“Abril Vermelho” do MST teve invasões e mobilizações em 13 estados em 15 dias
Últimas atualizações em 16/04/2026 – 13:25 Por Gazeta do Povo | Feed
O chamado “Abril Vermelho”, promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), já realizou ações como invasões de terras e de prédios públicos, mobilizações e marchas em 13 estados e no Distrito Federal em apenas 15 dias. De acordo com um balanço divulgado pelo próprio grupo nesta quinta-feira (16), os atos reuniram cerca de 16 mil militantes em 20 municípios.
As ações incluem invasões de terras consideradas por militantes como improdutivas, além da ocupação de sedes de órgãos públicos como o Incra. O MST afirma que ainda há cerca de 145 mil famílias acampadas à espera de assentamentos.
As ações do “Abril Vermelho” fazem parte da chamada Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, que segue até o dia 17 de abril, data que marca os 30 anos do episódio que ficou conhecido como “Massacre de Eldorado do Carajás”, no Pará, quando 21 trabalhadores rurais foram mortos em um confronto com a polícia no ano de 1996.
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Segundo o balanço do MST, o principal foco das atividades ocorreu no Pará, com atos simbólicos e marchas com cerca de 3 mil militantes. Já no Tocantins, famílias ligadas ao movimento ocuparam áreas que, segundo eles, seriam terras públicas ou alvo de irregularidades, enquanto no Maranhão e na Paraíba manifestantes ocuparam prédios federais para pressionar por avanços na reforma agrária.
Na Bahia, uma marcha de mais de 2 mil pessoas percorreu cerca de 120 quilômetros até Salvador, onde representantes do movimento se reuniram com o governo estadual. O objetivo foi apresentar demandas e discutir a implementação de políticas públicas voltadas ao campo.
Em Pernambuco, Ceará e outros estados do Nordeste, militantes invadiram fazendas reunindo centenas de famílias que reivindicam desapropriações e criação de assentamentos. Em alguns casos, os manifestantes também defenderam o uso de áreas para programas habitacionais.
No Sudeste e Centro-Oeste, as mobilizações incluíram protestos em órgãos públicos, reuniões com autoridades e participação em marchas de trabalhadores. Em Brasília, lideranças do MST apresentaram reivindicações ao governo federal e participaram de atos com pautas trabalhistas mais amplas.
Rusgas com Lula
Em meio às mobilizações, o MST reafirmou a estratégia de pressão por meio de invasões e atos públicos, o que pressiona diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliado histórico do movimento. No entanto, ao longo deste terceiro mandato, as relações têm sido conturbadas por conta da lentidão no andamento da reforma agrária.
No ano passado, o MST enviou uma dura carta ao presidente cobrando o assentamento de 122 mil famílias organizadas em 1,2 mil acampamentos no país. O movimento ainda acusou o governo de morosidade, que estaria potencializando “ainda mais os conflitos sociais”.
“Após quase três anos de Governo Lula, a Reforma Agrária continua paralisada e as famílias acampadas e assentadas se perguntam: ‘Lula, cadê a Reforma Agrária’”, questionou o movimento. […] A morosidade do Governo, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), só aumenta o desânimo e potencializa ainda mais os conflitos sociais”, afirmou o movimento.
Em resposta à Gazeta do Povo na época, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) afirmou respeitar o papel dos movimentos sociais, mas disse que “a verdade é que o governo Lula 3 caminha para bater recordes históricos na reforma agrária”.
“Ao contrário do que diz a carta do MST, a reforma agrária no Brasil retomou o ritmo dos dois primeiros governos do presidente Lula. Em 2025 foram obtidos e disponibilizados 13.944 novos lotes para assentamentos, número comparável aos dos governos Lula 1 e 2”, afirmou o MDA em nota.
O ministério afirmou, ainda, que desde 2023 foram obtidos 17.297 lotes e gastos R$ 1,1 bilhão na aquisição de terras.
Gazeta do Povo
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