Eleições de meio de mandato nos EUA: como funciona o sistema eleitoral americano?

Últimas atualizações em 29/10/2026 – 05:32 Por G1 Mundo

EUA se preparam para as eleições de meio de mandato

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As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, serão realizadas em 3 de novembro. A votação renova quase todo o Congresso americano, mas segue regras diferentes das adotadas no Brasil.

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  • MAPAS vão mostrar a apuração em tempo real

▶️ Contexto: O Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.

  • Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis.
  • Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
  • Sendo assim, em novembro, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.

O sistema eleitoral dos Estados Unidos tem diferenças importantes em relação ao brasileiro. No Congresso, por exemplo, o Senado e a Câmara dos Representantes seguem regras diferentes.

No Senado, cada um dos 50 estados tem direito a duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Por isso, a Casa tem 100 senadores no total.

Já na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre os estados de acordo com a população. Cada deputado representa uma região, chamada de distrito eleitoral.

  • Os distritos são áreas dentro de cada estado que podem reunir cidades inteiras ou apenas parte delas.
  • O 11º distrito de Nova York, por exemplo, reúne apenas alguns bairros da cidade de Nova York.
  • Esses distritos são desenhados com base na população. Em geral, cada um deve ter um número parecido de habitantes.
  • Isso significa que cada deputado representa uma fatia semelhante da população dentro do estado.
  • Como o número de deputados de cada estado depende da população, estados mais populosos têm mais representantes na Câmara.

Local de votação em Ohio, em 6 de outubro de 2026 — Foto: REUTERS/Shannon Stapleton

Antes das midterms, os partidos realizam eleições primárias para escolher os candidatos que vão disputar cada cargo.

Com isso, nas eleições oficiais, a disputa acaba concentrada em dois candidatos na maioria dos estados e distritos: um republicano e um democrata que venceram as primárias dos respectivos partidos.

Candidatos independentes também podem participar das eleições. No entanto, em geral, eles têm menos visibilidade e recebem menos votos.

Além disso, cada estado é responsável por apurar os próprios votos. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições em todo o país.

Em geral, a apuração começa assim que os locais de votação fecham. O horário varia de estado para estado.

  • Na Flórida, por exemplo, a votação termina às 19h.
  • Em Nova York, os eleitores têm até as 21h.
  • No Tennessee, o horário varia de acordo com o condado.

Com isso, os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite de 3 de novembro. No entanto, pode levar dias até que seja possível saber qual partido terá o controle da Câmara e do Senado.

Em 2022, por exemplo, a disputa pela maioria da Câmara só foi definida mais de uma semana após a eleição. A demora ocorreu, entre outros fatores, porque alguns estados levam mais tempo para contar os votos enviados pelo correio.

Veja, a seguir, um guia de perguntas e respostas sobre as eleições de 2026:

  1. O que são as midterms e por que elas têm esse nome?
  2. Quando será a eleição?
  3. Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele?
  4. Desaprovação recorde: como Trump chega às midterms?
  5. Como está a disputa pelo Senado?
  6. Como está a disputa pela Câmara?
  7. Voto pelo correio: como funciona e por que virou um dos principais temas da campanha?
  8. A guerra dos mapas eleitorais: por que republicanos e democratas entraram nessa disputa?

1. O que são as midterms e por que elas têm esse nome?

Midterms – Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA) — Foto: REUTERS/Mike Segar

As midterms são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Elas recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial.

  • As últimas eleições ocorreram em 2024. Trump tomou posse em janeiro de 2025, assim como os deputados e senadores eleitos naquele ano.
  • Em novembro de 2026, Trump estará na metade do mandato presidencial, enquanto os deputados eleitos em 2024 e os senadores eleitos em 2020 estarão perto do fim do mandato.
  • Os parlamentares eleitos nas midterms tomarão posse em janeiro de 2027.
  • Trump não disputa a eleição, e o mandato presidencial dele termina em janeiro de 2029.

A próxima eleição presidencial será em 2028. Na mesma data, haverá eleições para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das vagas do Senado.

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2. Quando será a eleição?

A eleição está marcada para 3 de novembro. No entanto, a votação antecipada já começou em alguns estados, e parte dos eleitores já votou pelo correio.

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3. Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele?

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício de campanha em apoio ao candidato republicano ao Senado, Mike Collins, e ao candidato a governador, Rick Jackson, em Dalton, Geórgia, EUA, em 16 de outubro de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, o mesmo de Trump, conquistou a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado. Com isso, a legenda passou a controlar a pauta e as votações nas duas Casas.

Isso permitiu que Trump aprovasse pautas importantes para o governo dele. Ainda assim, ele enfrentou dificuldades, já que a maioria republicana é pequena e alguns parlamentares do partido contrariaram o presidente em votações.

Agora, Trump quer manter a maioria para continuar tendo apoio no Congresso. Uma derrota na Câmara, no Senado ou em ambas as Casas poderia dificultar a aprovação de projetos do presidente e abrir espaço para os parlamentares barrarem ações do governo.

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4. Desaprovação recorde: como Trump chega às midterms?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026 — Foto: Mike Segar/Reuters

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no dia 19 de outubro apontou que 66% dos americanos desaprovam o governo de Donald Trump. O índice está entre os mais altos da série histórica para os dois mandatos do presidente.

Além disso, o levantamento apontou que 31% aprovam o governo Trump. O índice é o mais baixo registrado por uma pesquisa Reuters/Ipsos nos dois mandatos do republicano e está abaixo do registrado pelo antecessor dele, Joe Biden.

Segundo a pesquisa, a insatisfação dos eleitores está ligada principalmente à forma como Trump conduz a economia e ao alto custo de vida nos Estados Unidos.

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5. Como está a disputa para o Senado?

Foto do Senado dos EUA, no Capitólio, em Washington, na madrugada de terça-feira, 8 de novembro de 2022 — Foto: J. Scott Applewhite/AP

Pesquisas e projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nas eleições de novembro.

Atualmente, os republicanos têm 53 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 47 senadores, incluindo dois independentes que costumam votar junto com o partido. As projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir de 2027. Veja a seguir.

📊 Center for Politics da Universidade da Virgínia

O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 14 de outubro, o cenário era o seguinte:

  • Democratas: 49 cadeiras
  • Republicanos: 46 cadeiras
  • Disputas indefinidas: 5 cadeiras

📊 Race to the WH

A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 22 de outubro, a previsão era a seguinte:

  • Democratas: 52 ou 53 cadeiras
  • Republicanos: 47 ou 48 cadeiras
  • Chance de vitória dos democratas: 72,5%

📊 270toWin

O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição do Senado após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:

  • Democratas: 48 cadeiras
  • Republicanos: 48 cadeiras
  • Disputas indefinidas: 4 cadeiras

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6. Como está a disputa para a Câmara?

Câmara dos Representantes dos EUA. — Foto: Office of the Speaker of the House

De acordo com as pesquisas, o Partido Democrata é favorito para conquistar o controle da Câmara.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (19) apontou que 47% dos eleitores disseram que pretendem votar em um candidato democrata, enquanto 35% afirmaram que pretendem escolher um republicano.

Atualmente, os republicanos têm 218 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 214 deputados. Há ainda um deputado independente e duas vagas em aberto.

Assim como no Senado, as projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir do ano que vem. Confira abaixo.

📊 Center for Politics da Universidade da Virgínia

O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 20 de outubro, o cenário era o seguinte:

  • Democratas: 223 cadeiras
  • Republicanos: 200 cadeiras
  • Disputas indefinidas: 12 cadeiras

📊 Race to the WH

A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 22 de outubro, a previsão era a seguinte:

  • Democratas: 236 cadeiras
  • Republicanos: 199 cadeiras
  • Chance de vitória dos democratas: 92,2%

📊 270toWin

O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição da Câmara após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:

  • Democratas: 220 cadeiras
  • Republicanos: 200 cadeiras
  • Disputas indefinidas: 15 cadeiras

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7. Voto pelo correio: como funciona e por que virou um dos principais temas da campanha?

Funcionários eleitorais separam cédulas de voto por correio no escritório do Supervisor de Eleições do Condado de Miami-Dade para as eleições primárias da Flórida, em 18 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Lynne Sladky

Todos os 50 estados permitem alguma forma de votação pelo correio. Desses, 37 estados e Washington, D.C., permitem que os eleitores solicitem uma cédula sem apresentar justificativa, segundo levantamento do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral.

As regras variam de estado para estado. De forma geral, os eleitores que escolhem essa modalidade recebem a cédula pelo correio, preenchem o documento e o enviam de volta dentro do prazo estabelecido.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido restrições ao voto pelo correio e afirma que o sistema é suscetível a fraudes.

  • Em março, ele assinou um decreto para endurecer as regras de votação por correspondência e ampliar a verificação da cidadania dos eleitores.
  • A medida prevê a criação de uma lista federal de cidadãos aptos a votar pelo correio, elaborada pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA e pela Administração da Seguridade Social.
  • Pelo decreto, as cédulas enviadas pelo correio só poderiam ser entregues a pessoas incluídas nesse cadastro.
  • Trump afirma que a medida visa impedir fraudes e que pessoas sem cidadania americana votem nos Estados Unidos.

Alguns estados e organizações de defesa do direito ao voto contestaram judicialmente as novas regras. Eles argumentam que a Constituição dos EUA atribui aos estados e ao Congresso, e não ao presidente, o poder de definir as regras eleitorais.

Em setembro, a Suprema Corte manteve o bloqueio a uma regra do Serviço Postal dos EUA que implementaria parte do decreto de Trump antes das eleições de novembro.

  • A norma exigiria que os estados enviassem listas de eleitores aptos a votar pelo correio e que os envelopes das cédulas tivessem códigos de barras específicos.
  • Com isso, o órgão poderia recusar o envio de cédulas que não cumprissem essas exigências.

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8. A guerra dos mapas eleitorais: por que republicanos e democratas entraram nessa disputa?

presidente dos EUA, Donald Trump, responde a perguntas durante o anúncio do plano de uma empresa de Minnesota para construir uma siderúrgica de US$ 15 bilhões em Iowa, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 28 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

Para evitar perder o controle da Câmara, Trump sugeriu que os republicanos apoiassem o redesenho dos distritos eleitorais nos estados. A estratégia era criar mapas mais favoráveis ao partido.

A ofensiva de Trump começou pelo Texas. O estado tem o segundo maior número de deputados do país e é um importante reduto republicano.

A proposta foi aprovada no estado em agosto de 2025 e já está em vigor. Com o novo desenho, a expectativa é que os republicanos ganhem vantagem ao redistribuir eleitores e reduzir o número de distritos em que os democratas tinham vantagem.

A estratégia, no entanto, gerou reação. Três meses depois, a Califórnia decidiu redesenhar o próprio mapa para favorecer os democratas. Com isso, a expectativa é que o partido conquiste cinco cadeiras atualmente ocupadas por republicanos.

Mas a disputa continuou. Os republicanos conseguiram redesenhar os mapas de outros seis estados: Alabama, Flórida, Louisiana, Carolina do Norte, Ohio e Tennessee.

Em Utah, uma decisão judicial também levou à criação de um distrito eleitoral com tendência democrata em Salt Lake City.

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Fonte: G1 Mundo

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