Guerra no Irã completa sete meses, com Trump rejeitando acordo
Últimas atualizações em 28/09/2026 – 09:04 Por AFP
Durante meses, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou por um acordo para encerrar a guerra contra o Irã – que nesta segunda-feira (28) completa sete meses –, enquanto o regime islâmico negava. Agora, a situação se inverteu: Teerã pede ao governo Trump que feche um acordo, enquanto este rejeita tais pedidos.
Na semana passada, durante conversas à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o Irã sugeriu um acordo para encerrar o conflito e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz dentro de uma semana.
Porém, no fim de semana, Trump recusou a proposta. “Estou rejeitando o acordo deles”, disse Trump no sábado (26). “Eles querem fazer um acordo, e acho isso ótimo. Eu também gosto de fazer acordos. Mas aquele acordo não seria aceitável”, justificou.
“Eles querem fazer um acordo para abrir o estreito imediatamente, porque estão perdendo feio. Nós estamos vencendo de forma avassaladora; temos controle total do Estreito de Ormuz”, alegou Trump no sábado, acrescentando que “enormes quantidades de petróleo” estão passando pelo estreito.
Porém, segundo dados da plataforma Hormuz Strait Monitor, apenas dois navios transitaram pelo estreito nas últimas 24 horas. Antes da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, quase 140 navios atravessavam Ormuz por dia.
O Irã tem usado o bloqueio da passagem marítima como instrumento de chantagem, o que tem elevado os preços dos combustíveis nos últimos meses: cerca de 20% do petróleo e do gás natural do mundo transitavam por Ormuz antes da guerra.
O regime de Teerã insiste em controlar militarmente o estreito e cobrar pedágio de navios que utilizam a passagem, o que é refutado pelos Estados Unidos.
No fim de semana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse no Telegram que o regime islâmico ainda aguardava uma resposta oficial “definitiva” dos EUA sobe a proposta de Teerã, alegando que o presidente americano já entrou em contradição anteriormente em declarações sobre a guerra e negociações.
“[Trump] fez muitas declarações boas, bem como muitas contraditórias, que infelizmente ouvimos com frequência”, disse o chanceler. “Estamos aguardando que os mediadores nos transmitam as posições definitivas e tomaremos uma decisão com base nelas.”
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse à emissora CBS que a “desconfiança gerada por esta guerra precisa ser superada” e que seu país está aberto a negociações, mas que “os EUA precisam demonstrar que não pretendem derrubar nosso governo”.
No início do mês, durante a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, no Quirguistão, Pezeshkian havia afirmado que o Irã está disposto a voltar às negociações previstas no Memorando de Islamabad, assinado em junho para estender o cessar-fogo de abril e abrir um prazo de 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo.
Porém, disputas sobre a gestão do Estreito de Ormuz fizeram Trump declarar em julho que o memorando havia chegado “ao fim”, bem antes do encerramento do prazo de 60 dias para conversas. Desde então, os dois países trocam ataques pontuais e não houve avanço nas negociações.
No seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22), Trump fez ameaças ao Irã, mas ao mesmo tempo sugeriu que um acordo pode ser feito após as midterms, as eleições americanas de meio de mandato presidencial, marcadas para novembro.
“Tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior do que jamais foi — talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até mesmo do mundo? Ou devo aniquilar a República Islâmica, e fazê-lo rapidamente, sem jamais lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países novamente?”, disse Trump no seu pronunciamento.
“Devo lançá-los ao inferno, sem chance de sobrevivência e sem esperança de grandeza futura para as próximas gerações? Mas acredito que faremos um acordo logo após a eleição, pois não faz sentido para eles não o fazerem”, acrescentou.
Porém, em reportagem publicada pelo The Wall Street Journal na sexta-feira (25), antes de Trump rejeitar a proposta iraniana, fontes do governo americano afirmaram que o presidente está “cético” quanto à possibilidade de o Irã atender às suas exigências e disse à sua equipe que os bombardeios intensos ao país persa devem ser retomados após as midterms.
No dia seguinte ao discurso de Trump na ONU, Pezeshkian alegou no seu pronunciamento nas Nações Unidas que o Irã nunca se recusou a negociar – quando na verdade o regime islâmico se negou em vários momentos nos últimos sete meses a conversar com Washington.
“O Irã jamais foi o agressor, nunca iniciou uma guerra e sempre demonstrou seu compromisso com a mesa de negociações”, alegou.
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