Crânio de Santa Rosa de Lima é preservado há mais de um século
Últimas atualizações em 23/08/2026 – 10:07 Por AFP
A Igreja Católica celebra a festa de Santa Rosa de Lima (1586–1617) em 23 de agosto, chamando a atenção para a mais significativa relíquia de primeira classe da amada santa: seu crânio, que é preservado na Basílica do Santíssimo Rosário no Convento de São Domingos na capital peruana, Lima. Frei Luis Enrique Ramírez, sacerdote dominicano e reitor da basílica localizada no centro histórico de Lima, explicou à ACI Prensa, o serviço irmão em língua espanhola da EWTN News, como a relíquia é preservada e onde é mantida dentro desta igreja histórica confiada à Ordem dos Pregadores.
“O crânio de Santa Rosa está aqui na basílica desde o final dos anos 1800, por volta da época em que este retábulo neoclássico foi criado”, explicou o sacerdote, de pé diante do relicário que abriga a relíquia de primeira classe. O relicário, que também guarda relíquias significativas de São Martinho de Porres e São João Macías, “consiste em duas partes: uma seção guarda o próprio crânio, que usa uma coroa de rosas que originalmente era de ouro, mas agora é de prata”, observou o sacerdote, acrescentando que a coroa original foi roubada.
A outra parte é uma pequena caixa contendo alguns de seus ossos, disse ele.
Há também uma toalha de mesa que ela bordou, que serve como exemplo “do trabalho que ela costumava fazer”.
O frade dominicano também observou que ao longo do tempo, seus ossos “foram divididos em fragmentos minúsculos, e relíquias de Santa Rosa de Lima são encontradas em um grande número de lugares em todo o mundo”.
A casa de Santa Rosa, localizada muito perto do Convento de São Domingos, preserva 10 objetos pertencentes à primeira santa das Américas, como seu anel de noivado com o Senhor, terra de seu túmulo e uma carta manuscrita.
Ramírez explicou que as relíquias dos santos representam “uma maneira de os fiéis compartilharem da santidade da pessoa que veneram. Estar perto do santo é uma tradição muito antiga na Igreja”.
Ao estar perto das relíquias dos santos, os fiéis podem “compartilhar de sua santidade; é uma maneira de encontrar encorajamento. É também uma maneira de ajudá-lo, em certo sentido, a se esforçar para viver sua vida em estado de graça”.
O sacerdote dominicano observou que, dado o atual comércio de relíquias e o risco de falsificações, a Santa Sé estabeleceu regulamentações mais claras e rigorosas para lidar com pedidos de relíquias de santos, particularmente para verificar sua autenticidade. Este processo requer autorização de um bispo e, no caso de Santa Rosa, dos dominicanos.
Dentro da basílica, no lado esquerdo da nave, há uma placa no chão marcando o local exato onde ocorreu o desposório místico de Santa Rosa de Lima em 1617 — o momento em que ela se consagrou inteiramente ao Senhor após ouvir as palavras “Rosa, seja minha esposa”.
Segundo Ramírez, a santa havia vindo ao local da antiga Capela de Nossa Senhora do Rosário para se despedir, pois estava se preparando para se tornar uma freira clarissa; suas amigas haviam arrecadado fundos para permitir que ela entrasse no convento com o dote exigido, como era costume na época.
“Ela veio se despedir de Nossa Senhora do Rosário representada pela imagem que naquela época estava em sua capela, exatamente onde a placa está agora, e foi aí que ocorreu o fenômeno no qual ela ficou tão pesada que não pôde ser levantada, e onde também ocorreu o desposório místico com o Menino Jesus”, explicou o frade dominicano.
“Ela percebeu que Deus não queria que ela fosse uma freira, mas sim uma leiga, então decidiu ingressar na Terceira Ordem Dominicana como leiga, aqui no Convento de São Domingos em Lima”, acrescentou.
Durante uma visita ao Museu do Convento de São Domingos, Ramírez mostrou à EWTN News uma capela “nova”, erguida há cerca de 10 anos em um espaço que anteriormente havia sido o quarto de outro frade dominicano.
“No altar principal está a imagem de Santa Rosa de Lima, a padroeira do Peru, da América e das Filipinas, que é carregada em uma liteira durante as procissões de 29 a 30 de agosto”, explicou o sacerdote.
Abaixo da imagem “está uma relíquia: a omoplata de Santa Rosa de Lima. E tudo na capela é dedicado a ela. Temos pinturas, tanto antigas quanto novas, incluindo de Santa Catarina de Sena, a quem Santa Rosa era devota, bem como imagens do ‘Doctorcito’ de Santa Rosa [‘Doutorzinho’, seu nome carinhoso para o Menino Jesus], a imagem pela qual ela tinha grande devoção”. Há também Nossa Senhora do Rosário da Confraria dos Crioulos e “a escultura mais importante: a obra em mármore de Melchiorre Cafà, que esteve presente na cerimônia de beatificação de Santa Rosa na Basílica de Santa Sabina” em Roma em 1668.
“Vamos lembrar que Santa Rosa de Lima era uma leiga; isto é, ela não era uma religiosa, mas alguém que vivia em sua própria casa”, observou o sacerdote dominicano.
Ramírez recordou como a santa trabalhou em várias tarefas, como bordado e ajudando em outras casas para contribuir com o sustento de sua família. Ao mesmo tempo, continuou, “Santa Rosa estava plenamente consciente da presença de Deus em sua vida e se dedicava a uma profunda oração mística, imitando Santa Catarina de Sena no que é conhecido como a cela interior”.
Isso, disse ele, significa que “ela não tinha uma cela física para se retirar, como em um mosteiro, mas tinha uma cela interior onde podia se refugiar, e de fato teve muitas experiências místicas a esse respeito”.
Rosa de Santa Maria, como também é conhecida, viveu uma vida “profundamente comprometida com o sofrimento e os necessitados em sua sociedade, com os pobres que precisavam de sua ajuda não apenas com seu conselho, mas também com cuidados médicos, conforto e assistência em geral”.
Desta forma, enfatizou Ramírez, Santa Rosa de Lima é “um exemplo muito contemporâneo” para qualquer católico hoje. Como Santa Rosa, disse ele, “você pode trabalhar para ganhar a vida, pode se comprometer com a oração mística e pode se comprometer com o trabalho social a serviço dos necessitados”, vivendo uma “vida comprometida dentro de nossa Igreja e, além disso, no espírito de nosso carisma dominicano”.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: How the skull of St. Rose of Lima is preserved
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