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Espanha repete antigo modelo migratório de Portugal

Últimas atualizações em 24/05/2026 – 22:02 Por Gazeta do Povo | Feed

O governo do premiê socialista da Espanha, Pedro Sánchez, implementou, em abril, novas regras que abrem caminho para que cerca de 500 mil imigrantes que moram no país europeu ilegalmente obtenham autorizações de residência e de trabalho.

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Descritas pela gestão do Partido Socialista e Operário Espanhol (PSOE) como resposta a uma “emergência social”, essas medidas migratórias podem aumentar o desgaste de Sánchez – já acuado por denúncias de corrupção envolvendo sua esposa e integrantes do seu governo – e dar ainda mais fôlego político à direita nacionalista, já que pesquisas indicam resistência da população espanhola às novas regras.

Segundo levantamento encomendado pelo jornal El País, 51% dos espanhóis consideram o número de imigrantes a serem beneficiados “excessivo” e apenas 33,3% o consideram “adequado”.

A mesma pesquisa indicou que 50,3% da população espanhola acredita que a medida terá um impacto negativo no acesso à moradia; 48,6% creem que irá piorar os serviços públicos, como saúde e educação; 43,4%, que vai prejudicar a convivência social; 38,3% acreditam que irá afetar negativamente o emprego; e 37,3% creem que irá impactar negativamente a economia.

“O tirano Sánchez odeia o povo espanhol. Ele quer substituí-lo. Por isso, criou um fator de atração [de imigrantes] por decreto, para acelerar a invasão”, acusou o presidente do partido de direita nacionalista Vox, Santiago Abascal, em post no X, em referência ao fato de a medida ter sido implementada por meio de decreto, sem passar pelo Parlamento espanhol.

As mudanças ocorrem em um momento em que o Vox, com uma forte plataforma anti-imigração, cresce nas eleições regionais espanholas após um resultado decepcionante no pleito nacional de 2023, enquanto o PSOE está em declínio.

Nas recentes eleições para os parlamentos da Andaluzia, de Aragão e Extremadura, o conservador Partido Popular (PP) venceu todas e PSOE e Vox ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente, mas com os socialistas perdendo cadeiras e a direita nacionalista ganhando assentos.

No pleito da Andaluzia, realizado no último domingo (17), o PSOE somou 28 cadeiras, perdendo duas, enquanto o Vox obteve 15, uma a mais. Nas eleições para o Parlamento aragonês, em fevereiro, os socialistas conseguiram 18 cadeiras, cinco a menos, e a direita nacionalista alcançou 14, um incremento de sete assentos.

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Já nas eleições para a Assembleia de Extremadura, tradicional reduto socialista, realizadas em dezembro, o partido de Sánchez obteve 18 cadeiras, uma perda de dez assentos, contra 11 cadeiras obtidas pelo Vox, que somou seis a mais.

Esquerda espanhola pode sofrer “efeito Portugal”?

A resistência às medidas migratórias de Sánchez na Espanha pode prenunciar algo parecido com o que aconteceu em Portugal, onde a chamada “manifestação de interesse”, que regularizava a residência de pessoas sem contrato fixo de trabalho que entravam no país como turistas, foi encarada como uma política de portas abertas e desgastou os socialistas.

O governo do premiê conservador Luís Montenegro, no poder desde 2024, alegou “abuso” desse mecanismo e o extinguiu.

Depois, com apoio do partido de direita nacionalista Chega, aprovou na Assembleia da República a nova Lei de Estrangeiros de Portugal, que trouxe alterações como a limitação do reagrupamento familiar de imigrantes e a emissão de vistos de procura de trabalho apenas para profissionais considerados “altamente qualificados”, e a nova Lei da Nacionalidade, que apertou as regras para a concessão da nacionalidade portuguesa.

Em entrevista à Gazeta do Povo, o economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena disse acreditar que as medidas migratórias de Sánchez podem prolongar o bom momento eleitoral da direita nacionalista espanhola.

“A partir do momento em que os países europeus sentem que seu modo de vida e seu modelo de governo estão sendo ameaçados por causa disso, surge uma forte visão anti-imigração, não apenas pelo aumento da violência, mas também pelo crescimento dos gastos públicos relacionados a demandas que, na visão do europeu, deveriam priorizar a própria população. Há pressão sobre os serviços públicos, pressão sobre os aluguéis, e tudo isso ocorre sem um controle específico”, disse Lucena.

“Quando você junta todos esses fatores, a regularização desses 500 mil imigrantes, para um país como a Espanha, desgasta totalmente um governo que já está há muito tempo no poder. Isso dá aos movimentos anti-imigração e à direita uma maior capacidade de mobilização política”, acrescentou o especialista.

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