Ministro do Interior do Paraguai renuncia e volta ao Senado para julgar impeachment de Peña, diz imprensa paraguaia
Últimas atualizações em 06/11/2026 – 02:02 Por G1 Mundo
Santiago Peña e Enrique Riera durante cerimônia em Assunção, em dezembro de 2025. — Foto: Daniel Duarte/AFP
O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política que ameaça o mandato do presidente Santiago Peña. Com a saída do governo, Riera voltará a ocupar uma cadeira no Senado, que retoma nesta sexta-feira (6) o julgamento do processo de impeachment contra o presidente. A informação foi divulgada pela imprensa paraguaia.
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Segundo o jornal ABC Color, que teve acesso ao decreto que oficializa a mudança, Peña aceitou a renúncia de Riera e nomeou Carlos Humberto Benítez González como ministro do Interior interino.
Benítez continuará também exercendo as funções de vice-ministro de Segurança Interna, segundo o documento.
A renúncia ganha peso por causa do momento político no Paraguai. Riera era senador antes de assumir o Ministério do Interior e agora retorna ao Congresso justamente quando o Senado analisa se Peña deve ser afastado definitivamente da Presidência.
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Segundo o ABC Color, a saída do ministro faz parte de uma estratégia para que ele reassuma imediatamente sua cadeira no Senado e participe do julgamento político de Peña.
Com a volta de Riera, Ramón Catalino Retamozo Delgado, que ocupava a cadeira como suplente desde que o então senador passou a integrar o governo, deixa a vaga.
Horas antes de ter a própria renúncia confirmada, Riera também foi responsável por levar pessoalmente ao Congresso a carta em que Peña comunicava a intenção de deixar a Presidência, segundo o ABC Color.
A tentativa do presidente de renunciar, no entanto, não encerrou a crise. O Congresso não aceitou o pedido, e Peña permaneceu no cargo enquanto o processo de impeachment avançava.
Crise começou com quebra de banco
Agência do Ueno Bank fechada em Pedro Juan Caballero. — Foto: Nádia Nicolau/TV Morena
O Paraguai enfrenta uma profunda crise política após a quebra do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos.
Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação do banco após identificar insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição. O problema estava relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.
O Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña, que é economista, foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025.
A crise bancária chegou ao Congresso na quinta-feira. Deputados da oposição apresentaram pedidos de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. Entre as acusações contra o presidente estão possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. A oposição também acusou o Banco Central de encobrir irregularidades.
Policiais em frente ao Congresso do Paraguai durante o andamento da sessão extraordinária que começou a julgar o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña — Foto: Daniel Duarte/AFP
A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo contra Peña. O pedido contra Alliana foi rejeitado.
Horas depois, Peña anunciou que pretendia renunciar. Em um vídeo publicado nas redes sociais, pediu desculpas aos clientes prejudicados pelo colapso do banco e afirmou que havia tomado a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.
A renúncia precisava ser aprovada pelo Congresso. Durante a sessão, porém, parlamentares do Partido Colorado, de Peña, deixaram o plenário depois de perceberem que não havia votos suficientes para aceitar a saída do presidente. Sem quórum, a sessão foi suspensa e a renúncia não foi confirmada.
O Senado iniciou então o julgamento do impeachment na noite de quinta-feira.
Peña deverá comparecer ao Senado nesta sexta-feira, a partir das 10h, para apresentar sua defesa. Depois disso, os senadores devem dar continuidade ao julgamento que poderá determinar a saída definitiva do presidente do cargo.
Fonte: G1 Mundo
