Na véspera dos 20 anos dos ataques aos EUA, George W. Bush diz como recebeu a notícia

Os ataques do dia 11 de setembro de 2001 foram muito marcantes e, por isso, é comum que as pessoas se lembrem minuciosamente de como receberam a notícia dos ataques.

Para as pessoas públicas ou profissionais de imprensa não foi diferente: aqueles momentos foram de grande comoção e, por isso, são marcantes.

Veja abaixo como os políticos George W. Bush e Fernando Henrique Cardoso, o diplomata Celso Lafer, os jornalistas Jorge Pontual e Sandra Cohen, e a atriz Luiza Brunet (que estava em Nova York) souberam dos ataques.

George W. Bush, então presidente dos EUA

George W. Bush era o presidente dos EUA em setembro de 2001. Ele havia visitado uma escola na Flórida para conversar com crianças de 8 anos. Bush tinha preparado um discurso sobre evasão escolar.

Antes de o presidente entrar na sala, a encarregada de segurança da Casa Branca afirmou que um avião havia colidido com uma das torres do World Trade Center. No entanto, ainda se pensava que era um avião pequeno, poderia ser apenas um acidente.

O presidente foi ler um livro com as crianças. Pouco depois, o segundo avião atingiu a outra torre.

O chefe de gabinete, Andrew Card, entrou na sala. “Card chega e diz que o segundo avião bateu na segunda torre. A América está sendo atacada. E eu estou olhando uma criança lendo. Aí vejo a imprensa no fundo da sala começando a receber a mesma mensagem que eu tinha acabado de receber. E eu conseguia ver o horror na cara dos jornalistas que acabavam de receber a mesma notícia. Numa crise, é muito importante adotar um certo tom e não ficar em pânico. Por isso estava esperando o momento apropriado para deixar a sala. Não queria fazer nada dramático. Não queria saltar da cadeira e assustar a turma de crianças. Por isso fiquei esperando”, conta Bush no documentário “Inside the President’s War Room”, lançado este ano.

A comitiva voltou ao aeroporto e entrou no avião presidencial. A decisão foi não voltar a Washington DC naquele momento —a Casa Branca poderia ser um alvo. O avião foi primeiro para uma base no estado da Louisiana. De lá, foi para uma outra base no Nebraska, onde havia uma reunião por videochamada. Finalmente, a comitiva voltou a Washigton DC. No voo, era possível ver a fumaça que saía do prédio do Pentágono, a sede das Forças Armadas dos EUA. Na noite daquele dia, ele fez um discurso da Casa Branca no qual deixou claro que o país iria responder.

Fernando Henrique Cardoso, então presidente do Brasil

Fernando Henrique Cardoso era o presidente do Brasil em 2001. Ele relatou, em 2011, como foi aquele dia, num vídeo para um canal de Youtube dedicado a divulgar seu trabalho.

“Estava no Palácio do Alvorada. Pela manhã, recebi uma comissão vinda da FGV do Rio, os diretores da Fundação. Quando, de repente, toca o telefone, era a minha assessora de imprensa [e disse]: ‘Olha, estão bombardeando as torres nos EUA’. Eu liguei a televisão e vi, pude ver o segundo avião [atingindo a torre]. Foi uma sensação terrível, [pensei] ‘o que será que está acontecendo?’. Dei declarações em seguida [eu disse] ‘pode ser o começo de uma Terceira Guerra’, porque não se sabia do que se tratava. De fato, não foi uma Terceira Guerra, no sentido clássico, mas foi uma guerra ao terror, os americanos logo lançaram esse termo.”

Felipe Gutierrez, G1