Novos protestos reúnem mais de 300 mil na França e terminam em confrontos com a polícia em Paris

Últimas atualizações em 31/10/2026 – 16:32 Por G1 Mundo

Um manifestante usa um fogo de artifício durante uma manifestação organizada por sindicatos como parte de protestos nacionais convocados pelo movimento dos "Coletes Amarelos", com a participação de estudantes franceses do ensino médio e universitário contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris, França, 31 de outubro de 2026. — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

Patrocinado | CONTINUA APÓS A IMAGEM Anuncio

Protestos contra o alto custo de vida e a precariedade dos serviços públicos terminaram em confrontos neste sábado (31) em diversas cidades da França.

Em Paris, a polícia de choque avançou para dispersar pequenos grupos de manifestantes. Também houve uso de gás lacrimogêneo em Lyon, terceira maior cidade do país, e em Toulouse, no sudoeste francês.

➡️ As manifestações ocorreram em meio a um esquema reforçado de segurança, duas semanas depois de uma onda de distúrbios e saques que deixou lojas, prédios públicos e empresas destruídos em diferentes partes do país.

Segundo a agência Reuters, os atos deste sábado reuniram estudantes, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos.

Embora tenham começado de forma pacífica durante a tarde, as manifestações terminaram em confrontos com a polícia em Paris e outras cidades francesas.

💵 Os grupos protestam contra a alta dos preços dos combustíveis, a inflação e as dificuldades enfrentadas pelas famílias para pagar as contas.

Em Marselha, também houve tensão no fim de manifestações que não tinham sido autorizadas pelas autoridades.

Os protestos na França inspiraram manifestações lideradas por jovens da chamada Geração Z em outros países europeus. Neste sábado, também foram registrados atos em várias cidades da Alemanha e na Itália.

A participação, porém, foi menor do que nos dois sábados anteriores. Segundo o Ministério do Interior francês, 320 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país, sendo 70 mil em Paris. Na semana anterior, foram 410 mil manifestantes. Em 17 de outubro, o número chegou a 550 mil.

O ministério afirmou que grupos considerados radicais tentaram se separar das marchas para provocar danos e saques em cidades como Bordeaux, Toulouse, Lyon e Marselha, mas foram contidos pelas forças de segurança.

As autoridades também disseram ter encontrado objetos que poderiam ser usados como armas durante fiscalizações em estações ferroviárias e rodovias.

Manifestantes participam de uma manifestação organizada por sindicatos como parte de protestos nacionais convocados pelo movimento dos "Coletes Amarelos", com a participação de estudantes franceses do ensino médio e universitário contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris, França, 31 de outubro de 2026. — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

Protestos começaram com estudantes

As manifestações ganharam força no fim de setembro, quando o governo minoritário do presidente Emmanuel Macron iniciou as negociações sobre o orçamento de 2027.

O movimento começou com estudantes que reclamavam da piora das condições nas escolas, da superlotação das salas de aula e do sistema de admissão nas universidades, considerado injusto por parte dos jovens.

Desde então, os atos passaram a reunir também sindicatos e integrantes dos Coletes Amarelos, movimento que ganhou força em 2018 com protestos contra o aumento dos combustíveis e o custo de vida.

As promessas do governo de reformar a educação e reduzir os gastos com combustível não foram suficientes para conter a insatisfação.

Durante a manifestação em Paris, o estudante Aaron Berthier de Grandry, de 15 anos, disse a Reuters que participaria de seu terceiro fim de semana consecutivo de protestos.

"Quando eu era pequeno, me diziam que os jovens eram o futuro", afirmou. "Bem, se nós, como o futuro da França, não temos recursos, isso significa que a França acabará entrando em colapso."

O manifestante Jérôme Rodriguez também criticou a situação econômica do país e a atuação do governo.

"A economia francesa está indo mal, aconteça o que acontecer, porque hoje somos governados por um grupo de incompetentes que fazem malabarismos com bilhões, enquanto as famílias lutam para sobreviver com alguns centavos", disse.

Uma pessoa segura uma bandeira francesa durante uma manifestação organizada por sindicatos como parte de protestos nacionais convocados pelo movimento "Coletes Amarelos", com a participação de estudantes franceses do ensino médio e universitários contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris, França, 31 de outubro de 2026. — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

Governo reforça segurança após saques

As autoridades adotaram medidas para evitar que os episódios de violência de 17 de outubro se repetissem. Na ocasião, distúrbios e saques surpreenderam as forças de segurança e provocaram danos a estabelecimentos comerciais e prédios públicos.

Neste sábado, o ministro do Interior, Laurent Nunez, alertou que máscaras de Halloween poderiam ser usadas para esconder a identidade de pessoas envolvidas em atos de vandalismo. Ele afirmou que a legislação permite proibir o uso de máscaras quando houver ameaça à ordem pública.

A Justiça administrativa francesa também manteve a proibição de uma marcha entre as praças da Nação e da Bastilha, dois pontos tradicionais de Paris. A decisão rejeitou um recurso apresentado por sindicatos.

Em vez desse trajeto, as autoridades autorizaram uma manifestação por avenidas na zona leste da capital, longe das áreas comerciais do centro.

A Embaixada dos Estados Unidos também recomendou que viajantes evitassem regiões com manifestações previstas ou grandes aglomerações.

Policiais com equipamento anti-motim ficam no topo de uma escada com vista para uma rua cheia de lixo, durante uma manifestação organizada por sindicatos como parte de protestos nacionais convocados pelo movimento "Coletes Amarelos", com a participação de estudantes franceses do ensino médio e universitários contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris, França, 31 de outubro de 2026 — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

Crise aumenta pressão sobre governo Macron

Os protestos ocorrem em um momento delicado para o governo francês. Na sexta-feira (30), a agência de classificação de risco Fitch mudou de estável para negativa a perspectiva da nota de crédito da França, em um sinal de preocupação com a situação das contas públicas do país.

A dívida pública francesa se aproxima de 120% do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a soma de bens e serviços produzidos no país. Ao mesmo tempo, os custos de financiamento do governo estão em alta.

O cenário aumenta a pressão para que Macron reduza os gastos públicos e limita a margem de manobra do governo para responder às reivindicações dos manifestantes.

A crise também tem efeitos políticos. O líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon participou da marcha em Paris. Sua popularidade cresceu nas últimas semanas, às vésperas da eleição presidencial prevista para abril.

Já a líder da extrema direita Marine Le Pen aparece na frente das pesquisas de intenção de voto, enquanto possíveis sucessores centristas de Macron seguem divididos.

Os protestos também representam mais um problema para a economia francesa. Dados divulgados na sexta-feira indicaram que o país entrou em contração no terceiro trimestre.

A Câmara de Comércio estima que os prejuízos ao varejo ultrapassem 1 bilhão de euros (cerca de US$ 1,1 bilhão). Outras estimativas apontam perdas duas vezes maiores quando são considerados danos não cobertos por seguros e receitas que deixaram de ser obtidas.

Em algumas das principais avenidas comerciais de Paris, as luzes de Natal já estão acesas ao redor de lojas protegidas por tábuas e grades. Entre os estabelecimentos atingidos nos episódios anteriores estavam unidades de marcas de luxo como Hermès, Louis Vuitton e Burberry.

*Com informações da Agência Reuters

Agora no g1

Fonte: G1 Mundo

Mundo