Anitta ficou em 1º lugar no Spotify mediante à fraude

A gravíssima denúncia é da jornalista Carol Prado da Rede Globo, do Portal Globo de Comunicações e do site  G1.


“Paradinha” foi a maior tacada de Anitta em direção à fama internacional. Gravado em Nova York, o clipe da música em espanhol soma mais de 75 milhões de visualizações e chegou a ficar entre os vídeos em alta do YouTube nos Estados Unidos. O que nem todo o mundo sabe é que alguns dos “fãs” conquistados pelo hit fora do Brasil são, na verdade, brasileiros.

No país que domina a internet, um grupo elaborou uma estratégia meticulosa, que inclui uma espécie de disfarce virtual, para ajudar a mostrar ao mundo o quadradinho da cantora – e fazê-la parecer mais famosa no exterior. A tática é dividida em quatro eixos:

  • YouTube: Fãs brasileiros usam uma rede VPN – ferramenta de acesso remoto, que simula para um computador uma localização geográfica diferente da real – para acessar o clipe de “Paradinha” como se estivessem no exterior. Com o aumento da audiência, a cantora pode ganhar mais destaque no site fora do Brasil
  • Spotify: Usando a mesma técnica para conseguir um IP (espécie de número de identidade de um computador) dos EUA, eles ouvem no repeat a música . As reproduções na plataforma de streaming contam para a parada da revista americana “Billboard”
  • Rádios: Por meio de redes sociais, WhatsApp e telefone, eles pedem “Paradinha” em rádios da América Latina, EUA, Europa e Brasil. O site Central Anitta tem tuites prontos, com a @ das rádios e o nome da música. Basta clicar em “enviar”
  • Redes sociais: Para chamar a atenção dos gringos, os fãs lotam as redes sociais com frases e hashtags sobre a cantora em inglês e espanhol

“Ensinamos em tutoriais a mudar e camuflar o IP para que cada visualização e play na música seja contabilizado com o IP dos EUA”.

A explicação acima é do estudante de administração Lucas Porto, 20, fundador do Central Anitta, um dos maiores agregadores de conteúdo sobre a brasileira na internet. Uma página dentro do site informa, passo a passo, o que é preciso para conseguir o IP falso com uma ferramenta de extensão do navegador.

Fantasiados de americanos, os fãs acessam sem parar a música no YouTube e Spotify para, assim, tentar emplacar Anitta no ranking da “Billboard” – a tabela musical padrão dos EUA considera, além de dados de vendas e rádios, atividades de streaming fornecidas por serviços de música on-line.

“Quanto mais a música conseguir destaque nessas plataformas, mais as pessoas terão facilidade para conhecer o trabalho da Anitta”, justifica Lucas. Segundo a advogada especialista em direito digital Gisele Truzzi, em teoria e numa interpretação extrema, a prática poderia ser enquadrada no crime de estelionato, mas muito provavelmente seria considerada insignificante pela Justiça.

“Esses fãs estão obtendo para a Anitta uma vantagem, induzindo outras pessoas ao erro. É uma situação bem semelhante ao que acontece com a compra de seguidores ou likes nas redes sociais. Quem faz esse tipo de operação pode, em tese, estar cometendo o crime de estelionato.”

A especialista explica que, nesse caso, não há o objetivo de prejudicar alguém e, por isso, a irregularidade poderia ser reduzida ou desqualificada.

Vocês pensaram que eu não ia tietar hoje?

 

“É uma estratégia muito eficaz, inteligente”, elogia a estudante Juliana, 17, fã de Anitta desde 2014, quando as músicas da cantora a ajudaram “em um momento delicado”. Além de mudar o IP, ela pede “Paradinha” em rádios internacionais – principalmente latinas – por meio das redes sociais e WhatsApp e usa hashtags para chamar a atenção do público gringo.

Lucas não tem controle sobre o número de pessoas na iniciativa, mas diz que, desde o lançamento em maio, a página dedicada a bombar “Paradinha” já teve cerca de 19 mil acessos. Com atividades separadas por horários, a estratégia é organizada pelo Central Anitta em maratonas, que geralmente acontecem nos fins de semana e duram mais de cinco horas.

A estudante Juliana Mathias, 19, porém, costuma se dedicar ainda mais. Ela conta que estuda à noite e destina seu tempo livre à tarde a Anitta, durante toda a semana. “Ela é uma grande inspiração para todos nós. Sempre teve foco nos objetivos e isso influenciou e ainda influencia todos que acompanham seu trabalho”, diz. E completa:

“Ela é muito determinada e surpreendente. Não consigo nem imaginar até onde ela pode chegar.”

A outra Juliana imagina, e se apega muito mais aos atributos da cantora do que à ajudinha dos fãs: “Ela pode chegar muito longe, e não digo isso só porque a admiro. Ela é inteligentíssima e, principalmente, persistente. Lutou muito para conquistar o que conquistou aqui no Brasil. Sabemos que lá fora será um outro início e terá que batalhar da mesma forma, mas ela é capaz, com certeza.”

Procurada pelo G1 para comentar a tática dos fãs, a assessoria de Anitta não respondeu.

Carol Prado, G1



Anitta esteve no primeiro lugar do Spotify por fraude no algoritmo, diz site

Reportagem Site Terra Brasil Notícias: Envolver”, de Anitta, chegou ao primeiro lugar no Top Global da plataforma de música Spotify em 25 de março, com 6,4 milhões de execuções (4,1 milhões vindas do Brasil). Desde então, o hit vem se mantendo entre as dez músicas mais ouvidas.


Além do público, houve uma campanha para afetar os algoritmos do aplicativo de música, que determinam quem vai para o topo dos “charts” (a gíria dos fãs de música pop para o ranking das canções mais ouvidas).


Em vez de assumir a autoria da iniciativa, o time de Anitta deferiu aos próprios fãs. Em 14 de março, sua conta no Twitter retuitou um seguidor que ensinava, passo a passo, como criar mais de uma conta e elaborar playlists em que “Envolver” tocaria várias vezes, ao longo de horas.


Era uma estratégia perfeita para driblar as exigências do Spotify – por exemplo, se você só clicar na música e apertar o botão de “repetição”, os algoritmos conseguem detectar e não contabilizam o play.


“Envolver 20x”

Foi como um rastilho de pólvora: o site Rest of World identificou mais de 100 playlists com nomes como “Envolver #1”, “Stream Envolver”, “Envolver stream party”, and “Envolver 20x”. Muitas delas diziam na descrição que o objetivo era levar Anitta ao topo. Algumas traziam mais instruções “algoritmicamente corretas”: “toque uma vez por dia, não deixe no modo aleatório e aumente o volume”.

O ritmo da ascensão de Anitta também foi calculado. O Spotify publica seus rankings diariamente, e os dados foram utilizados para expandir a campanha de maneira orgânica, sem exageros. Qualquer disparada fora do comum poderia acionar um “sinal de alerta” no sistema, e considerá-lo injustamente o trabalho de bots, que são estritamente proibidos.

Outros dois elementos-chaves foram o apoio de famosos e a viralização em plataformas como TikTok e Instagram. Celebridades incentivaram o “Envolver challenge” (desafio que fãs devem imitar): uma coreografia em posição de “prancha”, com movimentos do quadril e dos braços. A execução da música nesses vídeos rápidos também é contabilizada para calcular sua posição nas paradas.

Essa manipulação das “regras do jogo” levantou discussões interessantes. A Folha de São Paulo verificou que, segundo os dados do próprio Spotify, a grande maioria dos ouvintes de Anitta eram do Brasil, e não dos países-alvo da cantora, que lançou “Envolver” especificamente com o objetivo de consolidar uma carreira internacional.

Bomba: Anitta esteve no primeiro lugar do Spotify por fraude no algoritmo, diz site

Leia Também

Operação policial no Rio de Janeiro termina com 11 mortos

Leia Mais

Jovem é tatuada à força com nome de ex-namorado no rosto

Leia Mais

Mulher é esfaqueada e escapa de feminicídio com a ajuda da babá e filhos

Leia Mais