María Corina Machado cobra eleições na Venezuela até julho de 2027
Últimas atualizações em 10/10/2026 – 04:06 Por AFP
A líder opositora María Corina Machado defendeu nesta sexta-feira (9) que a Venezuela realize eleições presidenciais até julho de 2027. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, María Corina, que venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2025, afirmou que o país já tem condições de organizar uma eleição. Ela também reconheceu que, neste momento, existem discordâncias entre ela e o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o prazo para a transição no país sul-americano.
María Corina afirmou que há “tempo mais do que suficiente” para preparar as eleições até julho do próximo ano. Ela também demonstrou apoio à proposta de realizar a votação em 24 de julho, data do nascimento de Simón Bolívar, um dos principais líderes da independência venezuelana.
A fala da líder opositora venezuelana ocorre enquanto o regime chavista interino, liderado por Delcy Rodríguez desde a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro, continua sem apresentar uma data para novas eleições. Em setembro, Delcy prometeu durante discurso na Assembleia Geral da ONU que a Venezuela teria eleições, mas novamente não estabeleceu uma data para o pleito.
Trump afirmou, em entrevista à revista Time publicada no início deste mês, que ainda é “cedo demais” para os venezuelanos terem uma eleição. O republicano disse que pretende discutir o tema com Delcy, mas, assim como líder interina chavista na ONU, evitou estabelecer um prazo para a realização de uma eleição.
Ao Financial Times, María Corina disse que a discordância entre ela e o governo Trump neste momento está principalmente na velocidade com que as mudanças devem ocorrer na Venezuela.
“As coisas poderiam avançar mais rapidamente e de maneira contínua, sem qualquer risco de instabilidade no país”, afirmou ela, que já tentou retornar à Venezuela 7 vezes, sem sucesso.
Além das eleições, a líder opositora também cobrou maior transparência sobre o dinheiro obtido pelo regime com a venda do petróleo venezuelano, atualmente sob supervisão dos Estados Unidos. María Corina disse que os venezuelanos devem ter acesso às informações sobre os recursos arrecadados e sua utilização.
María Corina está morando atualmente no Panamá. A opositora responsabiliza o regime chavista pelas dificuldades para retornar à Venezuela.
Atualmente, representantes do chavismo e de parte da oposição continuam negociando mudanças institucionais na Venezuela para preparar uma futura eleição. Ambos estão discutindo neste momento a substituição de integrantes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), responsável pela realização de eleições, e do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a suprema corte do país, além da atualização do cadastro de eleitores.
María Corina e Edmundo González, candidato opositor na eleição presidencial de 2024, fraudada por Maduro, não participam das negociações.
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