Japão investe em rearmamento e muda política pacifista pós-guerra
Últimas atualizações em 05/09/2026 – 04:31 Por Gazeta do Povo | Feed
O governo japonês está promovendo uma transformação histórica em sua política de defesa ao abandonar décadas de pacifismo absoluto. Sob a gestão da primeira-ministra Sanae Takaichi, o país destinou US$ 55,6 bilhões para o próximo ano fiscal visando o rearmamento. A medida responde ao avanço militar chinês no Indo-Pacífico, aos mísseis da Coreia do Norte e à instabilidade gerada pela guerra russa.
Quais são os principais motivos para o Japão mudar sua postura militar?
A mudança é motivada por um cenário de segurança considerado o mais grave desde 1945. O avanço da China, que expandiu sua Marinha e aeronáutica em áreas próximas ao território japonês, é a preocupação central. Além disso, os constantes testes de mísseis e o programa nuclear da Coreia do Norte representam riscos diretos. A aproximação estratégica entre Pequim e Moscou, somada às lições da guerra na Ucrânia, convenceu Tóquio de que não se pode mais depender exclusivamente da proteção americana para garantir a estabilidade regional e a soberania de suas ilhas no sudoeste.
O que significa a nova estratégia de capacidade de contra-ataque?
Tradicionalmente, a defesa japonesa era limitada a interceptar ameaças após um lançamento contra seu território. A nova doutrina, aprovada recentemente, autoriza o Japão a atingir instalações militares inimigas para impedir novas ondas de ataques em determinadas circunstâncias. Especialistas jurídicos consideram essa mudança um marco que flexibiliza o Artigo 9 da Constituição, que renunciava à guerra. O governo afirma que o objetivo não é a agressão, mas sim aumentar o custo militar de qualquer ofensiva contra o país, servindo como uma ferramenta de dissuasão estratégica.
Como os Estados Unidos influenciaram essa decisão de rearmamento?
Existe uma pressão crescente de Washington para que seus aliados assumam uma parcela maior dos custos de defesa. Com o retorno de Donald Trump à presidência, essa exigência foi reforçada tanto na Europa quanto na Ásia. Paralelamente, surgiu no Japão uma dúvida sobre até que ponto os americanos estariam dispostos a arcar sozinhos com o ônus de um conflito de grandes proporções no Oriente. Por isso, Tóquio antecipou a meta de elevar seus gastos militares para 2% do Produto Interno Bruto (PIB), buscando maior autossuficiência sem romper a aliança histórica com os EUA.
De que forma o Japão está fortalecendo sua própria indústria de defesa?
O Japão está desmontando barreiras internas que antes limitavam a exportação de armas. O volume de projetos contratados na área saltou de US$ 108 bilhões para US$ 272 bilhões, com investimentos pesados para modernizar linhas de produção e proteger cadeias de suprimentos. O país já fechou contratos de fragatas com a Austrália e desenvolve um caça de nova geração com o Reino Unido e a Itália. Essa expansão industrial busca dar escala aos fabricantes locais e consolidar o Japão como uma potência capaz de projetar força e reunir parceiros internacionais, inclusive membros da Otan.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
VEJA TAMBÉM:
- Do pacifismo ao rearmamento: por que o Japão está se preparando para a guerra
Gazeta do Povo
Sob a licença da Creative Commons (CC) Feed
Redes Sociais:
https://www.facebook.com/www.redegni.com.br/
https://www.instagram.com/redegnioficial/
https://gettr.com/user/redegni
https://x.com/redegni
