Crítica: Filme ‘Ponto Vermelho’

Um filme que vai prender seu fôlego do início ao fim. Definitivamente, um filmaço, no melhor estilo ‘Louca Obsessão’ de 1990, vencedor do Oscar de melhor atriz para Kathy Bates.

Fugindo dos clichês óbvios e cheios de reviravoltas supreendentes, ‘Ponto Vermelho’ fará você roer as unhas com o clima de suspense levado ao limite.


A Suécia é um território espremido entre a Noruega e a Finlândia, com cerca de dez milhões de habitantes e muito, muito gelo. Localizada no extremo norte da Europa, é um dos destinos mais procurados por turistas em busca da experiência inesquecível da Aurora Boreal – este fenômeno ótico fascinante que ocorre na região polar.

E é também um dos países que mais tem originado escritores de thrillers nas últimas décadas, como Stieg Larsson, da série ‘Millenium’ (cujo primeiro livro virou o filme ‘Os Homens que não Amava as Mulheres’) e Camila Läckberg, com o livro ‘A Princesa de Gelo’. É nessa pegada sombria que o espectador pode selecionar para ver o longa ‘Ponto Vermelho’, novo suspense sueco na Netflix.


SPOILERS

David (Anastasios Soulis) acaba de se formar em engenharia e pede a namorada, Nadja (Nanna Blondell) em casamento. Um ano e meio se passa e o casal perfeito agora está em crise, que piora depois de Nadja descobrir que está grávida. Para tentar salvar a relação do casal, David convida a namorada para passar um final de semana acampado num lugar remoto ao norte da Suécia, onde deveriam passar uma romântica noite ao luar observando a aurora boreal. Porém, um desentendimento com uma dupla de irmãos racistas no caminho para lá ameaça a paz do casal, e, o que era para ser um final de semana de reconciliação acaba se tornando uma verdadeira caçada.


‘Ponto Vermelho’ tem duas coisas muito, muito legais: a primeira delas é que traz esse cenário inóspito do gelo como um grande cenário ameaçador (e, quanto mais vemos filmes assim, mais vamos construindo essa ideia de que a imensidão branca não é tão bonitinha assim); a segunda é mostrar como é possível construir boas histórias com um orçamento baixo, com poucos atores, cenários reduzidos e se aproveitando dessa imensidão branca como principal elemento aterrorizante.

Apesar de um início meio deslocado que passa a sensação de pressa para chegar aos “finalmentes”, o roteiro de Per Dickson e Alain Darborg se apropria bem do estilo “caça do gato ao rato”, que se potencializa com o isolamento no gelo e constrói um thriller interessante, que prende a atenção. Porém, por outro lado, é um roteiro que joga sujo com o espectador, seja porque inclui cenas de tortura ou de menção à tortura (o que é bem pesado para o espectador comum, daí a classificação de 18 anos para o longa) como também usa de artifícios que não são apresentados na trama, por isso, ficar tentando adivinhar o que vai acontecer é uma grande perda de tempo.

‘Ponto Vermelho’ é um thriller tenso de perseguição, que faz jus aos antecessores suecos do gênero. Porém, é como um truque de mágica: se o mágico pede para você escolher uma carta e, no final, você descobre que ele escondeu a sua carta na manga, isso é legal, faz parte da brincadeira e é mérito do bom profissional que soube embaralhar bem; porém, se no final do truque você descobre que sua carta nem sequer estava no bolo, você se sente enganado, e fica com a sensação de que o mágico foi desonesto com você.


‘Ponto Vermelho’ é um dos melhores thrillers de suspense da Netflix, em muitos anos. Diversão garantida para se ver à noite e em um ambiente escuro, para potencializar o terror das cenas.

Janda Montenegro | Léo Vilhena