Equipe de María Corina diz que ela voltou à Venezuela para pressionar por eleições
Últimas atualizações em 26/10/2026 – 21:43 Por AFP
Integrantes da equipe da líder opositora María Corina Machado afirmaram nesta segunda-feira (26) que seu retorno à Venezuela tem como objetivo pressionar o regime de Delcy Rodríguez a estabelecer um calendário para novas eleições presidenciais. A opositora, que retornou ao país no domingo (25), depois de quase dez meses no exterior, também pretende reunir diferentes setores políticos da Venezuela para negociar um acordo nacional.
Em entrevista à rádio venezuelana Unión Radio, o coordenador nacional do partido Vente Venezuela, Henry Alviárez, afirmou que María Corina pretende iniciar uma nova fase de mobilizações políticas no país e preparar a oposição para uma eventual transição de governo.
O dirigente também confirmou que o grupo está disposto a negociar diretamente com Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país após a captura do ditador Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro deste ano.
“Estamos absolutamente dispostos a nos sentar com quem for necessário”, afirmou Alviárez. Ele disse, contudo, que a oposição não deve participar de negociações com o regime destinadas a adiar decisões políticas no país.
Alviárez também disse que o retorno de María Corina ao país foi organizado por sua própria equipe e não decorreu das negociações que o regime venezuelano mantém atualmente com outros setores da oposição. O opositor lembrou ainda que foram necessárias sete tentativas até que a líder opositora conseguisse de fato entrar no país sul-americano.
“A única garantia que María Corina tem na Venezuela é o povo. Ela entrou por sua própria conta e risco”, declarou Alviárez.
Alviárez criticou a condução das negociações políticas em andamento na Venezuela. Tais negociações ocorrem sob os olhos da Casa Branca e são lideradas pelo Parlamento opositor ao chavismo. Segundo ele, essas negociações, que envolvem reformas institucionais, como a substituição de integrantes do Supremo Venezuelano e da comissão eleitoral, não têm produzido respostas suficientes para a situação dos presos políticos.
Os bastidores da operação que culminou no retorno de Maria Corina ao país foram revelados em parte por outros integrantes da oposição. Em entrevista ao jornal espanhol El País, Omar González, dirigente nacional do Vente Venezuela, descreveu o retorno da líder opositora como um processo complexo e difícil.
Outro aliado de María Corina, que pediu anonimato por razões de segurança, afirmou que a operação exigiu cuidados especiais para proteger as pessoas envolvidas.
“Foi uma operação exigente, perigosa e arriscada”, disse a fonte ao jornal.
De acordo com o El País, para chegar na Venezuela, María Corina teria atravessado a fronteira com a Colômbia por terra, após passar pelo Panamá. A participação direta dos Estados Unidos na operação não foi confirmada.
Em comunicado divulgado no X, o coordenador de Relações Internacionais da opositora, Pedro Urruchurtu, agradeceu ao presidente americano Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio pelo apoio à causa democrática venezuelana. Ele lembrou que a operação militar americana de 3 de janeiro abriu caminho para uma transição política no país.
A equipe de María Corina informou que a opositora prepara um pronunciamento à população venezuelana. Ainda não foi divulgada uma data para a manifestação.
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