O estranho caso de Joice Hasselmann: ‘Muitas perguntas sem respostas’

Em tempos onde a moda é processar qualquer jornalista que discorde ou revele algo que não deveria ter sido revelado, discordado ou questionado, sob esse ângulo, eu ‘corro o risco’ da nobre e respeitada deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), de quem eu era fã desde os tempos de Jovem Pan, acionar a sua intrépida trupe de advogados (ela tem muitos à seu serviço) e me processar por calúnia, difamação, ofensa à honra, à moral ou escambau, porque certamente ela vai discordar desse meu texto…

Vai discordar e não vai responder.

E por que eu abro esse artigo de OPINIÃO falando dessa forma?

Porque na verdade as agressões misteriosas é O Estranho caso de Joice Hasselmann; ‘Muitas perguntas sem respostas”.

Eu vou correr o risco, calculado, de tocar em certos aspectos obscuros desse estranhíssimo caso de abrangência pública, em nome de uma liberdade de imprensa e de expressão, que a própria JORNALISTA (em negrito e em caixa alta proposital) sempre defendeu.

É isso mesmo caro(a) leitor(a): Se você não sabia dessa informação, a Deputada Joice Hasselmann, de 43 anos, casada e em pleno mandato parlamentar, é minha colega de profissão. Ela é uma jornalista, radialista, escritora e comentarista. E sempre foi uma das melhores jornalistas desse Brasil…


E umas das ‘´máximas’ do jornalismo é:

E ela sabe muito bem disso.

Então, baseado na liberdade de expressão, baseado na certeza de que eu sou um jornalista profissional, com DRT, MTB, Registro Nacional, Registro Internacional, em dia com as minhas obrigações da profissão e blá blá blá… Vamos começar a analisar e opinar.

Recado a Joice:

“Depois de ler esse meu artigo de OPINIÃO, não me processe nobre colega!”, é um pedido de quem não tem como pagar processos…

Então, vamos lá!


O Estranho caso de Joice Hasselmann; ‘Muitas perguntas sem respostas”

A própria deputada revelou que foi brutalmente agredida na quinta-feira (anteriormente teria sido dito que foi no Sábado), ela teria sido agredida na Quinta, no dia 18 de julho (essa informação consta em seu depoimento à Polícia Civil), dentro de seu apartamento funcional, PORÉM (em negrito e em caixa alta proposital, de novo), o Departamento de Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados concluiu que, Joice não saiu de seu apartamento funcional entre os dias 15 à 20

PERGUNTA SEM RESPOSTA NÚMERO 1 | Como alguém toma uma surra, quebra os dentes, quebra 5 ossos da face, tem uma contusão na coluna, diversos hematomas pelo corpo, inchaço na cabeça e fica do dia 18 à 20 dentro de casa e não procura IMEDIATAMENTE auxílio médico em um hospital intensivista? Por que só procurou socorro médico no dia 20, 48 horas depois da surra?

O ‘normal’ não seria procurar socorro médico no mesmo dia, diante das graves lesões?


PERGUNTA SEM RESPOSTA NÚMERO 2 | O Departamento de Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados concluiu que ninguém entrou no prédio onde mora a Deputada, entre os dias 15 e 20, ou seja, ninguém estranho teve acesso ao interior do prédio, ou seja, se alguém de fato agrediu a deputada, esse ‘alguém’ mora e ainda está por lá!

E para acrescentar um grau de suspeição ainda maior, nesse prédio moram muitos parlamentares, ou seja, um local bem guardado e bem vigiado e ninguém viu, ouviu ou soube de nada?

Pior: Ninguém ouviu nada?


PERGUNTA SEM RESPOSTA NÚMERO 3 | A própria deputada do PSL, em entrevista coletiva convocada por ela, alegou que o seu marido, o famoso e respeitado médico neurocirurgião Daniel França, dormia em outro quarto por que ele teria problemas para dormir com o RONCO da deputada… Ele acordaria com muita facilidade…

Não dê risadas, essa história de ronco foi contada por ela…

“Mas, foi aí que a minha cabeça deu um nó!”

Até um bebê sabe muito bem que de noite (de madrugada) os sons ganham intensidade e proporção, e a surra que a deputada levou deve ter gerado INUMEROS sons das agressões que não são de baixo volume, potencializados por ser de madrugada e mesmo assim o Dr Daniel França não acordou e nem ouviu nada?

Alguém poderá ponderar e alegar: “Ah, mas ele estava em outro quarto!

Eu rebateria em igual tom: “Ah, mas eles estavam debaixo do mesmo teto. E mesmo assim, ele não ouviu nada? Gente do céu, ele não estava na Groelândia!

SE ele acorda fácil com um ronco, como ele não acordou com uma sucessão de porradas? Na sua mulher?

Sei…


PERGUNTA SEM RESPOSTA NÚMERO 4 | Em entrevista à TV Band, na entrada da delegacia onde foi prestar depoimento, a deputada disse que APÓS, por favor repare no APÓS, ela disse que APÓS a entrevista coletiva em sua casa, APÓS os jornalistas terem ido embora, APÓS isso ela teria encontrado uma prova de que um invasor esteve em seu apartamento e teria entregue essa prova às autoridades… Ela até riu: “Quase que vocês acharam” disse referindo-se aos jornalistas!”

Até aí tudo “normal”.

APÓS (como eu escrevi ‘após’) o depoimento à polícia, na saída da delegacia, caminhando com dificuldade e amparada por assessores, a deputada, em ato falho, disse exatamente o seguinte, abre aspas:

“Eu achei a prova quando estava preparando a minha casa para receber os jornalistas”

Mas ao ser confrontada com a alegação anterior, Joice gaguejou, estremeceu e ‘corrigiu a informação’.

Achou a prova APÓS

Afinal: Foi antes ou depois que ela achou a SUPOSTA prova? Por que, antes ou depois, não mostrou a PROVA para os  seus colegas Profissionais de imprensa?

Ela sabe como funciona o Jornalismo. Ela é Jornalista.


PERGUNTA SEM RESPOSTA NÚMERO 5 | Saiu a informação na imprensa que a Polícia Civil pediu um exame toxicológico na Deputada Joice Hasselmann e ela, usando a sua imunidade parlamentar, não fez, não aceitou e não vai fazer o exame… Ela negou veementemente!

As perguntas que nascem numa hora dessas são:

Por que não fez? O que ela teria a esconder?
Se não usou e não usa drogas, por que se negou a fazer?

Só eu que lembrei da frase: “Quem não deve, não teme?


CONCLUSÃO

Eu vou me abster e não vou dar as minhas conclusões e opiniões, PORÉM, vou printar e deixar aqui o resultado da enquete que eu fiz no Twitter dos Profissionais de Imprensa e você entenderá o que a sociedade brasileira pensa a respeito do Estranho caso de Joice Hasselmann; ‘Muitas perguntas sem respostas”:


E antes de chegarem os processos, deixa eu te lembrar, minha nobre colega Joice Hasselmann:

O Artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos, do qual o Brasil é signatário diz que:

“Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias para quaisquer meios e independente de fronteiras”

E para concluir:

Constituição brasileira de 1988
  • Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
    • V – o pluralismo político.
  • Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, liberdade, igualdade, segurança e a propriedade, nos termos seguintes:
    • IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
    • VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
    • IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença
  • Art. 220 A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
    • § 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

Mas tudo isso a nobre colega JORNALISTA, Joice Hasselmann, já sabe. E eu, um jornalista anônimo, apenas dei a minha OPINIÃO.


Léo Vilhena | Jornalista
Rede GNI