Lula cogita expulsar agentes dos EUA após ordem de saída de delegado da PF
Últimas atualizações em 21/04/2026 – 10:23 Por Gazeta do Povo | Feed
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que pode expulsar agentes dos Estados Unidos em serviço no Brasil como medida de reciprocidade após o governo norte-americano determinar a saída de um delegado da Polícia Federal que atuou na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, na semana passada.
Na véspera, o delegado Marcelo Ivo de Carvalho foi informado de que deveria deixar o país por supostamente “contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas” em território norte-americano. Fontes a par do caso afirmam que a Polícia Federal e o governo brasileiro foram pegos de surpresa com a decisão. A expectativa é de que ele chegará ao Brasil até o final do dia.
“Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa. Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas norte-americanas querem ter em relação ao Brasil”, disse Lula a jornalistas em Hannover, na Alemanha, onde cumpre agenda oficial.
VEJA TAMBÉM:
Lacombe: Ramagem e o jornalismo “fake” da brasileira do “Washington Post”
Junto de Lula, o ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, afirmou que ainda não houve uma confirmação oficial sobre a expulsão e que a medida “não tem fundamento.
“O delegado da Polícia Federal que está em Miami trabalha em conjunto com as autoridades americanas, está lá justamente para isso, e essa função é baseada num memorando de entendimento entre a Polícia Federal brasileira e as autoridades americanas. Portanto, todos sabiam e trabalharam em conjunto. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas sobre a razão desta medida tomada”, pontuou.
Já o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, reforçou que o agente está há mais de dois anos em missão nos Estados Unidos e que atua na identificação de foragidos brasileiros.
“Fazendo atividade de cooperação policial como fazemos com 34 países. Agora [vamos] aguardar formalmente algum esclarecimento para, a partir disso, adotarmos qualquer medida”, completou.
Como foi a expulsão
A ordem para a saída do delegado foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos. Sem citar nomes, o comunicado acusou uma autoridade brasileira de tentar “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” dentro do território americano.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz a nota oficial divulgada em uma rede social.
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), foi designado para a função em março de 2023, com a missão de colaborar na localização e prisão de brasileiros procurados pela Justiça.
O mandato inicial da missão era de dois anos, mas foi prorrogado até agosto deste ano por decisão do governo brasileiro. Mesmo assim, segundo informações oficiais, a Polícia Federal não foi comunicada formalmente pelos Estados Unidos sobre a determinação de saída do agente. O Itamaraty, por sua vez, optou por não comentar o caso até o momento.
Lula intensificou críticas a Trump
A expulsão do delegado da Polícia Federal brasileira é apenas mais um dos vários episódios recentes de fortes críticas de Lula ao presidente norte-americano Donald Trump, e em meio aos preparativos para uma visita oficial do petista a Washington.
A viagem deveria ter ocorrido em março, mas foi adiada sem data definida por causa da deflagração da guerra dos Estados e Israel contra o Irã. Havia a expectativa de que poderia ocorrer ainda neste mês de abril, mas o andamento do conflito congelou as tratativas.
Neste meio tempo, Lula intensificou as críticas a Trump afirmando que o líder norte-americano age como um “imperador do mundo” que “acha que, por e-mail ou por Twitter, pode taxar produtos, pode punir países, e pode fazer guerra”.
Gazeta do Povo
Sob a licença da Creative Commons (CC) Feed
Redes Sociais:
https://www.facebook.com/www.redegni.com.br/
https://www.instagram.com/redegnioficial/
https://gettr.com/user/redegni
https://x.com/redegni
