Colisão entre trens de alta velocidade na Espanha deixa ao menos 68 mortos
Últimas atualizações em 28/10/2026 – 14:26 Por Redação GNI
A colisão de dois trens de passageiros de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha, deixou ao menos 68 mortos e dezenas de feridos nesta quarta-feira, disse o governador de Castilla-La Mancha, Emiliano García Page, em um momento em que o trabalho de socorro às vítimas ainda está em andamento.
Mais de 100 pessoas ficaram feridas, com 77 precisando de atendimento hospitalar, muitos deles com ferimentos abertos e politraumatismos. Quinze encontram-se em estado crítico. O incidente já ultrapassou a letalidade do acidente ferroviário ocorrido em janeiro na província espanhola de Córdoba, que matou 46 pessoas, e torna-se o pior desde 2013, quando 80 pessoas morreram após um trem descarrilar próximo à cidade de Santiago de Compostela.
O acidente ocorreu às 8h54 (4h54 em Brasília) na linha de alta-velocidade que liga as regiões de Madri e da Andaluzia. Um trem da companhia estatal Renfe, do serviço premium AVE, que partiu da capital rumo a Sevilha com 397 passageiros, chocou-se com uma composição da empresa privada Iryo, que estava parada entre as estações de Los Yébenes e Urda, ambas em Toledo.
O segundo trem levava 147 passageiros. Com a força do impacto, quatro vagões descarrilaram e tombaram de um barranco.
— Estávamos parados e, de repente, sentimos um impacto muito forte — relatou Iñaki, de 60 anos, que viajava no vagão 2 do trem da Iryo, em entrevista ao jornal El País, ao chegar a um centro de triagem montado pelas autoridades em um ginásio em Urda. Ele acrescentou ainda que “rolou pelo chão” após a batida e, quando o trem parou, percebeu que estavam de cabeça para baixo.
Também em entrevista à publicação espanhola a partir do centro de triagem, o colombiano Jorge Guales, de 53 anos, afirmou que viajava no vagão 7 da mesma composição, e descreveu que o trem parou alguns minutos antes da colisão, relatando um “impacto” e “estrondo” “fortíssimo”.
Nicolás Tribaldos, que mora no Panamá e está fazendo turismo na Espanha, viajava no vagão 5 do AVE e conseguiu sair depois de quebrar uma janela. Após o acidente, ele diz ter ido por conta própria ao Hospital La Paz, em Madri, imaginando que as unidades de saúde mais próximas estariam sobrecarregadas com os feridos mais graves.
— Posso afirmar com certeza que o trem não tentou frear. Foi um impacto seco — contou ao El País o homem de 27 anos. — Com o impacto, fui arremessado por vários metros. Bati em uma mesa e agora tenho contusões graves no peito, mas sou grato por estar vivo.
Contexto: Ministro dos Transportes confirma falha no sistema e ordem ‘inexplicável’ antes de colisão de trens que deixou dezenas de mortos na Espanha
O ministro dos Transportes Óscar Puente classificou como “verdadeiramente inverossímil” que um acidente dessa magnitude tenha ocorrido na rede ferroviária espanhola, e chamou de “inexplicável” a decisão do centro de controle de autorizar a retomada da viagem do trem da Renfe, enquanto o comboio da Iryo permanecia parado na via. Ainda de acordo com Puente, uma falha de comunicação entre computadores de um sistema de segurança causou a parada dos trens em circulação no ramal.
— A decisão de retomar a circulação sem ter resolvido a ocorrência partiu do centro de controle. É uma decisão tomada em circunstâncias inexplicáveis — disse Puente. — Além disso, a decisão de retomar a viagem foi tomada sem qualquer limitação de velocidade.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, cancelou todos os compromissos eleitorais e de sua agenda como chefe de governo para acompanhar os trabalhos do terreno. Em um posto de comando estabelecido na cidade de Los Yébenes, o premier prestou solidariedade às vítimas e suas famílias”, e estabeleceu como prioridades “o resgate do maior número de pessoas vivas” e o atendimento dos pontos de vista “material e psicológico” dos feridos. Ele também prometeu esclarecer o caso.
— Vamos chegar até o final. Se houve negligências, virá à tona; Se houve falha no sistema, responderemos com total contundência — afirmou Sánchez, que busca a reeleição na disputa marcada para 29 de novembro. — Serão tomadas todas as medidas consideradas necessárias, com total firmeza, para reconstruir essa confiança em nosso sistema de alta velocidade
