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Master e JBS pagaram consultoria envolvida com filho de Nunes Marques

Últimas atualizações em 20/03/2026 – 13:48 Por Gazeta do Povo | Feed

Uma nova apuração com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que o Banco Master e a JBS transferiram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que, posteriormente, realizou pagamentos ao escritório de advocacia do filho do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), Kevin de Carvalho Marques.

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As movimentações, registradas entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram classificadas como atípicas pelo órgão por apresentarem incompatibilidade com a capacidade financeira declarada da empresa envolvida.

De acordo com uma apuração publicada nesta sexta (20) pelo Estadão, foram R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. O total corresponde a praticamente toda a movimentação recebida pela Consult Inteligência Tributária no período, apesar de ela ter declarado faturamento de apenas R$ 25,5 mil.

A Gazeta do Povo procurou o Banco Master, a JBS, a Consult Inteligência Tributária, o escritório de Kevin de Carvalho Marques e o gabinete de Nunes Marques para se pronunciarem sobre a apuração e aguarda retorno. Ao Estadão, os citados negaram irregularidades nas transações (veja mais abaixo).

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Segundo a apuração, as transações chamaram a atenção do Coaf por serem “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa e que “alguns dos valores podem ter origem não formal”. Na prática, o relatório indica que o volume repentino de recursos pode sugerir o uso da empresa como intermediária para circulação de dinheiro.

Além das entradas, o órgão analisou as saídas financeiras da consultoria e identificou, por amostragem, 11 transferências que somam R$ 281,6 mil a Kevin de Carvalho Marques. Ao Estadão, ele afirmou que os valores recebidos são lícitos e decorrentes da atuação profissional, destacando que o trabalho prestado foi “voltada ao fisco administrativo”.

O escritório também ressaltou que ele “nunca defendeu nenhum caso” no STF e criticou o que classificou como “tentativas de criminalização da advocacia e de interferência no sigilo profissional”. “A atuação para a empresa mencionada foi voltada ao fisco administrativo”, completou.

A JBS, por sua vez, declarou que contrata consultorias para lidar com a complexidade tributária brasileira — “como toda grande empresa brasileira que lida com a complexidade do sistema tributário nacional” — e afirmou que a empresa citada presta esse tipo de serviço regularmente — “para apoiar sua atuação nessa área, entre eles a Consult Inteligência Tributária” –. Já o Banco Master e o gabinete do ministro não se pronunciaram sobre a apuração.

A Consult Inteligência Tributária informou que realizou serviços de auditoria, consultoria tributária e desenvolvimento de sistemas para as empresas contratantes. Sobre os pagamentos ao filho do ministro, limitou-se a dizer que se referem à “prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica para a Consult, entre 2024 e 2025”.

Criada em 2022 pelo empresário e contador Francisco Craveiro de Carvalho Junior, de Teresina, cidade natal do ministro, a consultoria afirma que faz parte de um grupo com atuação desde 2004 e atendimento a centenas de empresas. A empresa também declarou que passou por uma “reorganização societária” recente, após mudanças na composição de seus sócios.

No entanto, segundo consta na apuração, Craveiro negociou o recebimento de R$ 13 milhões da divisão de lucros, que serão repassados em três parcelas até 2028. Ele voltou a ser sócio da consultoria no último dia 6 de março.

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