Conheça o míssil secreto dos EUA desenvolvido para superar a China
Últimas atualizações em 18/09/2026 – 20:01 Por AFP
Os Estados Unidos decidiram acelerar a produção de uma de suas armas mais sigilosas: o míssil AIM-260 JATM, míssil ar-ar de longo alcance desenvolvido para dar aos caças americanos capacidade de atingir aeronaves inimigas antes que elas consigam responder. O míssil representa uma vantagem para os EUA diante do avanço militar da China no Indo-Pacífico.
A gigante do setor militar Lockheed Martin anunciou na quinta-feira (17) um novo acordo com o Departamento de Guerra americano para ampliar rapidamente a capacidade de produção e as entregas do AIM-260. O entendimento prepara o terreno para contratos de vários anos e permite que a fabricante e seus fornecedores invistam desde já na expansão das linhas de produção.
Apesar de o programa existir há quase uma década, boa parte das características do míssil continua sob sigilo. O motivo para tanto segredo está ligado diretamente à corrida militar com Pequim.
Resposta americana ao avanço dos mísseis chineses
O desenvolvimento do AIM-260 começou em 2018 e veio a público no ano seguinte. Na ocasião, a Força Aérea americana afirmou que precisava de uma arma com alcance superior ao do AIM-120 AMRAAM (de quase 180 km), principal míssil ar-ar usado durante décadas pelos caças dos EUA. Um dos motivos citados abertamente por militares americanos foi o surgimento do PL-15, míssil chinês de longo alcance desenvolvido para equipar aeronaves como o caça furtivo J-20.
O alcance exato do AIM-260 permanece sigiloso, mas estimativas especializadas apontam para mais de 190 km. O PL-15 chinês, que ajudou a motivar o programa americano, é estimado na faixa dos 200 km. Em 2019, autoridades americanas afirmaram que o AIM-260 teria alcance superior ao AMRAAM e capacidades destinadas especificamente a enfrentar esse novo conjunto de ameaças.
O que se sabe sobre o AIM-260
Embora Washington mantenha grande parte das especificações em segredo, algumas características do míssil já são conhecidas. O AIM-260 foi projetado para caber nos compartimentos internos de armas de caças furtivos, permitindo que aeronaves como o F-22 Raptor e o F-35 Lightning II mantenham baixa assinatura de radar mesmo carregando o novo míssil.
A Lockheed Martin afirma que a arma terá alcance e eficácia superiores aos atuais mísseis ar-ar americanos e poderá ser empregada tanto por aeronaves da Força Aérea quanto da Marinha. Estimativas publicadas pela revista militar Air & Space Forces Magazine apontam que o míssil terá alcance superior a cerca de 190 km, mas esse número não foi oficialmente confirmado pelo Pentágono. Pesquisadores do think tank International Institute for Strategic Studies (IISS) apontam que o míssil terá um motor de duplo pulso e deve possuir diversas outras soluções capazes de prolongar a energia disponível durante o voo. Análise da revista Air & Space Forces considera provável o emprego de um buscador multimodo, que poderia ampliar a capacidade do míssil de localizar alvos mesmo em ambientes sujeitos a interferência eletrônica. Nenhuma dessas configurações foi confirmada publicamente pelo Pentágono.
Programa atrasou, mas já entrou na fase de produção
Quando o AIM-260 foi revelado, em 2019, a Força Aérea pretendia colocá-lo em operação por volta de 2022. Problemas de desenvolvimento e integração com os caças de quinta geração atrasaram o cronograma. Mesmo assim, documentos orçamentários mostram que Washington já começou a comprar unidades. A Força Aérea adquiriu 104 mísseis no ano fiscal de 2024 e 40 em 2025, além de separar recursos para mais de uma centena de unidades em 2026.
A Austrália também pretende comprar os mísseis. Em janeiro, o governo americano notificou o Congresso sobre uma possível venda de até 450 AIM-260, além de mísseis destinados a testes e integração, dentro de um pacote estimado em US$ 3,16 bilhões.
Por que o míssil é importante numa eventual disputa com a China
O alcance das armas ar-ar se tornou um elemento central da competição militar entre Washington e Pequim porque uma eventual guerra envolvendo Taiwan ou o Mar do Sul da China poderia colocar caças americanos e chineses frente a frente em distâncias muito maiores do que as encontradas em conflitos anteriores.
A China investiu pesadamente nos últimos anos na produção de aeronaves furtivas, radares de longo alcance e mísseis capazes de atacar não apenas caças, mas também aviões-tanque e aeronaves de comando e alerta antecipado, plataformas essenciais para manter operações americanas a milhares de quilômetros de suas bases.
Nesse cenário, o AIM-260 permite que caças furtivos como o F-22 e o F-35 tentem atacar aeronaves chinesas mantendo maior distância e sem abrir mão da vantagem proporcionada pelos compartimentos internos de armas.
A Força Aérea também estuda integrar o míssil futuramente a aeronaves não tripuladas que atuarão ao lado dos caças americanos, ampliando o número de plataformas capazes de lançar a nova arma.
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