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Por que a relação com os EUA ainda é fundamental para a Europa

Últimas atualizações em 26/01/2026 – 21:27 Por AFP


A escalada de tensões entre a Europa e EUA após as novas investidas de Donald Trump na Groenlândia sinaliza que a parceria de décadas parece estar cada vez mais perto de uma ruptura.

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Apesar da troca de ameaças tarifárias, que colocaria as partes novamente próximas de uma guerra comercial, os países europeus buscaram a todo o custo manter o caminho do diálogo com os americanos, mesmo diante de uma crescente desconfiança com o antigo aliado.

Isso ocorre devido à relação umbilical da Europa com os EUA. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, reiterou nesta segunda-feira (26) essa dependência ao dizer que a defesa do continente é assegurada por causa de Washington.

De fato, o poderio militar e econômico americano é uma moeda de troca valiosa na Europa. Apesar da corrida dos países europeus para se armarem sozinhos, os EUA ainda fornecem quase 70% do total de investimentos em defesa no continente. Ainda, entre 2020 e 2024, alguns aliados mais que dobraram suas importações bélicas do país, ou seja, aumentaram essa dependência.

Richard Aboulafia, diretor-geral da consultoria AeroDynamic Advisory e especialista em defesa, explicou à rede de televisão francesa France 24 que a necessidade da Europa vai muito além da aquisição de equipamentos, mas envolve principalmente o fornecimento de inteligência militar.

A França, um dos países que mais se opôs à pressão de Trump nos últimos dias, por exemplo, não é uma grande compradora de equipamentos americanos, mas ainda depende do sistema ISR dos EUA (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento).

Essa aliança continua sendo fundamental, especialmente num momento marcado pelo reaparecimento da Rússia no diálogo internacional. Desde que retornou à Casa Branca, há um ano, Trump tem inserido o ditador Vladimir Putin nas negociações de paz da Ucrânia, enquanto os europeus têm buscado formas de isolar cada vez mais Moscou do sistema financeiro global e da diplomacia.

Por outro lado, o atual governo republicano parece menos interessado em manter a relação de décadas estável, uma vez que voltou o seu foco para o seu próprio quintal, as Américas. Trump já demonstrou isso ao dizer em diferentes ocasiões que a Europa é um continente à beira do declínio civilizacional, que precisa remodelar suas políticas migratórias e sociais imediatamente.

Nova investida de Trump coloca a Europa em uma encruzilhada

O novo passo dado por Trump para controlar a Groenlândia inaugura um novo desafio para a Europa, além do existente de continuar apoiando a Ucrânia em meio às ambições imperialistas da Rússia – algo que será extremamente difícil de sustentar sem um apoio substancial dos EUA.

Ao mesmo tempo, os países do continente precisarão avaliar alternativas para manter a Otan firme com a proposta de defender os territórios aliados. Nos próximos meses, o três frentes de debate devem guiar o diálogo dentro da aliança: como devem prosseguir os esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia, qual o papel que os EUA pretendem desempenhar militarmente na Europa no futuro e como lidar com os planos de Trump para a Groenlândia.

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