No Chile, três ministros do Supremo foram afastados em um ano
Últimas atualizações em 15/09/2026 – 10:05 Por AFP
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para discutir a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes pelas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A crise na Suprema Corte brasileira teve um precedente nos últimos anos em um país vizinho: o Chile, onde três ministros da instância final do Judiciário foram afastados em pouco mais de um ano, entre outubro de 2024 e dezembro do ano passado.
Ángela Vivanco este envolvida no chamado Caso Hermosilla, quando foi revelado há dois anos que ela manteve conversas privadas, nas quais trocava informações confidenciais, com o advogado Luis Hermosilla, acusado de suborno e lavagem de dinheiro.
Em 10 de outubro de 2024, a Suprema Corte do Chile a destituiu por unanimidade – foi a primeira vez que um juiz do tribunal foi afastado desde 2001. Seis dias depois, o Senado chileno aprovou uma acusação constitucional contra Vivanco por abandono de deveres, o que a inabilitou para exercer cargos públicos por cinco anos.
Em janeiro deste ano, a ex-ministra da Suprema Corte foi presa por acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Vivanco depois foi transferida para prisão domiciliar.
No mesmo dia de 2024 em que o Senado aprovou as medidas contra a juíza, a casa também destituiu outro ministro da Suprema Corte chilena, Sergio Manuel Muñoz.
Ele havia sido acusado de usar informações privilegiadas em benefício da sua filha, uma juíza de garantias, para a compra de um apartamento vinculado a um projeto imobiliário em litígio, e por ter omitido a informação de que ela trabalhou na Itália durante a pandemia de Covid-19, apesar de ter declarado que morava com o pai.
Em dezembro do ano passado, foi a vez do ministro Diego Simpertigue ser destituído pelo Senado, acusado de improbidade e parcialidade em um escândalo relativo a um pagamento da estatal de mineração Codelco a um consórcio formado pela estatal bielorrussa Belaz e pela construtora chilena Movitec. Foi por este caso que Vivanco foi presa este ano.
Simpertigue também havia sido denunciado por fazer viagens em cruzeiros de luxo no Mar Mediterrâneo na companhia de advogados que representavam uma empresa chilena de desenvolvimento imobiliário, beneficiada por decisões do juiz.
No ano passado, dois juízes do Tribunal de Apelações de Santiago, Verónica Sabaj e Antonio Ulloa, também foram destituídos dos seus cargos e na semana passada a Suprema Corte removeu 11 juízes de instâncias inferiores investigados por viajar ao exterior enquanto estavam de licença médica.
Esses escândalos aumentaram a cobrança da sociedade chilena por uma ampla reforma no Poder Judiciário, prometida há anos, mas nunca implementada.
“Vejo uma certa passividade de todos os governos até agora, no sentido de não dar andamento rápido a esse tipo de reforma, que se faz necessária com muita urgência”, afirmou a advogada e ex-integrante do Conselho de Defesa do Estado, María Inés Horvitz, em entrevista à rádio da Universidade do Chile. “Não podemos continuar descobrindo mais escândalos dentro do Poder Judiciário sem que se resolva um problema institucional”.
Mundo
Sob a licença da Creative Commons (CC) Feed
Redes Sociais:
Canal no Telegram: https://t.me/GrupodeNoticiasInternacionais
https://www.facebook.com/www.redegni.com.br/
https://www.instagram.com/redegnioficial/
https://gettr.com/user/redegni
https://x.com/redegni
