Por que a Otan não quer entrar na guerra dos EUA contra o Irã

Últimas atualizações em 20/03/2026 – 15:26 Por AFP


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta sexta-feira (20) a recusa de aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em apoiar a operação militar contra o Irã. Os países-membros têm evitado envolvimento militar, alegando que o conflito não ativa os mecanismos de defesa da aliança. No entanto, estão sendo cada vez mais pressionados a agir.

“Sem os EUA, a Otan é um tigre de papel”, escreveu o republicano em sua rede social. Para Trump, os países da organização, além de não quererem entrar na luta para “impedir um Irã com capacidade nuclear”, não querem ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, principal rota do petróleo no Oriente Médio, bloqueado pelo Irã desde os primeiros dias da guerra.

O presidente americano ainda disse que a manobra militar para reabertura do estreito seria simples e que resolveria a disparada do preço do petróleo – desencadeada pela guerra na região. “É tão fácil para eles fazer isso, com tão pouco risco. COVARDES, e nós VAMOS LEMBRAR!”, afirmou.

Na terça-feira (17), Trump já havia reclamado da postura da Otan, depois que os membros europeus da organização rejeitaram integrar uma coalizão de Trump para impedir o Irã de bloquear o Estreito de Ormuz. Governos como os da Alemanha, França e Reino Unido disseram que não pretendem participar com força militar ofensiva na guerra no Oriente Médio.

Apesar da recusa em aderir à guerra, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta quarta-feira (18) que os países da aliança estão discutindo neste momento “a melhor maneira” de reabrir o Estreito de Ormuz. Segundo ele, há consenso entre os membros da aliança de que a rota precisa ser restabelecida, e os aliados trabalham “coletivamente” para encontrar uma solução.

Em comunicado conjunto divulgado nesta quinta-feira (19), os governos de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Canadá – que integram a Otan – e o Japão, parceiro estratégico da aliança e aliado próximo dos EUA, condenaram “nos termos mais firmes” os ataques do Irã contra embarcações comerciais no Golfo e o “fechamento de fato” do Estreito de Ormuz por forças do regime islâmico.

Os governos declararam estar “prontos para contribuir com esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo Estreito”, contudo, o comunicado não esclarece se essa contribuição envolveria presença militar. Também não foi anunciada qualquer ação ofensiva direta nem compromisso formal de envio de forças para o Ormuz.

Para Adriano Gianturco, coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec de Belo Horizonte e colunista da Gazeta do Povo, os principais membros da Otan, especialmente os países europeus, não consideram que a guerra contra o Irã se enquadre, neste momento, como um caso de defesa coletiva. Por isso, não veem base jurídica para acionar formalmente a aliança. Por ser uma aliança de natureza defensiva, a Otan só é formalmente acionada quando há ataque direto contra um de seus integrantes.

O analista ressalta que, para além disso, há um cálculo estratégico em curso dentro da Otan. Para os europeus, uma entrada direta na guerra poderia ampliar riscos e custos políticos, militares e econômicos. “Os países estão avaliando que seria mais arriscado, menos vantajoso em termos de custo-benefício, uma eventual intervenção do que a não intervenção”, afirmou.

Uma sinalização de que não entrariam no conflito foi observada após o Chipre, país da União Europeia, ter sido alvo de incursões de drones iranianos. Dias depois, a Turquia, país-membro da Otan, também teve seu espaço aéreo violado no contexto da escalada regional, mas, ainda assim, os integrantes da aliança optaram por não transformar o episódio em justificativa para uma entrada coletiva na guerra.

O estrategista internacional Cezar Roedel afirma que os aliados europeus da Otan evitam entrar no conflito no Estreito de Ormuz porque avaliam que uma intervenção pode se transformar em uma guerra marítima longa, difícil de controlar e de alto custo econômico e militar. Segundo Roedel, também pesa na decisão dos aliados europeus o fato de o presidente Trump não ter consultado previamente os membros da Otan sobre a ofensiva contra o Irã.

Otan já foi acionada pelos EUA em conflitos anteriores

Embora hoje parte dos aliados europeus da Otan resista a entrar na guerra contra o Irã, eles já foram mobilizados em defesa direta dos Estados Unidos em um episódio histórico.

Após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando aviões sequestrados atingiram as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono, em Washington, a Otan acionou pela primeira vez em sua história o Artigo 5 do tratado – a cláusula de defesa coletiva que estabelece que um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos.

A decisão foi tomada momentos após os atentados. Com isso, os aliados reconheceram oficialmente que os Estados Unidos haviam sido alvo de agressão externa e se comprometeram a atuar em conjunto.

A medida abriu caminho para a participação da Otan na guerra do Afeganistão, marcando também a primeira operação militar da aliança fora da área tradicional euro-atlântica. Países europeus e o Canadá enviaram tropas para apoiar a ofensiva contra a Al-Qaeda e o regime do Talibã.

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