Dino relata ameaça de morte por funcionária de companhia aérea
Últimas atualizações em 19/05/2026 – 05:44 Por Gazeta do Povo | Feed
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou nesta segunda-feira (18) ter sido ameaçado de morte por uma funcionária de uma companhia aérea ao embarcar em um voo.
De acordo com o relato, ao identificar o nome de Dino em um cartão de embarque, a funcionária afirmou inicialmente que tinha vontade de xingá-lo, mas “corrigiu-se” logo em seguida, declarando que “seria melhor matar do que xingar”.
“Recentemente, uma funcionária de uma empresa aérea, ao olhar um cartão de embarque com meu nome, manifestou a um agente de polícia judicial a vontade de me xingar. Em seguida se “corrigiu”: disse que seria melhor matar do que xingar”, contou o ministro em uma publicação no Instagram.
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“Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF”, destacou.
Dino optou por não revelar o nome da empresa ou da funcionária, afirmando que seu objetivo não é pessoal, mas sim tratar de uma questão de “interesse coletivo”.
O ministro manifestou preocupação com a possibilidade de esse tipo de sentimento se alastrar entre prestadores de serviço. Ele apontou que a situação pode comprometer a “segurança de aeroportos e de voos e, por conseguinte, de outros passageiros”.
“Imaginemos se isso se alastra para outros segmentos de negócios: um cliente corre o risco de, por exemplo, ser envenenado?”, questionou.
Diante do acirramento de ânimos em um ano eleitoral, o magistrado fez um apelo formal às empresas, especialmente as que lidam com o público para que promovam campanhas internas de “educação cívica”.
“Assim, o pedido que faço às empresas em geral, mas especialmente àquelas que lidam com o público, é que façam campanhas internas de educação cívica para que todos possam conviver em paz, especialmente nesse ano eleitoral, em que muitos sentimentos se acirram”, afirmou Dino.
O ministro enfatizou que, embora cada cidadão tenha direito às suas opiniões, o consumidor não pode ter receio de sofrer agressões ao adquirir um produto ou serviço.
“Pode ter sido um ‘caso isolado’. Porém, com o andar do calendário eleitoral, pode não ser. Então é melhor prevenir”, disse.
“Essa é a sugestão para as empresas e entidades empresariais: orientem e estimulem com campanhas educativas os seus prestadores de serviço a manter o respeito a todas as pessoas, independentemente de preferências, simpatias, opiniões. Será o melhor para a empresa e para os consumidores. Será o melhor para o Brasil”, concluiu.
Presidente do STF diz que ameaça a Dino é “grave” e pede civilidade
Em nota, o presidente do STF, Edson Fachin, manifestou solidariedade a Dino e deu mais detalhes sobre o caso. Segundo Fachin, o episódio ocorreu nesta segunda (18), no Aeroporto de São Paulo.
“A divergência de ideias, própria da democracia, jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal”, disse o ministro.
“Manifestamos, por isso, nossa solidariedade ao Ministro Flávio Dino diante do grave fato, ocorrido hoje no aeroporto de São Paulo, cujo relato foi tornado público”, acrescentou.
Fachin destacou que “o respeito a todas as pessoas, tenham ou não funções públicas, às instituições e às autoridades legitimamente constituídas é condição essencial da convivência republicana”.
“Impõe-se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana”, afirmou o presidente da Corte.
Veja a íntegra do relato de Dino
“Um relato e um pedido para empresas e entidades empresariais. Recentemente, uma funcionária de uma empresa aérea, ao olhar um cartão de embarque com meu nome, manifestou a um agente de polícia judicial a vontade de me xingar. Em seguida se “corrigiu”: disse que seria melhor MATAR do que xingar. Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF.
Não vou informar aqui o nome da funcionária, nem a empresa, nem a data da ocorrência. Não é esse o propósito.
Só escrevo esse relato por não ser uma situação de interesse exclusivamente pessoal, e sim coletivo. Imaginemos que outros funcionários, da mesma ou outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos e, por conseguinte, de outros passageiros.
Imaginemos se isso se alastra para outros segmentos de negócios: um cliente corre o risco de, por exemplo, ser envenenado?
Assim, o pedido que faço às empresas em geral, mas especialmente àquelas que lidam com o público, é que façam campanhas internas de EDUCAÇÃO CÍVICA para que todos possam conviver em PAZ, especialmente nesse ano eleitoral, em que muitos sentimentos se acirram.
Cada um tem sua opinião, suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa, ao consumir um serviço ou produto. Pode ter sido um “caso isolado”. Porém, com o andar do calendário eleitoral, pode não ser. Então é melhor prevenir. Essa é a sugestão para as empresas e entidades empresariais: orientem e estimulem com campanhas educativas os seus prestadores de serviço a manter o respeito a todas as pessoas, independentemente de preferências, simpatias, opiniões. Será o melhor para a empresa e para os consumidores. Será o melhor para o Brasil.”
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