A profissão mais desvalorizada e ingrata do mundo: Jornalista!

Todo ano, o site americano CareerCast.com elenca uma lista de 200 profissões, classificando-as da melhor à pior a partir de cinco critérios: ambiente de trabalho, salário, nível de estresse, exigência física e condições de contratação. Após alguns anos figurando entre as dez piores, a profissão de repórter/jornalista de jornal chegou ao fundo do poço, ficando em 200◦ lugar na lista (último lugar), atrás de lenhador, militar e trabalhador de fazenda de gado.

Conforme reiteram os sindicatos, a rotina dos trabalhadores dos jornais é de pelo menos 10 à 12 horas por dia, sem contar os plantões. Os repórteres, diagramadores e redatores começaram a registrar entrada e saída do trabalho apenas em março de 2011, mas os editores e subeditores são contratados em condição de “emprego de confiança” com horário flexível, ou seja, não batem cartão. Em termos práticos, como eles têm de fazer a pauta para o dia seguinte e fechar o jornal, acabam trabalhando entre nove e 11 horas por dia, sem receber remuneração pelas horas extras.

Dos jornalistas atuantes na mídia, 59,8% possuem carteira assinada. Outros dados demonstram como variadas formas de contratação têm sido adotadas. Ao somar o número de freelancers (11,9%) com os jornalistas que possuem contrato de prestação de serviços (8,1%) e os que firmaram contrato de pessoa jurídica, os PJs (6,8%), são 26,8% de todos os trabalhadores de mídia. O percentual de freelancers em atuação na mídia é duas vezes maior que o de freelancers fora da mídia.

Tem mais: segundo a pesquisa da UFSC, a maioria dos profissionais é composta por mulheres de até 30 anos, e é justamente esse grupo que integra a menor faixa salarial da categoria; as mulheres são minoria em todas as faixas superiores a cinco salários mínimos. Apenas 8% dos jornalistas têm mais de 50 anos.

JORNALISMO É CONTAR A VIDA COMO ELA É

Contamos histórias de milagres, superações, histórias que motivam e faz de nós seres e pessoas melhores, que nos fazem sorrir, ficar com a alma leve, mas também contamos desgraças e tragédias…

E contamos histórias que ninguém quer que se conte…

E por causa destas, sofremos pressões.

Ameaças de morte, ameaças de processos, reclamações, pressões, ‘cancelamentos’ por causa de reportagens e matérias que não agradam alguém ou algum grupo, esse é o estresse que é relacionado na pesquisa, citada no início deste editorial.

Na maioria das vezes o próprio profissional não tem prazer em contar uma história (jornalismo é a arte de contar histórias), na maioria das vezes ele chora, fica triste ou até ‘devastado’ com tragédias, como vimos essa semana em um link ao vivo na TV Globo o experiente jornalista Flávio Fachel, durante um link ao vivo no RJTV1, chorar ao narrar ‘in loco’ a tragédia em Petrópolis.

Jornalista e repórter também é pai, mãe, filho, neto, sobrinho, tio, afilhado, enteado, primo e sofre com a dor da notícia, o diferencial é que na maioria das vezes fingimos que está tudo bem, pela nobre arte de informar.

Contar histórias é narrar a vida como ela é, nua e crua, sem invenções ou demagogias. Isso é jornalismo.

Algumas pessoas, errôneamente, acham que temos prazer em noticiar ou contar as histórias de tragédias ou mortes, que envolvem sofrimento e dor… não temos, mas é o nosso ofício, como é ofício do policial que mata, mesmo não querendo matar, do médico que abre o peito de um paciente e fica coberto de sangue, mesmo não querendo se sujar, mas fazemos tudo pelas nossas profissões.

Pior é quando distorcem o que escrevemos e mentem alterando e falsificando o conteúdo de nosso texto.

Certa vez um ‘stalker’ chamou um jornalista de ‘anjo da morte, locutor de tragédias, anunciante do caos’, como se o profissional fosse o autor de assassinatos, tragédias, pedofilias, mortes, acidentes, crimes, assaltos, roubos… Apenas contamos as histórias como elas acontecem.


Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”

Nota: Frase atribuída erroneamente a George Orwell. A citação também costuma ser atribuída a William Randolph Hearst. Porém, na referência mais antiga da citação de que se tem notícia (em 1918), a autoria da frase é desconhecida.


Algumas vezes acontecem pressões acima do normal para fechar pautas, publicar ou apagar uma reportagem, atender cronogramas, horários, a notícia não tem hora, ela acontece à toda hora, as vezes o profissional está dormindo e tem que se deslocar para o seu lugar de trabalho para alguma cobertura específica, mesmo que esteja descansando, de férias, em viagens, brincando com os filhos, namorando…

Estamos falando de um jornalismo sério, ético, com credibilidade e de grife. O jornalista sério faz de tudo para te deixar bem informado.

Essa é a rotina da pior profissão do mundo, mas que é amada e defendida por todos os profissionais que foram mordidos pelo ‘mosquitinho verde’ da notícia.

Léo Vilhena | Rede GNI
Jornalista Profissional


 

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