Foto: Daniel Duarte/AFP

"Entendo a incerteza que uma situação como essa provoca e, acima de tudo, sei que por trás de cada poupança estão o esforço e o trabalho de milhares de paraguaios", declarou.

Segundo Peña, o governo já iniciou as articulações com os presidentes das duas Casas do Congresso para acelerar a aprovação da proposta que permitirá a devolução dos recursos.

"Com a aprovação dessa lei, adotaremos uma medida concreta e eficaz para atender 98% dos poupadores da instituição afetada, com o início dos pagamentos ainda nesta semana", afirmou.

O presidente pediu aos parlamentares que aprovem a proposta o mais rápido possível e destacou que a prioridade do governo é oferecer respostas concretas aos clientes prejudicados.

Novo presidente do Banco Central

Peña também encaminhou o pedido de aprovação constitucional para a nomeação do eocnomista Raúl Vera Bogado como novo presidente do Banco Central do Paraguai.

O governo indicou ainda Pedro Acosta e Hetzel González para ocupar duas diretorias da autoridade monetária. A nomeação ainda depende de aprovação pelo Senado do Paraguai.

Segundo o presidente, os três têm "ampla experiência" no setor bancário, incluindo anos de atuação no Banco Central e experiência na gestão de crises.

As indicações ocorrem após a renúncia de Carlos Carvallo, anunciada na terça-feira, em meio às críticas à fiscalização do Ueno.

Carvallo havia comandado o próprio banco até agosto de 2023. Parlamentares questionavam a atuação do Banco Central na supervisão da instituição financeira.

Peña tenta tranquilizar clientes afetados

Em sua manifestação, Peña afirmou que o sistema financeiro paraguaio é sólido e conta com mecanismos de proteção aos clientes.

"Quero transmitir tranquilidade aos nossos cidadãos. O sistema financeiro é sólido e conta com instituições e mecanismos de proteção", declarou.

O presidente também afirmou que eventuais responsáveis por irregularidades serão responsabilizados judicialmente.

"Tenham a certeza de que aqueles que forem considerados responsáveis por irregularidades deverão responder por seus atos perante a Justiça, sem exceções", disse.

Peña pediu ainda que os setores políticos deixem suas divergências de lado e priorizem os interesses dos poupadores afetados.

Entenda a crise do Ueno Bank

O Ueno, maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações. Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência da instituição, que mede sua capacidade de pagamento, caiu para menos da metade do mínimo exigido.

Diante da situação, o Banco Central iniciou um procedimento para proteger os depositantes e reduzir possíveis impactos sobre o sistema financeiro.

O Ministério Público também pediu a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco.

A crise levou clientes a procurar agências da instituição na terça-feira (3), mas muitos encontraram as portas fechadas. Entre os afetados estão aposentados que recebem benefícios do governo por meio do Ueno.

Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai.

O caso também aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña, que foi sócio do grupo controlador do Ueno até março de 2025.

Vista aérea mostra a sede do Ueno Bank, em Assunção, no Paraguai. — Foto: Reuters

Fonte: G1 Mundo

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