A militância política está errada quando a seara é no campo jornalístico

Eu recebi dezenas de críticas quando escrevi o texto Os Princípios do Jornalismo estão sendo aviltados – Devemos voltar as raízes.

Porém, eu recebi centenas de elogios pela clareza e serenidade com que toquei numa ferida aberta e 100% dos comentários afirmavam que eu estava coberto de razão ao condenar a militânia política dentro do Jornalismo.

Se você ainda não leu o meu texto publicado no site da União Brasileira de Profissionais de Imprensa, corre até lá e depois volte aqui para você compreender o contexto deste presente texto.

E a prova de que o meu texto anterior estava coberto de razão é o próprio site da ABI – Associação Brasileira de Imprensa.

Para quem não conhece a ABI, ao lado da FENAJ, ela é a maior associação e a mais representativa em solo brasileiro, de todos os profissionais de imprensa. É uma associação centenária!

Se comparada a ABI à UBRAPI é uma formiguinha insignificante em termos de representatividade nacional, mas pelo jeito, a UBRAPI é um gigante em termos de imparcialidade e de honestidade à causa da defesa dos Profissionais de Imprensa.

E sabe por que eu tenho a ‘petulância’ nessa afirmação? Porque até a ABI renunciou à sua luta por uma imprensa imparcial e democrática e traiu o juramento por um jornalismo imparcial, contando a história como ela é. A própria ABI maculou a sua imagem.

Como já falei anteriormente, todos podemos ter uma ideologia partidária, cada um de nós pode acreditar no que bem entender (Saci-Pererê, Cuca, Duendes, Fada Madrinha…), mas essa paixão partidária (Direita, Esquerda, Centro) é PROIBIDA na seara do Jornalismo, pois devemos apenas contar as histórias e deixar para os leitores os seus juízos de valores e as suas opiniões… Os leitores devem fazer as suas próprias análises…

Mas olhando o site da ABI, olha o que eu percebo:



FORA BOLSONARO

É tão patética essa situação que a própria ABI se desconstrói em sua própria história, quando lemos na seção HISTÓRIA no próprio site da ABI a seguinte afirmação:

A ASSOCIAÇÃO (ABI) DEVERIA SER UM CAMPO NEUTRO…
(OLHE O PRINT ABAIXO)



Como ser um campo neutro, se ela coloca em seu site FORA BOLSONARO?

Como associação representativa, a ABI deveria respeitar os leitores e elencar os erros e acertos do Presidente e deixar o leitor(a) gritar FORA BOLSONARO ou BOLSONARO 2022. Cabe ao leitor a decisão de apoiar ou não o presidente, mas quando associações e jornais (sites) passam a militar e transmitem as suas ideologias, como esperar deles a verdade e a imparcialidade?

Como o ‘quarto poder’ deveríamos ser os primeiros a lutar por uma democracia isenta e apartidária, deveríamos contar a história como ela é de fato e deixar os leitores construírem as suas próprias opiniões e análises.

Digo e repito, quando uma redação deixa ser contaminada por paixões idealistas, ela deixa de ser isenta, imparcial, honesta e verdadeira, pois ela avilta o sagrado dever de informar de uma forma imparcial, isenta e honesta.

A parcialidade é desonesta e denigre a imagem da verdade dos fatos.

Léo Vilhena | Jornalista Profissional
Editor da Rede GNI
Secretário-Executivo da União Brasileira de Profissionais de Imprensa