Com ataques na retaguarda, Putin amplia controle sobre empresas
Últimas atualizações em 24/08/2026 – 11:33 Por AFP
O ditador russo, Vladimir Putin, assinou nesta segunda-feira (24) um decreto que autoriza as autoridades a assumirem o controle de infraestruturas consideradas vitais cujos proprietários não consigam garantir sua proteção contra o crescente número de ataques de drones ucranianos.
O documento, publicado no portal de informações jurídicas do Estado russo, cita como justificativa para a implementação dessa medida “a detecção de ações ineficazes” na defesa das instalações contra ataques inimigos ou violações das normas de segurança. O texto diz que a medida seria temporária.
Outro motivo para o estabelecimento do controle, segundo o decreto, seria a demora no reparo das instalações danificadas.
Após o aumento dos ataques ucranianos contra alvos na retaguarda russa e a incapacidade das defesas aéreas de proteger todo o território russo, muitas empresas foram obrigadas a tomar medidas de proteção, como a instalação de redes antidrones, sistemas de guerra eletrônica e armamento antiaéreo.
O Ministro das Finanças, Anton Siluanov, declarou na ocasião que o Kremlin não planejava financiar a segurança das empresas contra ataques de drones.
A empresa russa mais afetada por drones ucranianos nas últimas semanas foi a empresa de comércio eletrônico Wildberries, cujos sete maiores centros de distribuição foram fechados após serem atingidos, segundo informações de Kiev.
Em uma publicação no Facebook, o Serviço de Inteligência Estrangeira da Ucrânia (SFU) disse que, durante o primeiro semestre de 2026, o setor comercial russo “aumentou suas compras de sistemas antidrone em 6,6 vezes em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 5,32 milhões (441,3 milhões de rublos russos)”, aproximadamente € 4,55 milhões à taxa de câmbio atual.
“As empresas estão expandindo sua gama de equipamentos. A maior parte da demanda se concentra em detectores de drones fixos e portáteis, sistemas de alerta, bem como equipamentos para bloquear canais de controle, transmissão de dados e navegação por satélite”, observaram.
Além disso, “grandes empresas estão formando unidades móveis de resposta equipadas com dispositivos de detecção e neutralização de drones; a criação de cada unidade custa entre US$ 600.000 e US$ 850.000 (entre 50 e 70 milhões de rublos russos)”, acrescentou a agência de inteligência ucraniana.
Ojornal russo Nezavisimaya Gazeta, por sua vez, noticiou que empresas russas, particularmente as do setor petrolífero, enfrentam dificuldades na instalação de sistemas antidrone, pois necessitam de autorizações de diversas entidades russas, e não existem regulamentações que definam como construir instalações de proteção contra drones.
O jornal acrescentou que essa situação é ainda mais complicada pelos entraves burocráticos que exigem autorizações do Ministério da Defesa e da Procuradoria-Geral, sem as quais as empresas podem ser processadas criminalmente por violação da lei russa.
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