A rotina nada glamourosa de um jornalista

Quando me perguntam o que eu faço da vida e eu digo que sou jornalista profissional (Formado) logo vem uma expressão: ‘UAU‘.

Essa manifestação de espanto é por que as pessoas lembram e associam o jornalismo ao Willian Bonner, Fátima Bernardes, Mirian Leitão e outros jornalistas glamourosos e milionários que vivem em exposição na Vênus platinada.

Mas nem todos são o Bonner…

Esse editorial nasceu nessa madrugada, por volta das 03h45 enquanto eu conversava com uma amiga e contava a ela a minha rotina.

Mas o jornalismo não se resume as estrelas das ‘news’ e nem todos os jornalistas estão no topo da pirâmide.

Ele vai muito mais além e existem milhares de jornalistas que mantém uma rotina nada glamourosa.

E eu me encaixo nessa segunda turma.

Deixa eu te contar a minha rotina ‘normal’:

De Segunda à Segunda eu acordo as 05h ou 05h30 para começar a jornada as 06h da manhã. Sem folga ou férias, por que a notícia não para.

E mantenho uma pesada carga de trabalho até as 21h ou 22h, repito, de Segunda à Segunda, e isso se não estiver acontecendo alguma notícia ‘quente’ (plantão), porque aí não temos horário para dormir, descansar ou curtir a família.

E você acha que das 22h as 05h eu durmo?

Eu diria que eu deito para descansar e cochilar, mas com dois celulares e 1 tablet na cabeceira da cama, ligados, e se acontecer algum fato novo de alcance nacional ou internacional e meus aparelhos tocarem, seja a hora que for, lá vou eu para a minha estação de trabalho.

Essa pesada rotina se deve ao fato de ser o Editor-Chefe da REDE GNI, porém vai além disso, eu acumulo a tarefa de Programador de Computadores e Programas, ou seja, faço o trabalho de um Analista de Sistemas. Também sou formado pela Google Brasil em Analista.

Ao todo somos 15 colaboradores, todos jornalistas formados, mas ninguém além de mim tem as senhas de acesso ao site principal da REDE GNI. Os jornalistas garimpam a informação, checam e re-checam as fontes, editando a pauta e mandam as reportagens para mim em um grupo privado. Eu leio, faço as últimas verificações jornalísticas e coloco no site da empresa se for uma notícia confiável. Desde 2014 nunca fomos processados por Fake News, por que eu tenho um esmero cuidado.

Além disso eu mesmo busco as minhas pautas, escrevo, reviso, edito, posto e compartilho.

Generosamente eu mando via Whatsapp e Telegram as principais reportagens para os amigos mais próximos e mantenho essa pegada desde 2010.

Sem férias ou glamour.

E isso para receber bem menos do que as pessoas imaginam.

Como disse no início elas associam o meu trabalho e salário ao Willian Bonner, mas deixa eu te contar um segredo, eu não ganho nem o dízimo do salário do Bonner…

Um site de Notícias recebe de três maneiras:

  1. Quando as pessoas acessam. Esses acessos são pagos pela Google através da Google Adsense, sediada em Atlanta – EUA, e recebemos no Brasil via CEF ou BB;
  2. Anunciantes;
  3. Parceiros comerciais.

Todos os lucros são divididos por 16 pessoas e você acha mesmo que estamos ricos?

Tudo isso estou te contando para desmistificar a ‘glamourosa’ profissão de um Jornalista e para cada um de vocês terem mais carinho quando lhe enviamos uma notícia.

As vezes as pessoas nem acessam mesmo diante de todo o trabalho que mantemos e outras ainda perguntam: ‘O que aconteceu?‘ Não se dão ao trabalho nem de acessar e ler…

Para ter uma estação de trabalho eficiente, eu uso 2 noteboooks (preciso de mais 1), 2 tablets, 1 estação de Impressão profissional e 3 celulares (e outros acessórios externos, como HDs e CDs-Roms). Todo esse investimento (em torno de R$ 20.000,00) para deixar você bem informado com as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Cada reportagem ou postagem leva de 45 minutos à 1 hora e meia para serem postadas. Cada uma.

E mesmo assim tem gente que não dá valor ao nosso trabalho. As pessoas não sabem como dói vermos o nosso trabalho desprezado: “Não tenho tempo de acessar, me conta aí…”

Vou te contar algo que aconteceu comigo para finalizar e você entender como é a nossa vida.

No dia 8 de março de 2014, eu e a minha ex-mulher estaríamos comemorando aniversário de casamento e para tal, levamos as crianças para a casa da minha ex-sogra e compramos roupas novas para a ‘noite de gala’.

Reservamos uma mesa no restaurante mais chic de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e reservamos a melhor suíte de um dos mais luxuosos hotéis da capital do pantanal.

Até aquele momento os gastos giravam em torno de R$ 2.500,00 era um investimento que valia a pena. Era uma data muito importante para nós. Planejamos a noite perfeita.

Tomei banho e comecei a me arrumar e ela foi tomar o banho dela.

Tudo estava pronto para iniciar as comemorações.

Foi quando chegou a notícia do desaparecimento do voo Malaysia Airlines MH370 com 239 passageiros e tripulantes.

Ela também é jornalista, desistimos de toda a programação e ficamos 3 dias e 3 noites cobrindo as buscas pelo avião desaparecido, por que como Editor-Chefe, todas as notícias passavam por mim como já expliquei anteriormente.

Foi a primeira vez que alcançamos 5 milhões de acessos em menos de uma semana (nunca mais tivemos tantos acessos) e o que recebemos, cobriu o que gastamos e ainda sobrou.

Essa é a vida nada glamourosa de um jornalista.

Léo Vilhena


Minha simples estação de trabalho