Banco Master realizou pagamentos milionários a políticos
Últimas atualizações em 08/04/2026 – 20:19 Por Gazeta do Povo | Feed
Dados da Receita Federal indicam que o Banco Master declarou pagamentos milionários a escritórios de advocacia e empresas ligadas a figuras políticas. A informação foi revelada nesta quarta-feira (8) pelo jornal Folha de S.Paulo, com base em documentos enviados pelo Fisco à CPI do Crime Organizado.
A lista abrange diversos espectros políticos, incluindo nomes como Michel Temer (MDB), Antonio Rueda (União), ACM Neto (União) e os ex-ministros Guido Mantega (PT), Fabio Wajngarten (sem partido), Henrique Meirelles e o ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski.
Segundo o jornal, o banco controlado por Daniel Vorcaro pagou R$ 10 milhões ao escritório de Michel Temer em 2025. O ex-presidente, contudo, afirmou à Folha ter recebido R$ 7,5 milhões (em duas parcelas de R$ 5 milhões e R$ 2,5 milhões) por serviços de mediação.
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Já Henrique Meirelles teria recebido R$ 18,5 milhões entre 2024 e 2025. O ex-ministro confirmou a prestação de consultoria macroeconômica, mas ressaltou que rescindiu o contrato em julho de 2025 por baixa demanda. Outros repasses citados incluíram ainda:
- Guido Mantega (Pollaris Consultoria): R$ 14 milhões. Ele não foi encontrado para comentar
- Antonio Rueda (União Brasil): R$ 6,4 milhões via dois escritórios. Rueda questionou a legalidade do vazamento dos dados e defendeu o caráter técnico dos serviços.
- ACM Neto (A&M Consultoria): R$ 5,45 milhões entre 2023 e 2025. A empresa confirmou o serviço, mas não validou os valores.
Jaques Wagner
Documentos indicam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu R$ 289 mil como pessoa física. O parlamentar negou pagamentos diretos do banco, sustentando que o valor refere-se a rendimentos de aplicações financeiras. Adicionalmente, o Master pagou R$ 12 milhões à BN Financeira, de Bonnie Bonilha, nora do senador. A empresa afirmou que os serviços — que incluem prospecção e convênios de crédito — foram “regulares, contabilizados e declarados”.
Núcleo Ligado ao governo anterior
O ex-ministro da Comunicação de Jair Bolsonaro Fabio Wajngarten recebeu R$ 3,8 milhões, segundo documentos. Ele afirmou ter sido contratado para a equipe de defesa de Vorcaro em 2025 e destacou que o contrato possui cláusulas de confidencialidade.
Além dele, a empresa do ex-ministro Ronaldo Bento recebeu R$ 6,2 milhões do banco.
Repasses a Ratinho no Paraná
Os mesmos documentos enviados pela Receita à CPI do Crime Organizado indicam que duas empresas do Grupo Massa, do apresentador Ratinho, pai do governador do Paraná, Ratinho Junior, receberam repasses do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ao todo, as empresas somam pelo menos R$ 24 milhões em transações registradas do banco.
Conforme os documentos obtidos e divulgados nesta quarta-feira (08/04) pelo jornal Folha de S. Paulo, os repasses ocorreram entre 2022 e 2025 para dois negócios: Massa Intermediação e Gralha Azul Empreendimentos e Participações.
Para a Massa Intermediação, de Carlos Roberto Massa, o apresentador Ratinho, foram repassados R$ 21 milhões entre 2022 e 2025. Já a Gralha Azul Empreendimentos e Participações, que pertence ao Grupo Massa, somou R$ 3 milhões em 2022.
Ratinho fez propagandas do CredCesta, um cartão consignado do Banco Master e voltado para servidores públicos, com a proposta de permitir compras e saques vinculados à folha de pagamento. Assim como em diversos estados, o cartão era ofertado para servidores do Paraná e teve o uso bloqueado em novembro de 2025.
De acordo com nota enviada pelo Grupo Massa à Tribuna do Paraná, “o governador Ratinho Jr não faz parte do quadro societário das empresas Massa Intermediação e Gralha Azul.”
Outros nomes também aparecem nos documentos enviados à CPI, como Michel Temer, Antônio Rueda, ACM Neto, Guido Mantega, Fábio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.
O que são as empresas citadas nos repasses do Banco Master
A Massa Intermediação e Assessoria Empresarial está ativa desde 2021 e tem sede em Marumbi, na região norte do Paraná. Conforme consta no registro, a empresa presta consultoria em gestão empresarial.
A Gralha Azul Empreendimentos e Participações está inscrita no bairro Parolin, em Curitiba, no mesmo endereço onde funciona a Rede Massa. O registro aponta que a principal atividade econômica do negócio é intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral.
Grupo Massa se manifesta
Procurado pela Tribuna do Paraná, o Grupo Massa afirmou, por meio de nota, que “possui mais de 30 anos de atuação em diversos setores econômicos. Ao longo desse período, construiu uma trajetória pautada por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas marcas e empresas. Sua atuação não se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve relações contratuais. No caso dos contratos citados, esclarecemos que o governador Ratinho Jr não faz parte do quadro societário das empresas Massa Intermediação e Gralha Azul.”
Também procurada pela Tribuna do Paraná, a defesa de Daniel Vorcaro disse que não vai se manifestar sobre o tema. Ele foi preso pela segunda vez na Compliance Zero, e foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília, onde tem recebido, com frequência quase diária, a visita de advogados para desenhar as linhas da delação premiada que deve fazer.
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