cientistas desvendam como os diamantes chegam à superfície
Últimas atualizações em 27/02/2026 – 14:32 Por AFP
A mais recente descoberta de como os diamantes chegam à superfície revela que erupções vulcânicas ultrarrápidas e explosivas são as responsáveis por transportar as pedras preciosas das profundezas do manto terrestre, até a camada entre a crosta e o núcleo da Terra.
Pesquisadores da Universidade de Oslo publicaram, em setembro de 2025, um estudo na revista Geology detalhando o mecanismo químico por trás desse processo raro.
A cientista Ana Anzulović e sua equipe utilizaram modelos avançados para entender o magma kimberlítico, um material vulcânico capaz de viajar a velocidades de até 130 km/h, partindo de profundidades superiores a 150 quilômetros.
O estudo esclarece como as pedras resistem à jornada sem se transformarem em grafite – a forma estável do carbono em baixas pressões. A descoberta científica traz novas perspectivas para a geologia e para a compreensão da dinâmica do planeta.
Como e onde os diamantes se formam dentro da Terra?
A origem dos diamantes ocorre em regiões profundas do manto terrestre, sob pressões e temperaturas extremas. Nestas condições, a mais de 150 quilômetros da crosta, os átomos de carbono se cristalizam para formar a gema. No entanto, o cristal só sobrevive à viagem se o transporte for realizado de maneira veloz.
O mecanismo de como diamantes chegam à superfície depende dos kimberlitos, que são tubos vulcânicos. Eles funcionam como elevadores naturais de magma.
Os vulcões raros capturam as pedras preciosas no manto e as impulsionam para cima antes que o calor as transforme em grafite, o carbono comum utilizado em lápis.
Durante a subida, o magma arranca pedaços de rochas chamados xenólitos, fragmentos vindos de grandes profundidades. Ele também carrega xenocristais, que são cristais individuais, como o diamante.
Esses elementos servem como um registro químico do caminho percorrido, ajudando cientistas a mapear o interior do planeta de forma precisa.
Qual mecanismo “explosivo” permite a ascensão do magma?
A ascensão de magma kimberlítico ocorre devido à flutuabilidade do material em relação às rochas vizinhas. Ao simular as pressões do manto, os cientistas da Universidade de Oslo descobriram que o magma precisa ser menos denso para subir. O modelo químico testou diferentes misturas para entender como o material atravessa a crosta sem interromper o seu fluxo.
Ana Anzulović, pesquisadora líder do estudo, explica que o processo funciona como coletar amostras do kimberlito em diversos pontos de pressão. Os modelos mostraram que o magma consegue carregar até 44% de peridotita, um tipo de rocha densa do manto terrestre.
A carga pesada consegue atingir o topo porque o fluido permanece em movimento acelerado durante toda a jornada. A velocidade de 130 km/h é impulsionada pela baixa viscosidade (resistência ao escoamento) do magma enriquecido.
Logo, esse mecanismo “explosivo” permite que os diamantes atravessem a Moho, que é a linha sísmica de transição entre o manto e a crosta. Sem essa rapidez, os cristais sofreriam alterações químicas antes de alcançarem a superfície.
Por que as erupções são tão raras?
O processo de como diamantes chegam à superfície é um vulcanismo raro que depende de compostos voláteis, elementos que se transformam em gás rapidamente. O estudo de 2025 revela que, sem o dióxido de carbono, o magma torna-se denso e permanece preso no manto.
O equilíbrio químico explica por que as chaminés vulcânicas são escassas e localizadas em áreas continentais muito antigas.
A raridade também decorre do movimento das massas de terra. Segundo o Dr. Tom Gernon, da Universidade de Southampton, as erupções seguem o ritmo de formação e quebra de supercontinentes.
O estudo de 2023 feito por Gernon em colaboração com pesquisadores de universidades da Europa, América do Norte e Austrália, aponta que o fenômeno ocorreu cerca de 30 milhões de anos após a separação continental.
Pesquisa geológica recente aponta papel do CO2 e da água
A química do manto revela que o dióxido de carbono e a água funcionam como os componentes que explicam como diamantes chegam à superfície.
A água atua aumentando a difusividade, ou seja, a facilidade com que as moléculas se movem no fluido, o que mantém o magma móvel. O estado de fluidez permite que o material vulcânico deslize pelas fendas das rochas.
O dióxido de carbono exerce uma função estrutural sob altas pressões, mas muda de comportamento ao se aproximar da crosta terrestre. Próximo à superfície, o gás se desprende do líquido em um processo chamado de desgaseificação. Isso gera a pressão necessária para impulsionar a erupção para cima com força explosiva.
A pesquisadora Ana Anzulović demonstrou que o kimberlito de Jericó, no Canadá, exige pelo menos 8,2% de carbono para entrar em erupção.
“Fiquei realmente surpreendida ao descobrir que posso pegar um sistema tão pequeno e realmente observar: ‘Ok, se eu não colocar carbono, esse magma será mais denso que o cráton, então isso não irá erupcionar,’” afirmou Anzulović em um comunicado. “É ótimo que modelar a química do kimberlito possa ter implicações para um processo em tão grande escala.”, completa.
Novas perspectivas para a exploração de diamantes e estudos geológicos
As pesquisas geológicas recentes oferecem ferramentas para otimizar a mineração ao gerar conhecimento que indica onde procurar depósitos de diamantes em continentes antigos, ainda escondidos em tubulações profundas. A estratégia de exploração torna-se mais precisa com esses dados.
A compreensão sobre os processos do manto terrestre também é necessária para a geodinâmica. O estudo relaciona movimentos atômicos minúsculos a eventos de escala continental.
As próximas etapas da ciência testarão se outros vulcões seguem o padrão observado no Canadá, segundo Gernon. O avanço tecnológico pode ajudar a decifrar os demais mistérios que se escondem no interior do planeta Terra.
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