Fofoca não é jornalismo

Lá vamos nós para mais um debate polêmico: “Fofoca é ou não é jornalismo?

Para começo de conversa, vamos voltar para a sala de aula e aprender ou relembrar certas definições com conceitos extremamente básicos:

Jornalismo | É um substantvo masculino que significa atividade profissional que visa coletar, investigar, analisar e transmitir periodicamente ao grande público, ou a segmentos dele, informações relevantes da atualidade, utilizando veículos de comunicação (jornal, revista, rádio, televisão, sites, blogs e etc.) para difundi-las. É o conjunto dos jornais ou dos jornalistas; imprensa.

Fofoca | É um substantivo feminino que significa um ato ou efeito de fofocar, que por sua vez significa ser intrometido, mexeriqueiro, intruso, falar da vida alheia, bisbilhotar, expor situações de terceiros,falar daquilo que não é seu.

Agora vem a pergunta, baseada nos dois conceitos acima:

O que mais está ligado a um serviço honroso de jornalismo?

Eu não sou idiota para não concordar que o ato de fofocar gera grandes audiências, gera milionárias receitas, grandes ‘merchans’ e tem um público de milhares e fervoroso, isso é indiscutível. Quanto a isso não há o que se discutir.

Mas fofocar é jornalismo?

O que ganhamos sabendo da vida alheia? Em que nos engrandece saber da vida do seu semelhante? Saber da vida alheia gera benefícios ou frustrações? Frustrados ou informados?

Resposta de um mero Jornalista Profissional: Fofoca não é jornalismo! E ponto.

Do meu ponto de vista profissional, Jornalismo é noticiar após acurada investigação sobre assuntos relevantes de interesse público, de assuntos que mobilizam a sociedade, de assuntos que alteram vidas, criam significados, que criam existências, que mudam histórias de vida, que resolvem assuntos, que explicam à vida e tudo o que torna a sociedade melhor como organização. Jornalismo é para informar!

Jornalismo real informa e cria conteúdo relevante, tendo em vista o crescimento intelectual e moral das pessoas. Tende a criar uma sociedade mais justa e por fim, bem informada! Eu falo de um jornalismo ético.

Profissional de Imprensa são contadores de histórias, mas de histórias reais e não estórias fabricadas, inventadas ou estereotipadas. Como Fake News não é jornalismo, tampouco fofoca é jornalismo. Fake News é mentira! E fofoca?

O que traz crescimento saber quem casou com quem, quem bateu em quem, quem pagou o divórcio mais caro, quem comprou uma mansão faraônica, quem viajou para os Alpes Suíços? Pasmem vocês, nesses programas de fofocas existem notícias bizarras: “Fulano aumentou o pinto em 10cm e fulana fez uma cirurgia para voltar a ser virgem…”

Programas de fofocas criam milhões de frustrados!

Eu vou além: Gente frustrada, que comete suicídios, eram ávidos espectadores da vida alheia, que na incapacidade de ter a mesma vida, ficou frustrado(a) e muitos não sabem e não conseguem conviver com a frustração.

Pesado? Mas real! Foi ilação da minha parte ou uma terrível constatação?

Deveriam haver limites até para a fofoca. Se um ‘profissional’ quer viver de fofoca, o problema é dele, mas ele deveria ter o pudor de estabelecer limites até para o seu ‘trabalho’.

Eu sou o Editor-Chefe de um pequeno Jornal e quando alguém traz na minha mesa uma pauta com viés de fofoca, eu uso aquela pauta para limpar a bunda…

Eu prefiro um jornalismo sério, ético e verdadeiro, honesto e imparcial, eu prefiro a vida real, mesmo que ela seja cruel, por que eu vivo dentro de um mundo cruel. Eu não viajo numa galáxia imaginária… Vivemos no planeta Terra…

Existem pessoas que reclamam que jornalistas divulgam tragédias, mas nós não inventamos a notícia, apenas contamos como elas aconteceram. Nós espelhamos a vida real. Jornalistas apenas contam as histórias da vida real.

Mas, para servir de contra-ponto a esse texto, eu indicaria que você praticasse a leitura de um texto muito bem escrito, assinado pela Atriz e Jornalista Marcia Pimentel Coelho, com o titulo: Jornalismo de fofoca é imprensa? publicado no site ‘Observatório da Imprensa‘ – Clique AQUI e leia.

Mas para encerrar:

Fofoca não é jornalismo! E ponto final.

Léo Vilhena | Jornalista