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Cheiro insuportável de cadáveres tomam conta de La Guaira, onde desamparo aprofunda tragédia da Venezuela

O governo reconhece oficialmente 1.550 mortos. A ONU estima em mais de 50 mil o número de desaparecidos

Últimas atualizações em 29/06/2026 – 17:16 Por Redação GNI

O cheiro da morte tomou conta de La Guaira, a cidade mais impactada pelos devastadores terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira.

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No balneário turístico com praias caribenhas de mar azul, localizado a 26 km de Caracas, centenas, talvez milhares, de corpos se decompõem sob os escombros dos edifícios que não suportaram abalos sísmicos de 7,2 e 7,5 de magnitude.

Com a demora do governo venezuelano em responder ao desastre, morreram muitos dos que sobreviveram num primeiro momento aos desabamentos. Sem estrutura, sem equipamentos e sem coordenação, a retirada dos cadáveres é lenta e caótica.

Muitas vezes, familiares e vizinhos realizam o trabalho com pás, picaretas e suas próprias mãos. Pelas ruas da cidade não é raro encontrar grupos de corpos reunidos nas calçadas à espera de destino mais digno.

Tudo ainda é mais dramático nos necrotérios. No sábado, ao menos duas centenas de cadáveres apodreciam sob o sol de mais de 30ºC no estacionamento da Morgue de La Guaira.

Muitos estavam desnudos, inchados, vertendo líquido sobre o asfalto quente. Familiares em busca de parentes circulavam em torno dos cadáveres tentando identificar entes queridos entre corpos já desfigurados, dilacerados pela violência de seus ferimentos.

Muitos choram, outros vomitam diante da cena de horror. Mulheres, homens, crianças, quase todos em rigor mortis, traduziam uma tragédia da qual ainda não se sabe a dimensão exata.

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Redação GNI

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