Dois anos e nenhum julgamento: Família é assassinada em briga de trânsito

Na quarta-feira (27), um crime que chocou Porto Alegre completou dois anos. Rafael Zanetti Silva, 45 anos, a esposa Fabiana da Silveira Innocente Silva, 44, e o filho mais velho Gabriel da Silveira Innocente Silva, 20, foram mortos a tiros, durante briga de trânsito no bairro Lami, na Zona Sul. A família retornava de um aniversário, quando os três foram assassinados na frente do caçula, de oito anos, e da nora do casal, na época com 18. Réu, Dionathá Bitencourt Vidaletti, 26, segue preso, mas ainda não há data para o júri.

Em setembro, o juiz Roberto Coutinho Borba determinou que o caso seja decidido pelo Tribunal do Júri. No entanto, o Ministério Público, assim como a defesa, entrou com recurso, e o processo foi encaminhado ao Tribunal de Justiça, em 10 de janeiro. O réu responde por três homicídios triplamente qualificados, com os agravantes de motivo fútil, por ter sido “perpetrado ensejando perigo comum”, em função do horário e do local do crime, e sem dar chance de defesa à vítima.

Além de Dionathá, a mãe dele Neuza Regina Bitencourt Vidaletti também havia sido denunciada pelo Ministério Público como coautora — ela não chegou a ser indiciada pela Polícia Civil. O entendimento da acusação foi de que ela também contribuiu para os assassinatos. Isso porque pegou a arma dentro do carro e efetuou um disparo, antes de o filho assassinar a família durante a briga de trânsito.

Dionathá tinha uma Ecosport vermelha, que estava estacionada em frente à casa da avó dele, em uma estrada do Lami, no extremo sul da Capital. Já a família Silva retornava de uma comemoração em um Aircross. O carro da família atingiu a Ecosport, e o Rafael, o motorista, não parou. Revoltado com a situação, Dionathá entrou no veículo e saiu em perseguição à família — a mãe dele também entrou no carro. Após alcançarem o Aircross, ambos motoristas pararam no acostamento, houve discussão e, durante a briga, Neuza pegou a arma no carro. Logo depois, o filho se apossou da pistola e disparou contra o casal e o filho deles.

No entanto, na sentença de setembro a Justiça definiu que Neuza não deve ser julgada pelos mesmos crimes que o filho. O entendimento é de que ela deve responder somente pelo tiro, pois não teria entregue voluntariamente a arma ao jovem. “Embora se possa cogitar que a acusada tenha exasperado o risco do resultado lesivo, quando pegou a pistola que estava no interior do automóvel e efetuou o disparo, não se pode olvidar de toda a sua conduta ao longo dos desdobramentos dos fatos”, concluiu o juiz. O magistrado ainda ponderou que a mãe foi contra a perseguição realizada por Dionathá à família.

O juiz também definiu que o processo seja dividido, ainda assim, como houve recursos pelas duas partes, essa cisão não ocorreu até o momento. Primeiro é preciso aguardar a decisão do Tribunal de Justiça sobre o caso. Neste cenário, segundo informações da 1ª Vara do Júri ainda não é possível determinar quando o julgamento do réu deverá ocorrer, nem mesmo estimar se deve se dar ainda neste ano. Enquanto isso, Dionathá segue preso de forma preventiva — a mãe nunca chegou a ser detida.


Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Local onde ocorreu a execução da família Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

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