Fórmula 1: relembre campeonatos decididos antes da bandeirada final

A aguardada decisão do campeonato mundial de Fórmula 1 no GP de Abu Dhabi deste domingo, 12, levantou uma dúvida na cabeça dos amantes de automobilismo: o título será decidido com a bandeirada final ou Max Verstappen, da Red Bull, e Lewis Hamilton, da Mercedes, vão colidir antes do término das 55 voltas no Circuito de Yas Marina?

Apesar de os concorrentes estarem empatados em 369,5 pontos na classificação da temporada, o holandês tem nove vitórias contra oito do britânico e leva vantagem no critério de desempate, ou seja, pode ser declarado campeão caso nenhum dos dois pontue nos Emirados Árabes Unidos.

As polêmicas e apreensão sobre uma possível batida não são por acaso. Além de Verstappen e Hamilton terem colidido nos GPs da Grã-Bretanha e Itália e protagonizado disputas acaloradas no Brasil e Arábia Saudita, cinco campeonatos já foram decididos com acidentes entre os líderes.

1980: Alan Jones x Nelson Piquet – GP do Canadá
Pouco lembrado pelos fãs, o título de 1980 foi decidido com um abandono de Piquet após polêmico toque com Jones na penúltima etapa do campeonato.

Mesmo com a vantagem de um ponto –  54 a 53 – em relação ao rival da Williams, o brasileiro chegou ao Canadá em situação complicada. Como o regulamento previa o descarte de resultados, ele poderia ver Jones conquistando o título caso não pontuasse e o australiano vencesse a corrida, e foi exatamente isso o que aconteceu.

Embalado por vitórias na Holanda e Itália, o brasileiro mostrou que não estava para brincadeira e levou sua Brabham à pole position em Montreal. A frustração, porém, teve início logo no início da prova. Piquet não fez grande largada e ficou lado a lado justamente com Jones. O australiano jogou duro e espremeu o carioca.  Sem espaço, Piquet bateu no muro do Circuito da Ilha de Notre Dame.

A batida causou uma confusão no fundo do pelotão e a bandeira vermelha foi acionada. Com a paralisação, Piquet aproveitou a oportunidade e partiu para o uso do carro reserva. O veículo, no entanto, estava com o motor de treino instalado e não foi capaz de suportar a corrida de 70 voltas, obrigando o brasileiro a abandonar a corrida.

Sem Piquet na pista, Jones venceu o GP do Canadá e conquistou o único título mundial de Fórmula 1 de sua carreira.

1989: Alain Prost x Ayrton Senna – GP do Japão
O dia 22 de outubro de 1989 entrou para a história como um dos capítulos mais polêmicos da história do automobilismo. Companheiros de McLaren, Prost e Senna chegaram à penúltima etapa da temporada brigando pelo título mundial. Com 60 pontos contra 76 do francês, no entanto, o brasileiro tinha larga desvantagem e precisaria vencer a disputa em Suzuka para levar a decisão à rodada decisiva na Austrália. Diante do cenário, o Professor não permitiria o triunfo de Senna tão facilmente.

Na etapa decisiva, o brasileiro começou melhor e cravou a pole position de maneira dominante. Logo na largada, porém, o jogo começou a virar e Senna foi ultrapassado por Prost, que chegou a abrir vantagem na liderança do pelotão.

A ponta da corrida até voltou momentaneamente para as mãos do brasileiro após parada do rival nos boxes, mas a emoção aconteceu mesmo na volta 47. Na caça ao francês, Senna tentou fazer ultrapassagens na entrada da chicane, mas viu o rival virar o volante, causando a colisão dos carros. Enquanto Prost deixou sua McLaren na pista e abandonou a prova, Senna contou com a ajuda dos fiscais e voltou ao traçado.

Ele fez uma belíssima prova de recuperação e recebeu a bandeirada final em primeiro. O triunfo do brasileiro, no entanto, teve desfecho amargo. Mesmo vencendo a prova, ele foi desclassificado da corrida por não ter percorrido a chicane pelo traçado certo na hora de voltar à pista e teve de ver Prost conquistar o tricampeonato.

1990: Ayrton Senna x Alain Prost – GP do Japão
No ano seguinte ao polêmico acidente, os pilotos retornaram ao palco de Suzuka e Senna deu o troco em Prost. Agora com o francês já pilotando pela Ferrari, o brasileiro chegou à penúltima etapa da temporada com nove pontos de vantagem para o rival e um cenário contrário ao do campeonato anterior.

Com os carros acelerando, o piloto da McLaren ficou com a pole position, mas, novamente, viu o rival largar melhor e tomar à frente. Sem ter esquecido da atitude do francês em 1989, Senna praticamente desconsiderou a primeira curva e deixou o carro atingir o do Professor.

Sem que eles retornassem para a disputa, Senna foi decretado bicampeão mundial no GP do Japão naquele ano.

1994: Michael Schumacher x Damon Hill – GP da Austrália
O dia 13 de novembro de 1994 coroou o primeiro título mundial de Fórmula 1 de Michael Schumacher, maior vencedor da categoria com sete conquistas ao lado de Lewis Hamilton. O triunfo do à época piloto da Benetton, no entanto, teve contornos polêmicos.

Na última e decisiva etapa da temporada, o alemão desembarcou na Austrália com um único ponto de vantagem para Hill, da Williams. O cenário era o ideal para a “final” do campeonato.

Apesar do foco na disputa entre a dupla, a pole position ficou com Nigel Mansell. Seguido justamente por Schumi e Hill no grid de largada, o Leão largou mal e rapidamente foi ultrapassado pelos concorrentes ao título, que fizeram uma prova particular entre eles.

Com a tensão tomando conta do circuito de Adelaide, o momento decisivo aconteceu na volta 36. Então líder da disputa e com uma mão na taça, Schumacher escapou da pista e chegou a tocar de leve no muro. Com a perda de segundos valiosos, o alemão viu o concorrente britânico se aproximar e tentar alcançar a ponta do pelotão.

O piloto da Benetton, entretanto, não teve dúvida e “fechou a porta” para o rival, causando o choque entre eles. A batida resultou na cena memorável do carro de Schumacher levantando e ficando apoiado apenas em duas rodas. Hill ainda conseguiu levar sua Williams aos boxes, mas com a suspensão dianteira esquerda danificada não teve como completar as 81 voltas.

Com a dupla fora de combate, Schumacher pôde comemorar o primeiro de seus sete títulos mundiais.

1997: Jacques Villeneuve x Michael Schumacher – GP da Europa
Três anos após a confusão com Damon Hill, Schumacher voltou a se envolver em polêmica durante outra corrida decisiva, então já como piloto da Ferrari, em Jerez de La Frontera, Espanha. Desta vez, no entanto, o alemão não se deu bem e terminou o ano desclassificado do campeonato.

Em mais uma disputa equilibradíssima, o alemão chegou à rodada decisiva novamente com vantagem de um ponto para o vice-líder. Com os nervos à flor da pele, o equilíbrio prevaleceu na qualificação de sábado. Villeneuve, Schumacher e Heinz-Harald Frentzen cravaram os mesmos 1min21s072. O canadense, porém, ficou com a pole por ter feito a volta mais rápida primeiro.

A vantagem do piloto da Williams, no entanto, durou pouco e Schumi rapidamente assumiu a liderança da corrida. Sem desistir da vitória, Villeneuve cresceu de ritmo e começou uma caça ao alemão.

O momento histórico e polêmico aconteceu na 47ª volta. O canadense tentou fazer a ultrapassagem por dentro, mas viu o alemão fechar a porta sem muita preocupação com um acidente. E foi o que aconteceu. O carro de Schumacher tocou na Williams do rival, espalhou pela pista e acabou preso na caixa de brita. Para azar do piloto da Ferrari, Villeneuve seguiu na pista e completou a prova na terceira colocação, garantindo seu único título mundial.

A situação de Schumi ainda ficou mais constrangedora após a corrida. Ele foi chamado à sede da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para falar sobre o acidente e acabou desclassificado do campeonato, perdendo todos os pontos que conquistou naquele ano.

Para evitar novas polêmicas, entretanto, Michael Masi, diretor de prova da FIA, já deixou claro que não aceitará atitudes antidesportivas na última corrida da temporada. Em um comunicado enviado a pilotos e escuderias, o dirigente destacou trechos específicos do Código Desportivo Internacional da FIA que podem resultar em dedução de pontos para competidores e escuderias.


Redação BandSports, Ediçao: Léo Vilhena

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