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Motta acelera acordo Mercosul-UE em meio a tarifas dos EUA

Últimas atualizações em 21/02/2026 – 16:02 Por Gazeta do Povo | Feed


O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a Casa vai priorizar na próxima semana a votação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), para criar a maior área de livre comércio do mundo, em resposta ao cenário de incertezas gerado pela possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

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Em publicação nas redes sociais neste sábado (21), Motta afirmou que, diante das dúvidas sobre a política comercial americana, o Brasil precisa buscar previsibilidade nas relações econômicas internacionais. Segundo ele, a estratégia passa por avançar na ratificação do tratado com os europeus, negociado ao longo de 26 anos.

O parlamentar também informou que designou como relator o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, que participou das etapas de construção do acordo, além de ser o presidente de seu partido.

A movimentação da Câmara ocorre em meio à crescente apreensão no governo e no setor produtivo com a possibilidade de um novo ciclo de medidas protecionistas dos EUA — o chamado “tarifaço”. A eventual elevação de tarifas sobre importações pode afetar cadeias globais e pressionar exportadores brasileiros, sobretudo em setores como aço, alumínio, agronegócio e manufaturados.

Analistas avaliam que, diante desse ambiente mais hostil ao comércio internacional, acordos bilaterais ou regionais ganham importância estratégica como forma de diversificar mercados e reduzir riscos.

Considerado um dos maiores tratados comerciais do mundo, o acordo Mercosul-UE prevê redução tarifária gradual, ampliação de acesso a mercados e regras comuns em áreas como compras governamentais e propriedade intelectual.

Para o Brasil, a entrada em vigor pode abrir oportunidades relevantes para exportações industriais e agropecuárias, além de atrair investimentos, embora o texto ainda enfrente resistências políticas e ambientais de países europeus, particularmente da França.

Ao priorizar a votação, Motta envia um sinal de alinhamento do Legislativo com a agenda do governo de inserção internacional do país e de resposta institucional às turbulências do comércio global. A escolha de Pereira como relator também indica a busca por um nome com experiência na área e trânsito político para conduzir a tramitação de um tema sensível e historicamente complexo.

Se avançar na Câmara, o acordo ainda precisará consolidar etapas de ratificação e ajustes regulatórios, além de acompanhar o desfecho das negociações complementares entre os blocos.

Enquanto isso, o debate sobre o possível endurecimento comercial dos EUA tende a permanecer no radar de Brasília, influenciando decisões estratégicas sobre política externa e comércio exterior. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, dos EUA, deverão se reunir em Washington no próximo mês.

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