Desde a sua fundação, a REDE GNI não posta reportagens sobre BBB e Carnaval

Mais uma vez recebemos dezenas de e-mails questionando o por que não estamos postando reportagens sobre o BBB 22 e pela vigésima segunda vez temos que dizer a mesma coisa: Desde a sua fundação (2014), a REDE GNI não posta reportagens sobre BBB e Carnaval.

Ao invés de darmos argumentos de ‘o por que não reproduzimos ou produzimos reportagens que cubram o BBB’, dessa vez vamos repostar a mensagem de um padre, o Vicário Paulo Pedro Ricardo da Christo Nihil Praeponere:


O que é o Big Brother Brasil, por que fez tanto sucesso em nosso país e por que é tão explorado pelos portais de notícias da Internet?

Trata-se de um reality show – literalmente, “show de realidade”. A ideia original desses espetáculos — cujo formato pode variar muito — é apresentar às pessoas a rotina e o dia a dia de outras pessoas reais. Ao contrário de filmes, novelas e seriados, nos quais os atores interpretam personagens, as pessoas chamadas a participar desses programas têm de interpretar tão somente a si mesmos — em um contexto todo fantasioso, no caso do Big Brotherrepleto de comidas, bebidas, lazeres… e absolutamente nenhum trabalho.

Movidas pela ânsia dos holofotes e pelo desejo da fama, são muitas as pessoas a imolar a própria privacidade no altar do reality show. Os eventuais prêmios com que os ganhadores desse programa são bonificados nem se comparam à possibilidade de todos serem vistos aos olhos da sociedade e poderem, quem sabe, ingressar em uma carreira pública — seja na própria televisão, seja no Congresso Nacional, por exemplo.

O mais intrigante, porém, é como tantos brasileiros podem perder o seu tempo com algo desse tipo. Afinal, Big Brother só está em sua 22.ª edição na rede nacional porque tem audiência suficiente para se manter. O argumento de que os entusiastas do programa se restringem a quem assiste à TV não cola. Os sítios da Internet, todos, trazem notícias sobre o que acontece na tal “casa mais vigiada do Brasil” e, impressionantemente, são essas as matérias mais lidas pelos internautas.

O que explica esse fenômeno? Por que isso acontece?

É que o Big Brother explora um vício muito característico da própria cultura brasileira, a curiosidade. (Não à toa os telespectadores são convidados pelo apresentador do programa a “dar uma espiadinha”.) Este vício consiste, segundo o parecer de São Beda, “na assistência aos espetáculos e na investigação e crítica dos vícios alheios“. Santo Tomás de Aquino, doutor da Igreja e profundo conhecedor do comportamento humano, ensina que, no que diz respeito aos sentidos, há dois modos de ser curioso: ou procurando por algo inútil ou mesmo por algo nocivo.

Olhando para o conteúdo do reality show em questão, é preciso dizer que dar-lhe audiência não consiste apenas em querer saber algo sem utilidade alguma — o que já é bastante óbvio. É que o próprio Big Brother Brasil é um espetáculo perigoso. Além de incentivar os mexericos e difamações à vida alheia — as pessoas se dividem em “panelinhas” de fofocas e as personagens consideradas impróprias são eliminadas em um “paredão” —, o programa global está repleto de cenas pornográficas, uma pior do que a outra. Desvinculando totalmente o sexo da realidade familiar, o Big Brother mina a base dos relacionamentos maduros e saudáveis e estimula os jovens a uma busca frenética e irresponsável por prazer sexual a qualquer custo. Não é exagero dizer que os pais que gostam de dar uma “espiadinha” trazem a promiscuidade para dentro de sua própria casa.

Antes que alguém chame as considerações aqui expostas de “moralismos”, importa apontar o quanto programas deste teor já destruíram a família brasileira nas últimas décadas. Só as novelas da Rede Globo — que são uma versão bem mais soft do que é o BBB — contribuíram significativamente para o aumento do número de divórcios e a queda no número de filhos no país. É que, de 115 novelas globais transmitidas entre 1965 e 1999 no horário nobre, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% delas eram infiéis a seus parceiros. Um quadro que foi se tornando, pouco a pouco, um retrato da sociedade brasileira.

Por isso, deixar de assistir à programação permissiva e liberal da Rede Globo — com suas novelas, reality shows e “Esquentas” — não é nenhum “moralismo” de fundamentalistas cristãos. É apenas a medida mais sensata que os homens de bem desse país precisam tomar para salvar a própria família e preservar o amor dentro do Matrimônio. Caso contrário, também eles cairão, assim como caiu a grande Babilônia do Apocalipse.

Paulo Pedro Ricardo


 

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