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Boulos reconhece que saída do PSOL para o PT pode comprometer futuro do partido

Últimas atualizações em 24/03/2026 – 13:07 Por Gazeta do Povo | Feed

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, reconheceu que sua possível saída do PSOL para o PT pode comprometer o futuro da atual legenda, que deve perder importantes quadros e sofrer alguma penalidade da cláusula de barreira. Isso ocorre dias depois de uma dissidência do partido criticá-lo fortemente pela mudança, alegando que ele estaria abrindo mão dos princípios da sigla para se juntar ao grupo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Boulos diz que sua possível saída será decidida até o dia 4 de abril, prazo limite para mudanças partidárias antes do registro de candidaturas. De acordo com ele, o debate interno envolve uma avaliação estratégica sobre o papel da esquerda no país e a necessidade de ampliar sua base eleitoral.

“Nós não acreditamos em uma esquerda que pregue só para convertido, não busque disputar maiorias na sociedade e não põe o pé no barro. Esse não é modelo de esquerda que a gente defende”, afirmou em entrevista ao UOL na noite de segunda (23).

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Apesar disso, Boulos reconheceu o peso político do PSOL e admitiu que uma saída em bloco pode ter consequências graves para a legenda. A eventual debandada dificultaria o cumprimento da cláusula de barreira, colocando em risco a estrutura partidária.

“Uma saída do nosso grupo agora praticamente inviabilizaria a existência institucional do PSOL. […] Com todas essas lideranças saindo, a dificuldade do partido de ultrapassar a cláusula de barreira se tornaria ainda maior, talvez quase como uma inviabilidade”, completou.

A movimentação ocorre em meio a uma crise interna no PSOL, agravada após uma ala dissidente divulgar uma carta criticando a possível migração de Boulos e aliados para o PT. O grupo acusa o ministro de ter construído um discurso favorável à federação partidária como estratégia para justificar a saída.

No documento, a dissidência afirma que a decisão de mudança teria sido tomada ainda no fim do ano passado e questiona a condução política do processo. O texto também sugere que a tentativa de federação com o PT teria servido como narrativa para evitar desgaste da saída de Boulos.

A proposta de federação defendida por Boulos não teve apoio unânime dentro do partido e encontrou resistência de lideranças relevantes, como a deputada federal Sâmia Bomfim e Luiza Erundina (PSOL-SP) e Glauber Braga e Chico Alencar (PSOL-RJ), que votaram por seguir na federação com a Rede Sustentabilidade.

A divergência expôs um racha interno e ampliou a tensão entre correntes do PSOL. No entanto, mesmo com essas disputas internas, o partido decidiu manter apoio à reeleição do presidente Lula parte da estratégia do que classifica como enfrentamento à direita no cenário político nacional.

Boulos, que se filiou ao PSOL em 2018, ganhou projeção nacional ao disputar a presidência da República e, posteriormente, a prefeitura de São Paulo em duas ocasiões.

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